AREsp 2773971 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a agravante não indicou o dispositivo de lei federal supostamente violado, havendo deficiência de fundamentação que impõe a aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF.
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- Parties
- Agravante: BRUNA BENITTES DE DEUS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade; Agravo Conhecido Para Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284/stf, Transferência De Aluno Entre Instituições De Ensino, Lei 9.536/1997
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Parties
BRUNA BENITTES DE DEUS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade; Agravo Conhecido Para Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Ausência de indicação de dispositivo de lei federal violado no recurso especial
- 2 Aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF em razão de fundamentação deficiente
- 3 Requisitos para transferência de aluno por remoção de servidor público nos termos da Lei 9.536/1997
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a agravante não indicou o dispositivo de lei federal supostamente violado, havendo deficiência de fundamentação que impõe a aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra a decisão que inadmitiu o recurso especial no qual o BRUNA BENITTES DE DEUS insurgira-se, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a" e "c", da Constituição Federal, contra o acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO assim ementado (fls. 435/436): ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. ENSINO SUPERIOR. TRANSFERÊNCIA DE UNIVERSIDADE. ACOMPANHAMENTO DE GENITOR, SERVIDOR PÚBLICO MILITAR. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA DE REMOÇÃO EX OFFICIO E CONGENERIDADE ENTRE AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO. APELAÇÃO IMPROVIDA. - Cinge-se a controvérsia no direito da impetrante de transferência e matrícula definitiva para o curso de Medicina ministrado pela UFGD - Universidade Federal da Grande Dourados. - Informa a impetrante que é filha e dependente de militar do Exército Brasileiro e ingressou como estudante de Medicina no Centro Universitário INTA - UNINTA no município de Itapipoca - CE onde residia, mas, tendo em vista a transferência ex de seu pai para Ponta Porã/MS, solicitou a transferência definitiva para a officio UFGD - Universidade Federal da Grande Dourados. - Acerca da matéria, o E. Supremo Tribunal Federal firmou orientação no sentido de que a: "constitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 9.536/97, viabilizador da transferência de alunos, pressupõe a observância da natureza jurídica do estabelecimento educacional de origem, a congeneridade das instituições envolvidas - de privada para privada, de pública para pública -, mostrando-se inconstitucional interpretação que resulte na mesclagem - de privada para pública" (ADI 3324/DF, Relator Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, j. 16/12/2004, DJ 05/08/2005). - O art. 1º da Lei 9.536/1997 exige, para que se proceda à transferência entre instituições de ensino superior, na hipótese de remoção de servidor público no interesse da Administração, o cumprimento de três requisitos cumulativos: a) comprovação da remoção, com mudança de domicílio; b) qualidade de ex officio estudante do servidor (civil ou militar) ou de dependente seu; e c) congeneridade entre as duas instituições envolvidas, de acordo com o entendimento firmado na ADI 3.324/DF. - No caso concreto não há comprovação inequívoca de que a impetrante cumpriu os três requisitos. - Apelação improvida. Agravo interno prejudicado. Nas razões de seu recurso especial (fls. 450/467), a parte agravante alega a não observância às regras das Leis ns º 9.394/96 e 9.536/97, bem como divergência jurisprudencial. Defende que "o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal não têm essa função de reexaminar fatos e provas, mas sim agir em face de sua violação expressa da legislação" (fl. 452). Destaca que a decisão recorrida contrariou entendimento pacificado desta Corte, como também do Supremo Tribunal Federal (fls. 454/455). Requer o provimento do recurso especial. Foram apresentadas contrarrazões às fls.475/478. Sobreveio o juízo de admissibilidade negativo, razão pela qual foi interposto o agravo em recurso especial ora em análise. É o relatório. A insurgência não merece prosperar. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do agravo, passo à análise do recurso especial. De fato, no que toca à interposição pela alínea "a" do permissivo constitucional, nota-se que a agravante não aponta em seu apelo nobre expressamente quais normas infraconstitucionais teriam sido contrariadas, não evidenciando, assim, os motivos que fundamentariam sua irresignação. Acrescente-se, ainda, que "a simples menção a normas infraconstitucionais, feita de maneira esparsa e assistemática no corpo das razões do recurso especial, não supre a exigência de fundamentação adequada do apelo especial". (AgInt no AREsp n. 1.928.578/SP, rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 28/3/2022) Dessarte, incide, in casu, o enunciado 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, verbis: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N. 284/STF. JUROS MORATÓRIO. TERMO INICIAL. CITAÇÃO VÁLIDA. SÚMULA 204/STJ. ÍNDICES. TEMA 905/STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 111/STJ. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. (..) II - Quando não há a indicação de dispositivo de lei federal violado ou a sua mera citação desacompanhada da demonstração efetiva da alegada contrariedade, aplica-se, por analogia, o entendimento da Súmula n. 284, do Supremo Tribunal Federal. (..) X - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.121.376/SP, rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 26/6/2024) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. NÃO INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DE LEI VIOLADOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.º 284 DO STF, POR ANALOGIA. EMBARGOS DE TERCEIRO. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. CAUSALIDADE. RESISTÊNCIA. CONDENAÇÃO MANTIDA. PRECEDENTES. PLEITO DE ANÁLISE DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. DESCABIMENTO. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n.º 284 do STF. (..) 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.425.182/SP, rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 22/8/2024) Fica prejudicada a análise da divergência jurisprudencial quando a tese sustentada já foi afastada no exame do Recurso Especia l pela alínea "a" do permissivo constitucional. Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, alíneas "a", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DIREITO ADMINISTRATIVO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INTERPOSIÇÃO PELA ALÍNEA "A" DO PERMISSIVO CONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL.