AREsp 1842790 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a matéria deduzida demandaria reexame do conjunto fático-probatório apreciado pelas instâncias ordinárias, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ; o Tribunal a quo fundamentou sua decisão em prova documental, pericial e em confissão extrajudicial,...
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- Parties
- Agravante: LUCINEIA CANDIDA GARCIA OLIVEIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 April 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Reexame Fático Probatório, Confissão Extrajudicial Não Ratificada, Autoria Delitiva
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Parties
LUCINEIA CANDIDA GARCIA OLIVEIRA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 alegada violação do art. 386, inciso IV, do Código de Processo Penal
- 2 suficiência da prova para comprovação da autoria
- 3 validade de confissão prestada em inquérito e não ratificada em juízo
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a matéria deduzida demandaria reexame do conjunto fático-probatório apreciado pelas instâncias ordinárias, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ; o Tribunal a quo fundamentou sua decisão em prova documental, pericial e em confissão extrajudicial, tornando inviável a revisão pela via especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por LUCINEIA CANDIDA GARCIA OLIVEIRA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 386, inciso IV, do Código de Processo Penal, no que concerne a sua absolvição ante a ausência de elementos necessários à comprovação da autoria, trazendo os seguintes argumentos: A prova constante nos autos, referente à autoria delitiva, é de todo insuficiente para o decreto condenatório exarado pelo tribunal a quo em reforma da r. sentença de primeira instância, surgindo daí a alegação de que o v. acórdão não pode subsistir, por ter sido proferido em total descompasso com os elementos constantes nos autos. Conforme é possível verificar, ao contrário da fundamentação exarada tanto pelo E. tribunal a quo e apurado em instrução, a Recorrente apenas emprestou seu nome ao marido para que este pudesse abrir a empresa, vez que o mesmo possuía restrições em seu nome, bem como não possuía instrução educacional para exercer a função de administradora, sendo apenas uma simples do lar. Ressalte-se que a reforma da r. sentença pelo tribunal a quo se deu exclusivamente em razão do depoimento da Recorrente prestado em fase de inquérito policial, versão esta não ratificada em juízo, logo, não pode ser sopesada na análise probatória. (fls. 800). Outrossim, a Recorrente em nenhum momento nega que a empresa está aberta em seu nome, se limitando sua confissão a este elemento, ao contrário do que dispôs o tribunal a quo, ao afirmar que a Recorrente confessou a prática delitiva. (fls. 800). Aliás, sem que importe em confissão, apenas a título ilustrativo, a confissão não ratificada em juízo não possui validade. Assim, ainda que considerada a confissão da Recorrente em fase inicial da ação penal, qual seja, o inquérito policial, a mesma não fora ratificada em juízo, logo, não possui validade. Igualmente, não não há nenhum elemento probatório que possa confirmar a autoria pela Recorrente, o que acertadamente fundamento o magistrado de primeira instância. (fls. 801). Mesmo porque, na fase de inquérito policial não há confissão do crime imputada a Recorrente, enquanto na fase de instrução judicial a mesma nega qualquer tipo de autoria delitiva. Desta forma, o tribunal a quo não pode simplesmente sobrepor o depoimento prestado em inquérito policial ao depoimento prestado em juízo simplesmente por este último negar autoria de crime. (fls. 802). É, no essencial, o relatório. Decido. No tocante à controvérsia, na espécie, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Inegavelmente, a prova dos autos permite a decisão condenatória. Inconteste a materialidade do delito, imputado à apelada, comprovada pelo ofício expedido pela Secretaria da Fazenda (Representação Fiscal Para Fins Penais), bem como pelo auto de infração e imposição de multa e pelo laudo pericial contábil (fls. 3, 6/10 e 629/632). Quanto à autoria do crime, a prova dos autos faz concluir pela culpabilidade da apelada, senão vejamos. .. Frisa-se, aliás, que a apelada confessou as práticas delitivas, na primeira fase da persecução penal, o que somente enfraquece sua negativa judicial. Incontestável, ainda, nos autos, que nos períodos descritos na denúncia, a apelada figurava juridicamente como sócia administradora/gerente da empresa "Shekinah Serralheria Artística Ltda. ME" (fls. 136/139). Assim, não é crível que a apelada, sócia e administradora da empresa "Shekinah Serralheria Artística Ltda. ME", não tivesse conhecimento dos vultosos valores que estavam sendo por ela sonegados, mediante a prática de atos fraudulentos. Como se depreende, a prova dos autos está a inculpar a apelada, porquanto sua versão, em juízo, além de inverossímil, restou isolada e só pode ser entendida como tentativa de evitar sua responsabilização. .. Assim, os seguros, coerentes e harmônicos depoimentos do agente fiscal Renato, nas duas fases da persecução penal, aliados à confissão extrajudicial da apelada e, ainda, à prova documental e pericial colacionada aos autos, tornam inquestionável a autoria dos delitos descritos na denúncia, de modo que a condenação é o desfecho natural da causa (fls. 780/788). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que para dissentir da conclusão do Tribunal de origem seria necessária a incursão no conjunto fático-probatório carreado aos autos. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados desta Corte: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIMES CONTRA A HONRA. CALÚNIA. ART. 138, CAPUT, COMBINADO COM ART. 141, II, AMBOS DO CÓDIGO PENAL. .. PLEITO ABSOLUTÓRIO.AUSÊNCIA DE DOLO, ERRO DE TIPO E ATIPICIDADE DA CONDUTA. ÓBICE DO REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO, CONFORME SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. .. 2. Ante o que constou no acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça, para se concluir pela absolvição do agravante por falta de dolo, erro de tipo ou atipicidade da conduta, seria necessário o revolvimento fático-probatório, vedado conforme Súmula n. 7 do STJ. (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.127.790/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 12/02/2020.) PENAL E PROCESSO PENAL. .. AFRONTA AOS ARTS. 17 E 18, AMBOS DO CP. CARACTERIZAÇÃO DE CRIME IMPOSSÍVEL. DOLO DA CONDUTA. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. VEDAÇÃO. PEDIDO DE DESCLASSIFICAÇÃO E DE DIMINUIÇÃO DO QUANTUM FIXADO À TÍTULO DE MULTA. MATÉRIAS PROBATÓRIAS. IMPOSSIBILIDADE. PLEITO DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. REEXAME DE PROVAS. VEDAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. .. . .. 2. Cabe ao aplicador da lei, em instância ordinária, fazer um cotejo fático probatório a fim de analisar a existência de provas suficientes a embasar o decreto condenatório, ou a ensejar a absolvição, bem como analisar a existência de dolo na conduta do agente e as possíveis excludentes de ilicitude ou mesmo eventual ocorrência de uma das excludentes de culpabilidade aplicáveis ao caso. Compete, também, ao Tribunal a quo, examinar o quantum a ser fixado a título de prestação pecuniária, com base nas condições econômicas do acusado. Incidência da Súmula 7 deste Tribunal. 3. É assente que "a averiguação da existência ou não do nexo de dependência entre as condutas, capaz de afirmar pela incidência ou não do princípio da consunção, esbarra no óbice da Súmula 07 desta Corte, na medida em que exige incursão na matéria fático-probatória dos autos, o que é inviável na via especial." (REsp 810.239/RS, Rel, Min. GILSON DIPP, QUINTA TURMA, DJ 09/10/2006) . .. 7. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp n. 824.317/RS, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 28/03/2016.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO. DECISÃO DE IMPRONÚNCIA. ALEGADA PRESENÇA DE PROVAS DA MATERIALIDADE DO CRIME. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. "É assente que cabe ao aplicador da lei, em instância ordinária, fazer um cotejo fático e probatório a fim de analisar se, ao final da primeira fase do procedimento escalonado do juri, há provas ou não para pronunciar, impronunciar, desclassificar ou absolver sumariamente o acusado, bem como verificar se, por ocasião da decisão de pronúncia, eventual qualificadora se mostra improcedente ou descabida. Incidência do enunciado 7 da Súmula deste STJ" (AgRg no AREsp n. 636.030/BA, relatora Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 1º/3/2016, DJe de 9/3/2016). .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 1.474.204/PR, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 08/09/2020.) PENAL E PROCESSO PENAL. RECURSO ESPECIAL. .. 3. CONTROVÉRSIA SOBRE A JUSTA CAUSA. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DO ARCABOUÇO FÁTICO PROBATÓRIO. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. 4. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. .. 3. O entendimento da Corte local se assentou no arcabouço probatório que subsidiou o oferecimento da denúncia. Assim, eventual conclusão em sentido contrário, para se afirmar que há justa causa para a ação penal, demandaria indevida incursão no arcabouço dos autos, o que não se admite na via eleita, nos termos do óbice do enunciado n. 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Como é de conhecimento, a análise de eventual violação da norma infraconstitucional não pode demandar o revolvimento dos fatos e das provas carreados aos autos, porquanto as instâncias ordinárias são soberanas no exame do acervo probatório. Dessa forma, não é dado a esta Corte Superior se imiscuir nas conclusões alcançadas pelas instâncias ordinárias, acerca da ausência de justa causa para a ação penal, em virtude da ausência de indícios mínimos de autoria. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp n. 1.624.540/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares Da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 04/12/2018, DJe 14/12/2018.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes, que versam sobre outras hipóteses de aplicação do enunciado da Súmula n. 7/STJ: AgRg no AREsp 1.648.761/RS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 13/10/2020; AgRg no AgRg no AREsp 1.780.664/PB, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 22/02/2021; AgRg no AREsp 1.375.089/SP, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 09/12/2019; AgRg no REsp 1.821.134/MT, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 10/12/2019; AgRg no AREsp 1.275.084/TO, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/06/2019; AgRg no AREsp 1.348.814/SP, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 04/02/2019; AgRg no AREsp 1.480.030/BA, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 23/06/2020; AgRg no AREsp 1.681.129/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 02/06/2020; AgRg no AREsp 1.681.129/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 02/06/2020; AgRg no AgRg nos EDcl no AREsp 1.344.238/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 12/12/2018; AgRg no AREsp 589.412/MG, relator. Ministro Gurgel de Faria, Quinta Turma, DJe de 02/02/2015; AgRg no AREsp 1.433.019/RS, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 05/04/2019; AgRg no AREsp 1.733.622/GO, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 08/02/2021; REsp 1.621.899/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 07/12/2020; AgRg nos EDcl no AREsp 1.713.529/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 21/09/2020; REsp n. 1.777.169/AL, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23/05/2019; AgRg no REsp n. 1.767.963/PR, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 26/08/2020; AgRg no AREsp n. 1.738.871/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 27/11/2020; AgRg no AgRg no REsp n. 1.845.089/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 23/11/2020; AgRg no REsp n. 1.679.603/GO, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 19/02/2018; AgRg no REsp n. 1.857.774/RS, relator Ministro Reynaldo Soares Da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 30/06/2020; AgRg no AREsp n. 1.213.878/PR, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 09/12/2019. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.