AREsp 1829078 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido por deficiência de fundamentação, uma vez que a recorrente deixou de indicar com precisão os dispositivos de lei federal supostamente violados, atraindo o óbice da Súmula n. 284/STF; por consequência, conheceu-se do agravo apenas para não conhecer do recurso especial e...
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- Parties
- Agravante: MARGARETE MENDES DE SOUZA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 April 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial (agravo Contra Não Admissão De Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284/stf, Honorários Advocatícios
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Parties
MARGARETE MENDES DE SOUZA
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial (agravo Contra Não Admissão De Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 necessidade de indicação precisa de dispositivos legais nas razões do recurso especial
- 2 aplicação da Súmula n. 284/STF como óbice de admissibilidade
- 3 majoração de honorários advocatícios nos termos do art. 85, §11, CPC
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido por deficiência de fundamentação, uma vez que a recorrente deixou de indicar com precisão os dispositivos de lei federal supostamente violados, atraindo o óbice da Súmula n. 284/STF; por consequência, conheceu-se do agravo apenas para não conhecer do recurso especial e majoraram-se os honorários advocatícios em 15% nos termos do art. 85, §11, CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conhecer do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majorar os honorários de advogado em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, §11, CPC.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por MARGARETE MENDES DE SOUZA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a" e alínea "c" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS AUTORA QUE ALEGA TER ADQUIRIDO PRODUTO EM SITE DE COMPRA COLETIVA POR MEIO DE EMPRESA INTERMEDIADORA NÃO COMPROVAÇÃO DA RELAÇÃO COMERCIAL - PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA ACOLHIDA DE OFÍCIO SE A AUTORA NÃO JUNTOU NENHUM DOCUMENTO CAPAZ DE COMPROVAR A RELAÇÃO COMERCIAL HAVIDA COM A PARTE REQUERIDA (EMPRESA INTERMEDIADORA DA COMPRA) EVIDENTE SUA ILEGITIMIDADE PARA FIGURAR NO POLO PASSIVO DA DEMANDA Defende a recorrente a legitimidade da recorrida para figurar no pólo passivo da demanda, trazendo os seguintes argumentos: Desta forma, não há dúvidas de que as apeladas têm legitimidade para responder pela demanda, pois, foram às mesmas que integraram a cadeia de fornecimento, anúncio o produto, negociação, venda da mercadoria e pagamento, sendo que a empresa BCASH intermediou o pagamento, já as apeladas agiram da seguinte forma, a primeira a loja que ofereceu e vendeu o produto e segundo apelado o sócio proprietário, na realidade, deveriam as duas responderem à demanda, mas, no presente feito apenas as apeladas foram arroladas, fato esse que não exclui sua responsabilidade. Assim sendo, não há que se falar em ilegitimidade de qualquer das recorridas, devendo, o presente feito, continuar em relação à ambas as Recorridas, conforme supra exposto. Portanto, faz jus a recorrente à procedência dos pedidos iniciais deduzidos, mediante o total provimento do presente apelo extremo, conforme restou demonstrado através da comparação com os casos análogos citados alhures. (fls. 326). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Ademais, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar com precisão quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.616.851/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; AgInt no AREsp 1.518.371/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15/5/2020; AgInt no AREsp 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp 1.023.256/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 24/4/2020; e AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º/4/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.