AREsp 1837127 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por ausência de prequestionamento (Súmula 211/STJ) e porque a análise pretendida demandaria reexame do acervo fático-probatório e do ônus da prova, providência vedada em recurso especial (Súmula 7/STJ); por fim, foi majorado o honorário advocatício nos...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: BYTEWEB COMUNICAÇÃO MULTIMÍDIA LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 May 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão De Inadmissão De Recurso Especial / Decisão No Superior Tribunal De Justiça (conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Ônus Da Prova, Cerceamento De Defesa, Prova Testemunhal, Súmula 7/stj, Súmula 211/stj, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
BYTEWEB COMUNICAÇÃO MULTIMÍDIA LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão De Inadmissão De Recurso Especial / Decisão No Superior Tribunal De Justiça (conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 cerceamento de defesa por indeferimento de prova testemunhal (arts. 369 e 442 do CPC)
- 2 ausência de prequestionamento (Súmula 211/STJ)
- 3 vedação ao reexame de provas em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por ausência de prequestionamento (Súmula 211/STJ) e porque a análise pretendida demandaria reexame do acervo fático-probatório e do ônus da prova, providência vedada em recurso especial (Súmula 7/STJ); por fim, foi majorado o honorário advocatício nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão...
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por BYTEWEB COMUNICAÇÃO MULTIMÍDIA LTDA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: LOCAÇÃO DE ESPAÇO FÍSICO AÇÃO DE COBRANÇA 1 O CRITERIOSO COMANDO NA REALIZAÇÃO DA PROVA AO JUIZ DA CAUSA COMPETE POSTO QUE É O DESTINATÁRIO DELA PARA A BOA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL 2 SE A PARTE AUTORA NÃO FAZ PROVA BOA E CABAL DO FATO CONSTITUTIVO DO SEU DIREITO A AÇÃO IMPROCEDE INTELIGÊNCIA DO ART 373 I DO CPC SENTENÇA MANTIDA RECURSO DESPROVIDO. Quanto à primeira controvérsia, alega violação do arts. 369 e 442 do CPC, no que concerne ao cerceamento de defesa pelo indeferimento da oitiva de testemunhas, trazendo os seguintes argumentos (fls. 187/188): Com efeito, o v. acórdão firmou entendimento no sentido de que os elementos constantes nos autos seriam suficientes para solução da demanda. Desconsiderou, portanto, a alegação da recorrente, no sentido de que a embargante pretendia a produção de prova testemunhal justamente para comprovar que houve a denúncia imotivada do contrato pela ré. Era, portanto, direito da embargante a oitiva de sua testemunha, o que restou violado no presente caso. Em outras palavras, havia clara controvérsia sobre a matéria, mas a recorrente teve seu constitucional direito de defesa tolhido. .. Destarte, violado o referido dispositivo de lei, haja vista que cerceada a defesa da recorrente, na medida em que não pôde ouvir testemunhas - cujo requerimento da prova foi tempestivamente formulado - as quais comprovariam a tese exposta. Nesse sentido, o artigo 442 dispõe que "a prova testemunhal é sempre admissível, não dispondo a lei de modo diverso". De conseguinte, desrespeitado também esse artigo, haja vista a admissibilidade da prova testemunhal postulada pela recorrente e sua negativa ante o julgamento antecipado da lide. Não se ignore também, ser remansoso o entendimento de que constitui cerceamento de defesa o julgamento antecipado da lide que impede a produção de provas relevantes ao deslinde da controvérsia. Aliás, no presente caso, o pedido foi indeferido justamente sob o fundamento de que a autora não logrou produzir prova que respaldasse o seu direito, pois não demonstrou a alegada denúncia do contrato, descumprindo com o seu ônus probatório. Ora, a recorrente pretendia comprovar mediante prova testemunhal. No entanto, foi impedida de exercer o seu direito. Destarte, requer seja reconhecida a violação da disposição dos artigos 369 e 442 do Código de Processo Civil para o fim de anular a r. sentença determinando a reabertura da instrução processual, com a remessa dos autos à instância de origem a fim que as partes possam produzir as provas necessárias a comprovação de que ocorreu a denúncia imotivada do contrato, o qual foi completamente desconsiderado pelas duas instâncias, configurando evidente cerceamento de defesa. É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 211/STJ, uma vez que a questão não foi examinada pela Corte de origem, a despeito da oposição de embargos de declaração. Assim, ausente o requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo - Súmula n. 211 - STJ". (AgRg nos EREsp 1138634/RS, relator Ministro Aldir Passarinho Júnior, Corte Especial, DJe de 19/10/2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgRg nos EREsp n. 554.089/MG, relator Ministro Humberto Gomes de Barros, Corte Especial, DJ de 29/8/2005; AgInt no AREsp n. 1.264.021/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 1º/3/2019; REsp n. 1.771.637/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 4/2/2019; e AgRg no AREsp 1.647.409/SC, relator Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 1º/7/2020. Ademais, o Tribunal de origem indica que a recorrente não se desincumbiu do ônus de apresentar elementos a corroborar a versão apresentada na petição inicial e diante dos elementos, não se poderia acolher a pretensão (fls. 166/168): Assim, apesar da apelante entender pela imprescindibilidade da realização de novas provas, verifica-se a desnecessidade da dilação probatória pretendida. Isto porque, da análise criteriosa dos documentos já trazidos aos autos, temos a impertinência da realização das novas diligências, na medida em que, com base nos elementos juntados, pode-se claramente verificar os acontecimentos discutidos no feito. Dessa forma, vê-se claramente que o eminente magistrado, destinatário final da prova, apenas fez adequado e sensato uso da faculdade contida no artigo 370, do Código de Processo Civil, cabendo a ele decidir sobre a necessidade de realização de eventual perícia ou produção de prova oral. .. Em suma, se a realização da provas elencadas pelo autor em nada contribuiria para o deslinde da causa, e tampouco para a formação do livre convencimento da magistrado sentenciante, não há que se falar em necessidade de maior dilação probatória e nem do reconhecimento de cerceamento de defesa, pois a prova pretendida em nada iria comprovar além do que restou demonstrado pelos elementos constantes dos autos. .. Isso porque, como bem verificado em sentença, a autora não produz uma prova sequer sobre a iniciativa da apelada em promover a rescisão imotivada do ajuste. Ao contrário, os documentos trazidos aos autos somente não dão suporte a versão trazida pela demandante, como enfatizou o magistrado de primeira instância. Assim, a autora não logrou produzir prova que respaldasse o seu direito, pois não demonstrou a alegada denúncia do contrato, descumprindo com o seu ônus probatório. Sobre o tema, preleciona VICENTE GRECO FILHO ("Direito Processual Civil Brasileiro, 2º vol., 11ª edição, Ed. Saraiva, p. 204) que: .. Em síntese, se a autora não faz prova boa e cabal do fato constitutivo do seu direito a ação improcede, conforme dispõe o artigo 373, I, do Código de Processo Civil. Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o reexame da premissa fixada pela Corte de origem quanto à distribuição do ônus probatório das partes exigiria a incursão no acervo fático-probatório dos autos, o que não é possível em sede de recurso especial. Nesse sentido, o STJ já decidiu que "a alteração das conclusões adotadas pela instância ordinária, no que diz respeito ao ônus da prova, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ". (AgInt no AREsp 1.190.608/PI, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 24/4/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.606.233/SC, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp 1.060.371/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 17/8/2020; e REsp 1.812.278/CE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 29/10/2019. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.