AREsp 2812351 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o pedido de absolvição por insuficiência probatória exigiria o reexame do conjunto fático-probatório, vedado pela Súmula 7/STJ; além disso, a condenação estava lastreada em provas extrajudiciais corroboradas por depoimento policial e pelo...
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- Parties
- Agravante: CLEMILSON DOS SANTOS SANTOS; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial (conhecido O Agravo; Não Conhecido O Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Insuficiência Probatória, Súmula 7/stj, Roubo (art. 157, §2º, II, Cp), Valoração De Provas Extrajudiciais E Depoimento Policial
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Parties
CLEMILSON DOS SANTOS SANTOS
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial (conhecido O Agravo; Não Conhecido O Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 incidência da Súmula 7/STJ e vedação ao reexame de matéria fático-probatória
- 2 possibilidade de utilização de provas colhidas na fase inquisitorial desde que corroboradas por provas em juízo
- 3 alegação de insuficiência probatória nos termos do art. 386, VII, CPP
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o pedido de absolvição por insuficiência probatória exigiria o reexame do conjunto fático-probatório, vedado pela Súmula 7/STJ; além disso, a condenação estava lastreada em provas extrajudiciais corroboradas por depoimento policial e pelo reconhecimento da ocorrência de grave ameaça (uso de faca).
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por CLEMILSON DOS SANTOS SANTOS contra a decisão que não admitiu recurso especial fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, no qual desafia acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ, assim ementado (e-STJ fl. 162): APELAÇÃO CRIMINAL. ARTIGO 157, §2º, INCISO II, DO CÓDIGO PENAL. ABSOLVIÇÃO. IMPROVIMENTO. RELATO EXTRAJUDICIAL DA VÍTIMIA CORROBORADO PELO DEPOIMENTO JUDICIAL DO POLICIAL QUE REALIZOU A PRISÃO EM FLAGRANTE DO RÉU E SEU COMPARSA. DESCLASSIFICAÇÃO PARA FURTO. NÃO ACOLHIMENTO. GRAVE AMEAÇA EXERCIDA PELA FACA. CONHECIMENTO E IMPROVIMENTO. DECISÃO UNÂNIME. O agravante foi condenado às penas de 05 (cinco) anos e 04 (quatro) de reclusão, em regime semiaberto, mais 13 (treze) dias-multa, pela prática delitiva prevista no art. 57, § 2º, II do Código Penal (e-STJ fls. 110-117). O Tribunal de origem negou provimento ao recurso da Defesa (e-STJ fls. 162-168). Nas razões do recurso especial a parte alega violação aos arts. 386, VII do Código de Processo Penal, ao argumento, em síntese, de insuficiência probatória. Requer o provimento do recurso para que seja absolvido (e-STJ fls. 178-182). Contrarrazões apresentadas às e-STJ fls. 184-191. O Tribunal a quo inadmitiu o apelo especial por incidência da Súmula n. 7/STJ (e-STJ fls. 192-195), fundamento contra o qual se insurge a parte agravante (e-STJ fls. 197-201). Parecer do Ministério Público Federal pelo não provimento do agravo em recurso especial (e-STJ fls. 230-232 ). É o relatório. DECIDO. Preenchidos os requisitos formais e impugnado o fundamento da decisão agravada, conheço do agravo e passo ao exame do recurso especial. Para melhor elucidação da controvérsia, necessário transcrever a fundamentação utilizada pelo Tribunal estadual acerca da alegada insuficiência probatória (e-STJ fls. 170-173 ): (..) Constato, assim, que o magistrado formou seu convencimento pela condenação doa quo apelante, a partir da minuciosa e coerente análise: - Dos documentos constantes na fase extrajudicial: a) auto de apresentação e apreensão do bem (Num. 13376621 - Pág. 9), que atesta que foi apreendido com o réu dois celulares; b) auto de entrega dos aparelhos às vítimas (Num. 13376622 - Pág. 1). c) do relato das vítimas (Num. 13376621 - Págs. 6 a 7), narrando que foram abordados por dois elementos, armados com faca, que anunciaram o assaltam e lhe subtraíram os seus celulares; - Corroborados pelo depoimento judicial do policial que realizou a prisão em flagrante do réu, encontrando-o na posse da e de uma faca, o qual informou que foram acionados da ocorrência, eres furtiva ao chegarem no local dos fatos, transeuntes indicaram a direção para onde os meliantes haviam fugido (mídia constante na Num.13376638). Tudo leva à verificação da materialidade e da autoria do delito, inclusive à majorante deste - concurso de pessoas. Ressalta-se que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que é possível a utilização das provas colhidas durante a fase inquisitorial para lastrear o édito condenatório, desde que corroboradas por outras colhidas em juízo (AgRg no AR Esp 1779968/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 16/03/2021, DJe 23/03/2021), como ocorreu na espécie. Importante acrescentar que a grave ameaça, inerente ao delito de roubo, pode ser empregada até mesmo de forma velada, evidenciando-se pelo temor causado à vítima para impedir sua reação durante o ato (AgRg no HC n. 597.225/SC, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quinta Turma, julgado em 16/11/2021, DJe de 22/11/2021). In casu, a grave ameça se perpetrou pelo uso da faca (AgRg no HC n. 743.861/MS, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Quinta Turma, julgado em 21/6/2022, D Je de 29/6/2022.), não merecendo prosperar o pleito desclassificatório. Outrossim, em que pese à negativa de autoria do apelante, as provas dos autos são uníssonas no sentido de atribuir-lhe à prática do crime, não havendo como reconhecer a tese de absolvição do réu, eis que a palavra da vítima desfruta de credibilidade