AREsp 1834265 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial em razão de defeitos de admissibilidade: a) alegações genéricas sobre omissão nos termos do art. 1.022 do CPC sem indicação dos incisos contrariados atraem o óbice da Súmula 284/STF; b) a parte não demonstrou de forma direta e particularizada a violação dos...
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- Parties
- Agravante: INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, QUALIDADE E TECNOLOGIA - INMETRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 May 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial (decisão Sobre Admissibilidade)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Fundamentação Da Multa Administrativa, Prequestionamento, Aplicação De Súmulas (284 STF, 126 STJ, 211 Stj), Ônus Da Demonstração Específica De Ofensa a Dispositivos Legais
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, QUALIDADE E TECNOLOGIA - INMETRO
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial (decisão Sobre Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 alegada ofensa ao art. 1.022 do CPC por omissões do tribunal de origem
- 2 ausência de fundamentação na fixação do valor da multa administrativa (dosimetria)
- 3 necessidade de prequestionamento para recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial em razão de defeitos de admissibilidade: a) alegações genéricas sobre omissão nos termos do art. 1.022 do CPC sem indicação dos incisos contrariados atraem o óbice da Súmula 284/STF; b) a parte não demonstrou de forma direta e particularizada a violação dos dispositivos legais apontados, também atraindo a aplicação analógica da Súmula 284; c) o acórdão recorrido contém fundamento constitucional autônomo não atacado por recurso extraordinário, impondo o óbice da Súmula 126/STJ; e d) faltou prequestionamento de matéria não apreciada pelo tribunal de origem apesar de embargos de declaração, aplicando-se a Súmula 211/STJ. Em...
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Majo r o os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
- Publique-se.
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pelo INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, QUALIDADE E TECNOLOGIA - INMETRO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO, assim resumido: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA ADMINISTRATIVA. INMETRO. FIXAÇÃO DO VALOR. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. 1. Malgrado seja discricionária a gradação da multa, a cominação dessa pena acima do mínimo legalmente previsto, sem a devida motivação, configura vício de forma, passível de controle pelo Judiciário por envolver elemento vinculado do ato administrativo. 2. Sendo certo que a multa é cabível, ausente a devida motivação, resta mantida a sentença que determinou a redução do montante ao mínimo legal. Quanto à primeira controvérsia, alega violação do art. 1.022 do CPC, no que concerne às omissões perpetradas pela Corte de origem. Quanto à segunda controvérsia, alega violação do art. 3º da Lei n. 9.933/99; do art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784/99; e do art. 57 da Lei 8.078/90, no que concerne à necessidade de se oportunizar à administração pública a reconstituição do auto de infração com a devida fundamentação relativa ao valor da multa aplicada, segundo o princípio da discricionariedade, trazendo os seguintes argumentos: Como antes referido, a autuação em si não está atingida pela nulidade, uma vez que a conduta ilícita do executado é incontroversa. A alegada nulidade decorre, segundo o entendimento do juízo, da pretensa ausência de fundamentação na fixação do quantum. Ora, tendo o Legislador outorgado ao INMETRO o exercício de mensuração da penalidade, não é lícito ao Poder Judiciário, extrapolando a análise de legalidade e legitimidade, sob o equivocado pretexto de que ausente de fundamentação, imiscuir-se na atividade própria da Administração, para, segundo critérios desconhecidos, alterar o valor da multa. Assim, caso entenda efetivamente pela insuficiência da fundamentação, deveria o julgador oportunizar à administração a possibilidade de fundamentá-la, e não reduzi-la ao mínimo legal, imiscuindo-se indevidamente em atividade privativa do executivo. (fls. 153/154). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284 do STF, uma vez que a parte recorrente aponta violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (art. 535 do Código de Processo Civil de 1973), sem especificar, todavia, quais incisos foram contrariados, a despeito da indicação de omissão, contradição, obscuridade ou erro material. Nesse sentido: "É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 se faz de forma genérica, sem especificar quais foram os incisos violados. Aplica-se, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.530.183/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 19/12/2019.) Confira-se também o julgado: AgInt no AREsp n. 1.559.920/SE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 22/10/2020. Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284 do STF, uma vez que a parte recorrente não demonstrou, de forma direta, clara e particularizada, como o acórdão recorrido violou cada um dos dispositivos de lei federal apontados, o que atrai, por conseguinte, a aplicação do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A jurisprudência desta Corte considera que quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se, por analogia, o entendimento da Súmula n. 284, do Supremo Tribunal Federal. Em relação à afronta aos arts. 13 da Lei n. 10.559/2002 e 943 do Código Civil, verifica-se a ausência de demonstração precisa de como tal violação teria ocorrido, limitando-se a parte recorrente em apontá-la de forma vaga, o que impede o conhecimento do recurso especial". (AgInt no REsp n. 1.496.338/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 27/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.826.355/RN, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 4/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp n. 1.617.627/RJ, AgInt no AREsp n. 1.617.627/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg no REsp n. 1.690.449/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 5/12/2019; e AgRg no AREsp n. 1.562.482/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 28/11/2019. Ademais, o acórdão recorrido assim decidiu: Desta forma, quanto à penalidade de multa imposta à embargante, analisando os documentos juntados aos autos dos embargos, verifica-se que não houve adequada fundamentação quanto a sua dosimetria, não tendo sido abordado de forma efetiva os fatores e circunstâncias do artigo 9º, §§1º a 3º,da Lei 9.933/99. A autoridade limitou-se a estipular um valor aleatoriamente. Não haveria sequer como, sem essa abordagem expressa e clara, a empresa embargante fazer uma defesa administrativa ou mesma judicial adequada quanto ao valor da multa imposta, ignorando-se o que está disposto nos artigos 2º e 50, II e §1º, da Lei 9.784/99 e também no artigo 5º, LIV e LV, da Constituição da República. (fls. 121/122). Da análise dos autos, percebe-se que há fundamento constitucional autônomo no acórdão recorrido e não houve apresentação do devido recurso ao Supremo Tribunal Federal. Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 126 do STJ, uma vez que é imprescindível a interposição de recurso extraordinário quando o acórdão recorrido possui, além de fundamento infraconstitucional, fundamento de natureza constitucional suficiente por si só para a manutenção do julgado. Nesse sentido: " .. firmado o acórdão recorrido em fundamentos constitucional e infraconstitucional, cada um suficiente, por si só, para manter inalterada a decisão, é ônus da parte recorrente a interposição tanto do Recurso Especial quanto do Recurso Extraordinário. A existência de fundamento constitucional autônomo não atacado por meio de Recurso Extraordinário enseja aplicação do óbice contido na Súmula 126/STJ". (AgInt no AREsp 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: REsp 1.684.690/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe de 16/4/2019; AgRg no REsp 1.850.902/MT, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 29/6/2020; REsp 1.644.269/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, Dje de 7/8/2020; AgRg no REsp 1.855.895/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 23/6/2020; AgInt no AREsp 1.567.236/SC, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 4/6/2020; e AgInt no AREsp 1.627.369/PE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/6/2020. Além disso, incide o óbice da Súmula n. 211 do STJ, uma vez que a questão não foi examinada pela Corte de origem, a despeito da oposição de embargos de declaração. Assim, ausente o requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo - Súmula n. 211 - STJ". (AgRg no EREsp n. 1.138.634/RS, relator Ministro Aldir Passarinho Júnior, Corte Especial, DJe de 19/10/2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgRg nos EREsp n. 554.089/MG, relator Ministro Humberto Gomes de Barros, Corte Especial, DJ de 29/8/2005; AgInt no AREsp n. 1.264.021/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 1º/3/2019; REsp n. 1.771.637/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 4/2/2019; AgRg no AREsp 1.647.409/SC, relator Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 1º/7/2020; e AgRg no REsp n. 1.850.296/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 18/12/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.