AREsp 1783821 - DECISAO
Conheceu-se do agravo mas não se conheceu do recurso especial por deficiência de fundamentação: o recorrido não indicou de forma clara, precisa e congruente os dispositivos de lei federal supostamente violados nem demonstrou o dissídio jurisprudencial nos termos exigidos, razão pela qual incidiu, por analogia, a...
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- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE LUCAS DO RIO VERDE/MT
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 May 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Conhecido Do Agravo; Não Conhecido Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial; condeno o agravante ao pagamento de honorários advocatícios recursais
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prescrição Quinquenal, Diferenças Remuneratórias Por Conversão Da Moeda, Honorários Advocatícios Recursais, Súmulas E Enunciados
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Parties
MUNICÍPIO DE LUCAS DO RIO VERDE/MT
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Conhecido Do Agravo; Não Conhecido Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por fundamentação genérica (aplicação analógica da Súmula 284/STF)
- 2 necessidade de demonstração do dissídio jurisprudencial nos termos dos arts. 1.029, §1º, CPC e 255, §1º, RISTJ
- 3 aplicabilidade do art. 85, §11, do CPC/2015 e do Enunciado Administrativo nº 07 do STJ para fixação de honorários recursais
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo mas não se conheceu do recurso especial por deficiência de fundamentação: o recorrido não indicou de forma clara, precisa e congruente os dispositivos de lei federal supostamente violados nem demonstrou o dissídio jurisprudencial nos termos exigidos, razão pela qual incidiu, por analogia, a Súmula 284/STF; ademais, considerando-se a vigência do CPC/2015 e a não provimento do recurso, impôs-se a condenação em honorários recursais nos termos do art. 85, §11, do CPC/2015 e do Enunciado Administrativo nº 07 do STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial; condeno o agravante ao pagamento de honorários advocatícios recursais
Orders
- Condeno o agravante ao pagamento de honorários advocatícios recursais, na forma do art. 85, § 11, do CPC, em 10% sobre a verba honorária fixada pelo Tribunal de origem.
- Publique-se.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto pelo MUNICÍPIO DE LUCAS DO RIO VERDE/MT de decisão que inadmitiu na origem seu recurso especial, manifestado com fundamento no art. 105, III, c, da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, assim ementado (fls. 1.207/1.208): APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE COBRANÇA URV - PRESCRIÇÃO DO FUNDO DO DIREITO -PRELIMINAR AFASTADA -INCIDENCIA DA SUMULA 85 STJ- DIFERENÇA REMUNERATORIA -CONVERSÃO DE CRUZEIROS REAIS EMUNIDADE REAL DE VALOR - EXISTÊNCIA DE EFETIVA DEFASAGEM NA REMUNERAÇÃO - APURAÇÃO EM LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA POR ARBITRAMENTO - IMPOSSIBILIDADE DE PAGAMENTO A MAIOR OU EM DOBRO - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - CONSECTÁRIOS LEGAIS - RECURSO PROVIDO EM PARTE. - Nas demandas em. que se busca o reconhecimento de diferenças salariais advindas de errônea conversão da moeda, a prescrição atinge tão somente as parcelas anteriores aos 05 (cinco) anos que antecederam à data da propositura da ação, nos termos da Súmula n" 85 do STJ. Em liquidação de sentença, por arbitramento, deverá ser apurada a concreta existência desta defasagem, e, acaso existente, qual o percentual devido, refletindo a modalidade mais eficaz, na hipótese, o que afasta qualquer possibilidade de pagamento a maior ou em dobro. "(..) Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintesencargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% aomês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001,: (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E (,,)"(REsp 1495146/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgadoem 22/02/2018, DJe 02/03/2018) A esse acórdão foram opostos embargos de declaração, os quais restaram rejeitados (fls. 1.265/1.274). Sustenta a parte agravante, no recurso inadmitido, que: (a) posteriormente a conversão da moeda houve a reestruturação da carreira dos servidores, servindo esta de marco temporal da prescrição quinquenal, inexistindo, portanto, diferenças remuneratórias a serem adimplidas; (b) existência de precedentes jurisprudenciais em sentido idêntico à tese ora defendida; (c) a conversão da moeda não gerou diferenças remuneratórias em favor dos servidores, pois "realizada com o índice indicado para a data do pagamento efetivo, o que demonstra que não ocorreu perca no quantum remuneratório" (fl. 1.308); (d) os recorridos tomaram posse em suas respectivas funções em momento posterior à restruturação das carreiras, o que também afasta a possibilidade de defasagem remuneratória; (e) as perdas reclamadas devem ser aferidas por meio de perícia; (f) sobre as diferenças remuneratórias apuradas devem incidir juros moratórios na forma prevista no art. 1º-F da Lei 9.494/1994; (g) deves os honorários advocatícios de sucumbência ser fixados em percentual mínimo. Nas razões do agravo, aduz que os pressupostos de admissibilidade do recurso especial encontram-se presentes, repisando seus argumentos. Contraminuta às fls. 1.403/1.411. É O RELATÓRIO. PASSO À FUNDAMENTAÇÃO. Presentes os pressupostos de admissibilidade do agravo, examino o próprio recurso especial. Verifica-se que a parte recorrente deduziu suas teses como se o presente recursoapelação fosse, sem, contudo, indicar de forma clara, precisa e congruente os dispositivos de lei federal acerca dos quais haveria o alegado dissenso pretoriano, o que caracterizadeficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF, aplicada por analogia.Nesse sentido, cito os seguintes julgados: ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE ESGOTAMENTO DA INSTÂNCIA ORDINÁRIA. FUNDAMENTAÇÃO GENÉRICA DO APELO NOBRE. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 281 E 284/STF, POR ANALOGIA. 1. Como cediço, "o art. 105, III da Constituição Federal é taxativo ao preconizar que a competência desta Corte se cinge às causas decididas em única ou última instância pelos Tribunais ali referidos, exigindo, dessa forma, o esgotamento das vias ordinárias" (AgRg no Ag 1.233.603/RJ, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe 25/04/2013). 2. "Nos termos da jurisprudência do STJ, "não cabe recurso especial interposto diretamente contra decisão monocrática que rejeita os embargos de declaração, ainda que opostos contra acórdão do Tribunal." (AgInt nos EDcl no AREsp 141.844/SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 23/8/2016, DJe 30/8/2016)" (AREsp 1.165.699/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 01/02/2018). Incidência, por analogia, da Súmula 281/STF. 3. Limitando-se a parte agravante, em seu recurso especial, a tecer argumentação genérica como se apelação fosse, sem indicar de forma clara, precisa e congruente de que forma os vários dispositivos de lei federal citados teriam sido violados, incide na espécie a Súmula 284/STF, por analogia. Precedente: AgRg no REsp 1.196.326/DF, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, DJe 26/09/2014. 4. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1.570.635/RN, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe 24/8/2018) - Grifo nosso PROCESSUAL CIVIL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PROVA. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS VIOLADOS. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. 1. Ficou decidido pelo Tribunal de origem que "a prova documental entranhada é suficiente, por isto que a sentença atacada, tal qual proferida, diferentemente do que pretendem fazer crer os recorrentes, não porta vício atraente de nulidade. Tanto que os próprios autores, após a AIJ, suscitaram não haver mais provas a produzir, postulando pelo julgamento da lide" (fl. 365, e-STJ). 2. O entendimento pacificado nesta Corte é que a necessidade de produção de determinadas provas encontra-se submetida ao princípio do livre convencimento do juiz, diante das circunstâncias de cada caso. Desse modo, a revisão do posicionamento adotado pelo acórdão recorrido é inviável em sede de recurso especial, por necessário reexame do contexto fático-probatório dos autos, o que encontra o óbice da Súmula 7/STJ. Precedentes. 3. Em relação à alegada divergência jurisprudencial quanto à legitimidade dos avós para a busca do direito pleiteado, furtaram-se os recorrentes de indicar qual dispositivo de lei teve interpretação divergente àquela dada por outro tribunal e redigiram seu recurso como se apelação fosse, olvidando-se dos estreitos limites de cognição do apelo especial que examina a possível ofensa à legislação federal. Incidência analógica da Súmula 284/STF. Precedentes. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 782.171/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 24/11/2015) - Grifo nosso Com efeito, na forma da jurisprudência desta Corte, "o Recurso Especial, de fundamentação vinculada, exige a indicação do dispositivo legal que teria sido violado ou objeto de interpretação divergente e a exposição, de forma clara e individualizada, das razões de reforma do acórdão recorrido, sob pena de incidência, por analogia, da Súmula 284/STF" (AgInt no REsp 1.846.621/MA, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, DJe 11/12/2020). Acrescenta-se, outrossim, queo dissídio jurisprudencial não foi demonstrado na forma exigida pelos arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, § 1º, do RISTJ. Com efeito, a parte recorrente não procedeu ao necessário cotejo analítico entre os julgados, deixando de evidenciar o ponto em que os acórdãos confrontados, diante da mesma base fática, teriam adotado a alegada solução jurídica diversa. Por fim, a teor do Enunciado Administrativo nº 07 do Superior Tribunal de Justiça: "Somente nos recursos interpostos contra decisão publicada a partir de 18 de março de 2016, será possível o arbitramento de honorários recursais, na forma do art. 85, § 11, do novo CPC". Logo, considerando-se que o acórdão recorrido foi prolatado já na vigência do CPC/2015 e, outrossim, tendo em vista o não acolhimento da pretensão recursal da parte ora recorrente, é cabível a condenação desta em honorários advocatícios recursais, na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 E 7/STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIO NO JULGADO. OCORRÊNCIA. SUPRESSÃO. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA RECURSAL. ART. 85, § 11, DO CPC/2015. FIXAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. 1. Tendo em vista o disposto no art. 85, § 11, do CPC/2015, c/c o Enunciado Administrativo nº 7/STJ ("Somente nos recursos interpostos contra decisão publicada a partir de 18 de março de 2016 será possível o arbitramento de honorários sucumbenciais recursais, na forma do art. 85, § 11, do NCPC") e o trabalho adicional realizado em grau recursal, impõe-se a fixação dos honorários advocatícios a título de sucumbência recursal. 2. Embargos de declaração acolhidos. (EDcl no AREsp 1.679.208/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURM A, DJe 3/12/2020) ANTE O EXPOSTO, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Condeno a parte recorrente ao pagamento de honorários advocatícios recursais arbitrados, com fundamento no art. 85, § 11, do CPC, em 10% sobre a verba honorária fixada pelo Tribunal de origem. Publique-se.