AREsp 2489746 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial, por ser incabível ao STJ apreciar matéria constitucional (art. 5º da CF) e por ausência de prequestionamento dos dispositivos federais apontados (arts. 506, 513 e 790 do CPC/2015), sendo aplicáveis os óbices da Súmula n. 7 do STJ e da Súmula n. 282 do STF.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: DEBORA ZICARDI RUFINO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Gratuidade Judiciária, Prequestionamento, Súmula 7 Do STJ, Competência Do STF
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Parties
DEBORA ZICARDI RUFINO
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 admissibilidade de recurso especial por alegada violação do art. 5º da CF
- 2 prequestionamento dos dispositivos do CPC (arts. 506, 513 e 790)
- 3 incidência da Súmula n. 7 do STJ quanto ao reexame de provas
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial, por ser incabível ao STJ apreciar matéria constitucional (art. 5º da CF) e por ausência de prequestionamento dos dispositivos federais apontados (arts. 506, 513 e 790 do CPC/2015), sendo aplicáveis os óbices da Súmula n. 7 do STJ e da Súmula n. 282 do STF.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra decisão que não admitiu recurso especial apresentado por DEBORA ZICARDI RUFINO, com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, desafiando acórdão assim ementado (e-STJ, fl. 32): "AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL. Benefício da gratuidade judiciária. Questão encontra-se subjudice. Inviável um pronunciamento desta Colenda Corte. Legitimidade passiva da agravante. Inclusão ocorreu por força de decisão proferida em agravo de instrumento. Via inidônea para sua modificação. RECURSO NÃO CONHECIDO." A recorrente alegou, nas razões do recurso especial (e-STJ, fls. 36-47), a violação dos arts. 5º da Constituição Federal; e 506, 513 e 790 do Código de Processo Civil de 2015. Sustentou, em síntese, que "descabe a negativa de conhecimento do recurso, Agravo de Instrumento, sob o fundamento que ainda estava pendente de manifestação pelo juízo de primeiro grau", aduzindo que "além de acompanhar no recurso interposto novo pedido de gratuidade da justiça com respetivos documentos juntados para comprovação, a Recorrente não pode ficar a mercê da apreciação do juízo originário para possa realizar a interposição dos recursos cabíveis"; e a ausência de título executivo contra a recorrente, uma vez que não figurou como parte na ação monitória. Foram apresentadas contrarrazões (e-STJ, fls. 50-60). O Tribunal de origem não admitiu o processamento do recurso especial ante a impossibilidade de análise de matéria constitucional por meio de recurso especial; e a ausência de prequestionamento dos dispositivos apontados (e-STJ, fls. 61-62). É o relatório. Decido. Primeiro, destaca-se não ser cabível recurso especial por violação do art. 5º da CF, pois, por se tratar de norma constitucional, a análise é de competência do col. Supremo Tribunal Federal Corrobora esse entendimento o seguinte julgado: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DECLARATÓRIA CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. OCORRÊNCIA. PRETENSÃO RECURSAL QUE ENVOLVE O REEXAME DE PROVAS. INVIABILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.º 7 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO NOS MOLDES LEGAIS. PLEITO DE ANÁLISE DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. DESCABIMENTO. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo n.º 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A alteração das conclusões do acórdão recorrido exige reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que faz incidir o óbice da Súmula n.º 7 do STJ. 3. A jurisprudência do STJ firmou o posicionamento de que não é possível o conhecimento do apelo nobre interposto pela divergência, na hipótese em que o dissídio é apoiado em fatos, e não na interpretação da lei. Isso porque a Súmula n.º 7 do STJ também se aplica aos recursos especiais interpostos pela alínea c do permissivo constitucional. 4. Consoante disposto no art. 105 da Carta Magna, o Superior Tribunal de Justiça não é competente para se manifestar sobre suposta violação de dispositivo constitucional, nem mesmo a título de prequestionamento. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.156.317/CE, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 10/10/2022, DJe de 13/10/2022 - sem grifo no original). Além disso , o Tribunal de origem não emitiu juízo de valor acerca dos dispositivos 506, 513 e 790 do Código de Processo Civil de 2015. Ademais, constata-se que não foram opostos embargos de declaração com o intuito de provocar o juízo a quo a se manifestar sobre o referido tema. Dessa forma, constatada a ausência de prequestionamento incide no caso o óbice da Súmula n. 282/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada". Nesse sentido: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL. INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS. POSTAGENS OFENSIVAS. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA N. 837 DO STF. DISTINÇÃO FÁTICA. DETERMINAÇÃO DE SUSPENSÃO DE PROCESSOS SOBRE O MESMO TEMA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. PREQUESTIONAMENTO IMPLÍCITO. NÃO VERIFICAÇÃO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. ANIMUS DIFAMANDI. REEXAME. NECESSIDADE DE VERIFICAÇÃO DAS PROVAS DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIDO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não autoriza a suspensão de julgamento de recurso especial que não tem identidade fática com aquela tratada em recurso extraordinário em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria, in casu, por meio da afetação do Tema n. 837, no RE n. 662.055/SP. Precedente. 2. O prequestionamento significa a prévia manifestação do tribunal de origem, com emissão de juízo de valor, acerca da matéria referente ao dispositivo de lei federal apontado como violado. Trata-se de requisito constitucional indispensável para o acesso à instância especial. 3. A ausência de enfrentamento da questão objeto da controvérsia impede o acesso à instância especial e o conhecimento do recurso especial, nos termos das Súmulas n. 282 e 356 do STF. 4. Aplica-se a Súmula n. 7 do STJ na hipótese em que o acolhimento da tese defendida no recurso especial reclama a análise dos elementos probatórios produzidos ao longo da demanda. A incidência de referido óbice quanto à interposição pela alínea a do permissivo constitucional obsta igualmente o conhecimento do apelo extremo pela divergência jurisprudencial sobre a mesma questão. 5 . Agravo interno desprovido." (AgInt no AREsp n. 2.182.270/RS, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023 - sem grifo no original). Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. EMENTA