AREsp 1833887 - DECISAO
Conheceu-se do agravo apenas para decidir pela inadmissibilidade do recurso especial, em razão de defeitos formais na fundamentação recursal (falta de indicação precisa do permissivo constitucional e dos dispositivos legais violados, atraindo a Súmula 284/STF), ausência de prequestionamento quanto à matéria...
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- Parties
- Agravante/recorrente: GERALDO E SILVA ENGENHARIA E CONSTRUCOES LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 April 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Agravo Interposto Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial; Conhecido Pelo STJ Com Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Dissídio Jurisprudencial, Súmula 284/stf, Súmula 7/stj, Ônus Da Prova, Teoria Finalista Mitigada
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Parties
GERALDO E SILVA ENGENHARIA E CONSTRUCOES LTDA
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo / Agravo Interposto Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial; Conhecido Pelo STJ Com Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor a pessoa jurídica
- 2 Inversão do ônus da prova
- 3 Existência de débito e cobrança de ligações
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo apenas para decidir pela inadmissibilidade do recurso especial, em razão de defeitos formais na fundamentação recursal (falta de indicação precisa do permissivo constitucional e dos dispositivos legais violados, atraindo a Súmula 284/STF), ausência de prequestionamento quanto à matéria suscitada (Súmulas 282 e 356/STF) e necessidade de reexame de fatos que inviabiliza o recurso especial (Súmula 7/STJ); assim, não se conheceu do recurso especial e foi majorado o percentual de honorários advocatícios.
Court Disposition
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial
Orders
- Conheço do agravo
- Não conheço do recurso especial
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por GERALDO E SILVA ENGENHARIA E CONSTRUCOES LTDA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre fundamentado no artigo 105, inciso III, da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL AÇÃO ORDINÁRIA SERVIÇOS DE TELEFONIA PESSOA JURÍDICA INAPLICABILIDADE DO CDC FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NÃO VERIFICADA ÔNUS DO ART 373 I DO CPC DANOS MORAIS NÃO CONFIGURADOS IMPROCEDÊNCIA MANTIDA RECURSO NÃO PROVIDO EM CONTRATOS FIRMADOS POR PESSOA JURÍDICA PARA FOMENTO DA ATIVIDADE DA EMPRESA NÃO HÁ QUE SE FALAR EM APLICABILIDADE DO CDC E POR CONSEQUÊNCIA DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA DEVENDO PREVALECER AS REGRAS PREVISTAS NO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL QUANTO AO ÔNUS DA PROVA CABE AO AUTOR DEMONSTRAR OS FATOS CONSTITUTIVOS DO SEU DIREITO E AO RÉU EVIDENCIAR FATOS IMPEDITIVOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS DO DIREITO INVOCADO (ART 373 CPC15) EXERCE REGULARMENTE O SEU DIREITO O CREDOR QUE ENVIA O NOME DO CONSUMIDOR AO CADASTRO RESTRITIVO DE CRÉDITO QUANDO COMPROVADA A PRÉVIA RELAÇÃO JURÍDICA ENTRE AS PARTES E A EXISTÊNCIA DO DÉBITO Quanto à primeira controvérsia, alega a existência de relação de consumo, com a necessidade de aplicação do CDC ao caso concreto, trazendo os seguintes argumentos: Conforme amplamente debatido no feito, a Recorrente foi a única destinatária do produto oferecido pela Recorrida, vez que não atua na venda de linhas telefônicas, o que a qualifica como consumidora nos termos da lei. A moderna corrente doutrinária vem entendendo pela relativização da teoria finalista prevista no CDC, doutrina que vem sendo denominada de teoria finalista mitigada ou aprofundada, a qual vem sendo, cotidianamente, aplicada nos Tribunais brasileiros. Referida doutrina traz uma definição mais ampla do conceito de Consumidor, sendo que a pessoa jurídica pode ser considerada consumidora, mesmo na hipótese produto ou serviço ser utilizado na sua cadeia produtiva, quando constatada a vulnerabilidade técnica/financeira da Pessoa Jurídica. Ora! A Recorrida se apresenta no mercado como empresa responsável por fornecer serviços telefônicos. Logo, conhece toda a tecnologia e parte técnica do referido objeto social, ao passo que o Recorrente apenas utiliza referido produto, existindo uma grande diferença técnica entre o fornecimento do serviço e sua singela utilização. Ademais, a diferença da situação financeira de ambas as partes, dispensa maiores considerações. A Recorrente é simples empresa do ramo da construção civil, ao passo que a Recorrida possui capital social bilionário! .. Ante o exposto, com base na teoria finalista mitigada e, considerando o acima exposto, de rigor seja o presente recurso conhecido e no mérito provido para que seja aplicado o CDC no caso em apreço, determinando- se, por consequência, a inversão do ônus da prova e aplicando as demais prerrogativas contidas no referido código (fls. 273/278). Quanto à segunda controvérsia, alega dissídio jurisprudencial, no que concerne à necessidade de aplicação do CDC ao caso concreto. Quanto à terceira controvérsia, alega violação do art. 341 do CPC, no que concerne à inexistência do débito descrito, uma vez que competia à recorrida comprovar que os chips foram desbloqueados, trazendo os seguintes argumentos: Por fim, insta destacar que se discute no presente feito a cobrança indevida de ligações que não foram realizadas pela Recorrente. Acontece que o r. acórdão proferido se distanciou da matéria discutida no presente feito, data máxima vênia. .. Todavia, não se vislumbra a possibilidade de pagamento da fatura no valor de R$6.300,45, já que as ligações não foram feitas pela Recorrente. Por consequência, indevido, também, a antecipação/cobrança das parcelas dos aparelhos entregues à Recorrente, pois a rescisão contratual não se deu por culpa desta peticionária que, frise-se, não poderia pagar por um serviço que não utilizou. Novamente, não se pretende nesta via rever provas produzidas no feito, mas tão somente debater questões de direito, face a necessidade de procedência dos pedidos iniciais. Fato é que conforme exposto em sede de impugnação à contestação, a Recorrida SEQUER IMPUGNOU O FATO DOS CHIPS NÃO TEREM SIDO SEQUER DESBLOQUEADOS PELA RECORRENTE! Em outras palavras, não pode a Recorrente ter efetuado ligações de chips que se encontravam bloqueados. .. Logo, considerando que não foi impugnado o fato dos chips estarem bloqueados, outra ilação não há senão o reconhecimento que de fato a Recorrente não realizou as ligações. Vale destacar, ainda, a aplicação do CDC acima debatida, o que apenas evidencia que o ônus da prova no caso em apreço era todo da Recorrida. .. Em outras palavras competia à Recorrida comprovar que os chips foram desbloqueados, FATO QUE SEQUER PREOCUPOU-SE EM CONTESTAR. A bem da verdade, a Recorrente está sendo cobrada por um serviço que não usufruiu, vez que não realizou as ligações cobradas pela Recorrida. Logo, tem-se que a negativação do nome da Recorrente foi feita indevidamente, restando demonstrado a necessidade de declarar inexistente o débito descrito na inicial bem como condenar a Recorrida em danos morais (fls. 278/279). Quanto à quarta controvérsia, alega dissídio jurisprudencial com fundamento no art. 341 do CPC. É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira, segunda, terceira e quarta controvérsias, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não houve a indicação do permissivo constitucional autorizador do recurso especial, aplicando-se, por conseguinte, a referida súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Isso porque, conforme disposto no art. 1.029, II, do CPC/2015, a petição do recurso especial deve conter a "demonstração do cabimento do recurso interposto". Sendo assim, a parte recorrente deve evidenciar de forma explícita e específica que seu recurso está fundamentado no art. 105, inciso III, da Constituição Federal, e quais são as alíneas desse permissivo constitucional que servem de base para a sua interposição. Esse entendimento possui respaldo em recente julgado desta Corte Superior de Justiça: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. INCIDÊNCIA POR ANALOGIA DO ENUNCIADO N. 284 DA SÚMULA DO STF. DEFICIÊNCIA RECURSAL. ART. 1.029 DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO VIOLADO. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. .. II - Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não houve a correta indicação do permissivo constitucional autorizador do recurso especial, aplicando-se, por conseguinte, a referida Súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". III - Conforme disposto no art. 1.029, II, do CPC/2015, a petição do recurso especial deve conter a "demonstração do cabimento do recurso interposto". Sendo assim, o recorrente, na petição de interposição, deve evidenciar de forma explícita e específica em qual ou quais dos permissivos constitucionais está fundado o seu recurso especial, com a expressa indicação da alínea do dispositivo autorizador. Este entendimento possui respaldo em antiga jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, que assim definiu: "O recurso, para ter acesso à sua apreciação neste Tribunal, deve indicar, quando da sua interposição, expressamente, o dispositivo e alínea que autoriza sua admissão. .. . (AgInt no AREsp n. 1.479.509/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 22/11/2019.