e está em harmonia com os demais elementos probatórios. Destaco que o testemunho do policial que efetuou a prisão do ora apelante mostra-se de modo geral seguro, imparcial e coerente ao narrado na denúncia; sem falar que a defesa, em momento algum, demonstrou a imprestabilidade correlata. Remanesce, por conseguinte, idôneo. Esclareço que o depoimento prestado por policial é revestido de validade e credibilidade, pois além de ostentar fé pública, na medida em que provém de agente público no exercício de sua função, fora prestado mediante compromisso legal. (..) Nesse contexto, respeitado está o teor do artigo 155, , do Código de Processo Penal, caput in verbis: Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. (..) Logo, mácula alguma se identifica aí; o que enseja a conclusão pela improcedência de tal alegação recursal. Da leitura do excerto transcrito infere-se incidir o óbice da Súmula n. 7/STJ. Tal asserção deve-se à máxima de que, a revisão das premissas assentadas perante o Tribunal de origem - sobre a autoria e materialidade - demandaria reexame do acervo fático-probatório, procedimento que encontra óbice na Súmula n. 7/STJ. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECEPTAÇÃO. ABSOLVIÇÃO. ATIPICIDADE DA CONDUTA. DOLO. ÔNUS DA PROVA. REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7. PENA INFERIOR A 4 ANOS. REINCIDÊNCIA. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. REGIME INICIAL SEMIABERTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA 83. DESPROPORCIONALIDADE DA PENA. PRECEDENTES DO STF. AUSÊNCIA DE SIMILARIDADE COM O CASO EM ANÁLISE. I - Conquanto a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça admita a discussão sobre a definição jurídica dada aos fatos incontroversos e expressamente reconhecidos pela instância de origem, incumbe à parte demonstrar, de forma cuidadosa, que os fatos, tal qual descritos no acórdão recorrido, reclamam solução jurídica diversa daquela que fora aplicada pelo julgador, não bastando mera alegação de que o recurso especial visa ao reenquadramento jurídico dos fatos. Precedentes. II - No caso, a defesa sustenta que o réu exercia a profissão de mototaxista, tendo sido condenado por transportar mercadoria a pedido de cliente, sem ter exigido previamente a nota fiscal do objeto a ser transportado. Todavia, essa versão dos fatos foi expressamente rejeitada pelo Tribunal de origem, sendo inviável o acolhimento da tese absolutória sem o revolvimento de fatos e provas, motivo pelo qual incide o óbice da Súmula 7 do STJ. III - É possível a inserção do condenado em regime inicial semiaberto, a despeito de a pena definitiva ter sido fixada em patamar inferior a 4 anos, na hipótese de o agente ser reincidente e as circunstâncias judiciais serem desfavoráveis, tudo em conformidade com o disposto no art. 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal. Precedentes. IV - Aplica-se a Súmula 83 do STJ aos recursos especiais interpostos com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal. Precedentes. V - Inviável a aplicação de precedentes do Supremo Tribunal Federal que debatem a proporcionalidade do agravamento do regime inicial em situações de furtos de pequeno valor. Isso porque, no caso sob exame, além de se tratar de crime distinto (receptação), a res furtiva consistia em equipamento profissional de som avaliado em cerca de R$7.000,00 (sete mil reais) e cuja subtração colocou em risco o funcionamento de uma casa de shows. Agravo regimental desprovido. (AgRg nos EDcl no AREsp n. 2.056.991/RJ, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 16/5/2023, DJe de 19/5/2023, grifamos). PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL CONHECIDO PARA CONHECER DO ESPECIAL E NEGAR-LHE PROVIMENTO. FURTO QUALIFICADO MEDIANTE FRAUDE. ABSOLVIÇÃO OU DESCLASSIFICAÇÃO PARA ESTELIONATO. SÚMULA 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICA E PROBATÓRIA. DECISÃO AGRAVADA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. AGRAVO DESPROVIDO. 1. O furto mediante fraude não se confunde com o estelionato. A distinção se faz primordialmente com a análise do elemento comum da fraude que, no furto, é utilizada pelo agente com o fim de burlar a vigilância da vítima que, desatenta, tem seu bem subtraído, sem que se aperceba; no estelionato, a fraude é usada como meio de obter o consentimento da vítima que, iludida, entrega voluntariamente o bem ao agente. (REsp n. 1.412.971/PE, relatora Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 7/11/2013, DJe de 25/11/2013). 1.1. O acolhimento da argumentação da defesa, que, em outros termos, sustenta, ao fim e ao cabo, a absolvição por fragilidade probatória, ou a desclassificação da conduta do crime de furto qualificado tentado para o delito estelionato tentado, implica no reexame aprofundado de todo o acervo fático-probatório, providência que implica o necessário o revolvimento fático-probatório, vedado conforme Súmula n. 7 do STJ. 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AgRg no AREsp n. 2.026.865/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 15/8/2022, grifamos). Ademais, De acordo com a jurisprudência pacificada neste Superior Tribunal de Justiça, em se tratando de delitos contra o patrimônio, é assente que a palavra da vítima, desde que amparada em outras provas produzidas em juízo, assume relevância probatória diferenciada e deve, inclusive, prevalecer sobre as demais versões existentes nos autos. (AgRg no AREsp n. 2.315.553/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 19/9/2023, DJe de 25/9/2023). Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA