AREsp 714150 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal a quo fundamentou adequadamente a necessidade de produção de prova pericial em razão de matéria fática e técnica, os autores foram oportunizados a produzir a prova técnica e permaneceram inertes, havendo preclusão e insuficiência...
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- Parties
- Agravante/recorrente: ODETE DE OLIVEIRA PLAÇA e OUTROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão (conhecimento E Negativa De Provimento Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Ônus Da Prova, Prova Pericial, Preclusão Por Inércia Na Produção De Prova, Aplicação De Súmulas (283, 284 Do Stf; 5 E 7 Do Stj), Reajuste De Prestações No Sistema Financeiro De Habitação
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Parties
ODETE DE OLIVEIRA PLAÇA e OUTROS
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo / Decisão (conhecimento E Negativa De Provimento Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 violação alegada dos arts. 130, 302, 334, 458, I e II, 515, §1º e 535 do CPC/1973
- 2 necessidade de produção de prova pericial (art.130 CPC)
- 3 ônus da prova do autor (art.333, I, CPC/1973)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal a quo fundamentou adequadamente a necessidade de produção de prova pericial em razão de matéria fática e técnica, os autores foram oportunizados a produzir a prova técnica e permaneceram inertes, havendo preclusão e insuficiência probatória para demonstrar a quebra da equivalência salarial; ademais, as razões recursais mostraram-se dissociadas dos fundamentos centrais do acórdão recorrido, atraindo os óbices das Súmulas 283 e 284 do STF e impedindo o reexame de provas nos termos das Súmulas 5 e 7 do STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
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DECISÃO Trata-se de agravo contra decisão que inadmitiu recurso especial interposto por ODETE DE OLIVEIRA PLAÇA e OUTROS, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do eg.Tribunal Regional Federal da Terceira Região, assim ementado: "AGRAVO LEGAL. ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSOCIVIL. PODERES DO RELATOR DO RECURSO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO. I- O Código de Processo Civil atribui poderes ao Relator paranegarseguimentoarecursomanifestamenteinadmissível,improcedente, prejudicado ou em confronto com súmula ou jurisprudência dominante do respectivo Tribunal, do Supremo Tribunal Federal ou de Tribunal Superior, bem como para dar provimento ao recurso interposto quando o ato judicial recorrido estiver em manifesto confronto com súmula ou jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal ou de Tribunal Superior. II - Hipótese dos autos em que a decisão agravada observou os critérios anteriormente expostos e a parte agravante não refuta a subsunção do caso ao entendimento firmado, limitando-se a questionar a orientação adotada, já sedimentada nos precedentes mencionados por ocasião da aplicação da disciplina do artigo 557do Código de Processo Civil. III - Agravos legais desprovidos." (fl. 2864) Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 2881/2888 e 2912/2920). Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta violação dos arts. 130, 302, 334, 458, incisos I e II, 515, § 1º, e 535 do Código de Processo Civil de 1973, sustentando, em síntese: (a) negativa de prestação jurisdicional;(b) "Entendendo o magistrado ser necessária a produção de outras provas para a sua satisfação, deveria ter requisitado nos termos do artigo 130 do Código de Processo Civil a realização de perícia, apesar de totalmente desnecessária" (fl. 2982) Apresentadas contrarrazões às fls. 2997/3001. É o relatório. O presente recurso será examinado à luz do Enunciado 2 do Plenário do STJ: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas, até então, pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça". Inicialmente, Não se vislumbra a alegada violação aos arts.458, incisos I e II, 515, § 1º, e 535 do Código de Processo Civil de 1973, na medida em que a eg. Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, manifestando-se expressamente acerca dos temas necessários à integral solução da lide, conforme se verá adiante. Impende ressaltar que "se os fundamentos do acórdão recorrido não se mostram suficientes ou corretos na opinião do recorrente, não quer dizer que eles não existam. Não se pode confundir ausência de motivação com fundamentação contrária aos interesses da parte" (AgRg no Ag 56.745/SP, Relator o eminente Ministro CESAR ASFOR ROCHA, DJ de 12.12.1994). Nas razões do recurso especial, a parte recorrente alega que " .. como os recorridos não apresentaram impugnação aos cálculos e índices apresentados na inicial, estes fatos deveriam ser considerados como verossímeis", assim, "Entendendo o magistrado ser necessária a produção de outras provas para a sua satisfação, deveria ter requisitado nos termos do artigo 130 do Código de Processo Civil a realização de perícia, apesar de totalmente desnecessária" (fl. 2982). Contudo, consoante se extrai doa autos, o Tribunal a quo manteve a decisão monocrática que concluiupela necessidade de produção de prova pericial, consignandoque os documentos produzidos unilateralmente pela parte recorrente não se prestam a comprovar o direito perseguido e o magistrado não detinha o conhecimento técnico necessário para a análise dos documentos, contudo quando oportunizada a produção da prova técnica, quedaram-se inertes, razão pela qual o direito de comprovar o fato constitutivo de seu direito precluiu. É o que se extrai do seguinte trecho do acórdão recorrido: "REAJUSTE DAS MENSALIDADES PELO SISTEMA PES-PRODUÇÃO DE PROVAS - PRECLUSÃO Cumpre anotar que o Sistema Financeiro da Habitação é um modelo institucional criado para atender ao princípio constitucional do direito à moradia aos menos favorecidos. Dentre os modelos contratuais, foi autorizada a opção pela cláusula do Plano de Equivalência Salarial, que, em linhas gerais, consiste na previsão da fórmula do reajuste das prestações, que o limita ao comprometimento da renda do mutuário, não podendo a aplicação da correção monetária superar o aumento salarial obtido pela categoria profissional a que pertence. Todavia, este modelo de contrato não importaria na quitação com o mero pagamento do número de prestações avençado, cujo valor não poderia exceder o comprometimento da renda, motivo este que a correção monetária com índices estabelecidos pelos órgãos competentes não viola a equivalência salarial, já que, ao final, poderá haver saldo devedor a ser quitado. De outro pólo, caso a aplicação do índice supere o aumento salarial obtido pelo mutuário, este pode se valer da revisão administrativa, perante a instituição financeira, munido de comprovante da sua renda, para reajustar a prestação aos limites da equivalência salarial. A questão, portanto, é nitidamente de fato, que envolve cálculos aritméticos, mediante a aplicação dos índices de correção monetária em comparação com o aumento salarial, implicando, assim, na produção de prova técnica. Como o autores optaram pela revisão perante o Judiciário, aplica-se, ao caso, as regras do art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, in verbis: "art. 333 - O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quando ao fato constitutivo de direito." Assim, não basta a mera juntada de documentos e cálculos elaborados unilateralmente pelos requerentes, para comprovação do fato, além de que, o magistrado, na grande maioria das vezes, não tem conhecimento técnico para analisar o conjunto das provas, como pretende o autor. (..) No presente caso, a r. sentença merece ser mantida, considerando que os autores não lograram comprovar eventual quebra na equivalência salarial, haja vista que quando instados a se manifestarem sobre o prosseguimento do feito, sendo oportunizada a produção da referida prova pelo Juízo a quo (fls.1.522), os mesmos quedaram-se inertes, conforme certidão de fls. 1.539, deixando, portanto, de comprovar o fato constitutivo de seu direito, a teor do art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, sendo insuficiente a mera análise dos documentos acostados na inicial." (fls. 2774/2776, g.n.) Dessa forma, há de se concluir que as razões recursais são dissociadas do conteúdo do acórdão recorrido e não têm o poder de infirmá-lo, porquanto os fundamentos autônomos e suficientes à manutenção do aresto, no ponto, mantiveram-se inatacados e incólumes nas razões do recurso especial, convocando, na hipótese, a incidência das Súmulas 283 e 284 do STF. Nesse sentido: "CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. PLANO COLETIVO DE SAÚDE. MAJORAÇÃO ANUAL DA MENSALIDADE. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DO AUMENTO DE INSUMOS E SERVIÇOS. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA Nº 283 DO STF. REAJUSTE EM VIRTUDE DA ALTA SINISTRALIDADE. FUNDAMENTOS RECURSAIS DISSOCIADOS DO ARESTO COMBATIDO. SÚMULA Nº 284 DO STF. AUSÊNCIA DE PROVA QUE JUSTIFICASSE O AUMENTO. REVISÃO VEDADA NA VIA ESPECIAL. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS NºS 5 E 7, AMBAS DO STJ. DECISÃO MANTIDA. RECURSO MANIFESTAMENTE INADMISSÍVEL. INCIDÊNCIA DA MULTA DO ART. 1.021, § 4º, DO NCPC. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Agravo interno interposto contra decisão publicada na vigência do novo Código de Processo Civil, razão pela qual devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista, nos termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A subsistência de fundamentos inatacados impede a admissão da pretensão recursal, a teor do entendimento da Súmula nº 283 do STF, e a dissociação das razões recursais daquilo que ficou decidido pelo eg. Tribunal de origem obstaculiza a análise do objeto recursal, a teor da Súmula nº 284 do STF. 3. Qualquer outra apreciação acerca da ilegalidade do aumento da mensalidade do plano de saúde por sinistralidade, da forma como trazida no recurso especial, implicaria o necessário revolvimento do arcabouço fático-probatório, procedimento sabidamente aqui inviável diante do óbice das Súmulas nºs 5 e 7, ambas do STJ. 4. Em virtude do não provimento do presente recurso, e da anterior advertência em relação a aplicação do NCPC, incide ao caso a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do NCPC, no percentual de 3% sobre o valor atualizado da causa, ficando a interposição de qualquer outro recurso condicionada ao depósito da respectiva quantia, nos termos do § 5º daquele artigo de lei. 5. Agravo interno não provido, com imposição de multa." (AgInt no REsp 1708718/SP, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 30/09/2019, DJe 03/10/2019, g..n.) "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL SOBRE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. FALTA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL DE INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 283 E 284 DO STF. COMPETÊNCIA DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL. SÚMULAS 7 E 83 DO STJ. 1. A ausência de indicação do dispositivo legal a que se tenha dado interpretação divergente atrai o óbice previsto na Súmula 284/STF, por deficiência de fundamentação do recurso especial a impedir a exata compreensão da controvérsia. 2. A matéria referente à incompetência absoluta da justiça federal não foi apreciada pelo Tribunal de origem, carecendo do indispensável prequestionamento. 3. Ademais, a falta de impugnação objetiva e direta ao fundamento central da Corte local em não conhecer da matéria denota a deficiência da fundamentação recursal que se apegou a considerações secundárias e que de fato não constituíram objeto de decisão, a fazer incidir as Súmulas 283 e 284 do STF. 4. A competência dos juizados especiais é fixada com base no valor da causa considerando o litisconsórcio ativo. Precedentes. 5. O exame da pretensão recursal de reforma do v. acórdão recorrido exigiria a alteração das premissas fático-probatórias estabelecidas pelo acórdão, o que é vedado em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 6. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp 1463911/PR, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 19/09/2019, DJe 24/09/2019, g.n.) "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA POSSE COM ANIMUS DOMINI (POSSE AD USUCAPIONEM). FUNDAMENTOS DO ESPECIAL DISSOCIADOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. SUMULAS 283 E 284 DO STF. DESCONSTITUIÇÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DECISÃO MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Estando as razões do recurso especial dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido, não havendo, portanto, impugnação do decisum, tem incidência as Súmulas 283 e 284 do STF. (..)" (AgRg no AREsp 699.369/DF, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 13/11/2015, g.n.) Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "b", do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se.