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AgInt no AREsp n. 1.015.487/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 2/8/2017; AgRg nos EDcl no AREsp n. 604.337/RJ, relator Ministro Ericson Maranho (desembargador convocado do TJ/SP), Sexta Turma, DJe de 11/5/2015; e AgRg no AREsp n. 165.022/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Quinta Turma, DJe de 3/9/2013; AgRg no Ag 205.379/SP, relator Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ de 29/3/1999. Ademais, quanto à primeira controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Além disso, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Inicialmente, cabe aduzir que inexiste relação de consumo no caso ora analisado, uma vez que se discute um negócio firmado entre duas pessoas jurídicas, não se encaixando a apelante no conceito de consumidor ditado pela legislação consumerista. .. Logo, não há relação de consumo, pois o objeto do negócio visa a fomentar a atividade da empresa apelante, que não é consumidora final (fl. 259). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020. Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar com precisão quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.616.851/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; AgInt no AREsp 1.518.371/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15/5/2020; AgInt no AREsp 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp 1.023.256/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 24/4/2020; e AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º/4/2020. Ademais, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige a transcrição de trechos dos julgados confrontados, bem como a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados. Nesse sentido: "O dissídio jurisprudencial não foi comprovado, pois a parte agravante não efetuou o devido cotejo analítico entre as hipóteses apresentadas como divergentes, com transcrição dos trechos dos acórdãos confrontados, bem como menção das circunstâncias que os identifiquem ou assemelhem, nos termos dos arts. 541, parágrafo único, do CPC/1973 (ou 1.029, § 1º, do CPC/2015) e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ". (AgInt no REsp n. 1.840.089/CE, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/6/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020. Quanto à terceira controvérsia, na espécie, incidem os óbices das Súmulas n. 282/STF e 356/STF, uma vez que a questão não foi examinada pela Corte de origem, tampouco foram opostos embargos de declaração para tal fim. Dessa forma, ausente o indispensável requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 9. In casu, o art. 17, do Decreto 3.342/00, não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, nem sequer foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de prequestioná-lo, razão pela qual impõe-se óbice instransponível ao conhecimento do recurso quanto ao aludido dispositivo". (REsp 963.528/PR, relator Ministro Luiz Fux, Corte Especial, DJe de 4/2/2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.160.435/PE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe de 28/4/2011; REsp 1.730.826/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 12/2/2019; AgInt no AREsp 1.339.926/PR, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 15/2/2019; e AgRg no REsp 1.849.115/SC, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23/6/2020. Quanto à quarta controvérsia, na espécie, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige a transcrição de trechos dos julgados confrontados, bem como a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados. Nesse sentido: "O dissídio jurisprudencial não foi comprovado, pois a parte agravante não efetuou o devido cotejo analítico entre as hipóteses apresentadas como divergentes, com transcrição dos trechos dos acórdãos confrontados, bem como menção das circunstâncias que os identifiquem ou assemelhem, nos termos dos arts. 541, parágrafo único, do CPC/1973 (ou 1.029, § 1º, do CPC/2015) e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ". (AgInt no REsp n. 1.840.089/CE, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/6/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020. Ademais, verifica-se que os dispositivos legais sobre os quais teria havido o dissídio jurisprudencial não foram examinados pela Corte de origem. Dessa forma, reconhecida a ausência de prequestionamento da norma objeto da divergência jurisprudencial, inviável a demonstração do referido dissenso em razão da inexistência de identidade entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do recurso especial pela alínea "c". Nesse sentido: "O óbice da ausência de prequestionamento impede a análise do dissenso jurisprudencial, porquanto inviável a comprovação da similitude das circunstâncias fáticas e do direito aplicado". (AgInt no AREsp 1.639.095/RJ, relator Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 19/5/2020.) Sobre o tema, confiram-se os seguintes precedentes: AgInt no REsp 1.862.546/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 14/8/2020; AgInt no AREsp 1.486.884/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, Dje de 19/2/2020; e EDcl no REsp 1.274.569/MG, relator Ministro João Otávio de Noronha, Terceira Turma, DJe de 25/8/2014. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.