AREsp 2436202 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, analisando-se as alegações, concluiu-se que não houve omissão ou contradição aptas a violar o art. 1.022 do CPC/2015; a alegação de parcialidade não foi suscitada oportunamente e está abrangida pela Súmula 283/STF; as questões sobre prescrição e coisa julgada demandariam reexame...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: Bruno Lavorato Moreira Lopes
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial (admissibilidade E Conhecimento Parcial Do Recurso Especial)
- Outcome
- Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Omissão E Contradição (art. 1.022 Cpc/2015), Prescrição Punitiva, Coisa Julgada, Parcialidade Em Comissão Processante, Interpretação De Lei Local
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Bruno Lavorato Moreira Lopes
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial (admissibilidade E Conhecimento Parcial Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 violação ao art. 1.022 do CPC/2015
- 2 parcialidade da comissão do PADO
- 3 prescrição da pretensão punitiva (arts. 137 e 138 da LC 106/2003)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, analisando-se as alegações, concluiu-se que não houve omissão ou contradição aptas a violar o art. 1.022 do CPC/2015; a alegação de parcialidade não foi suscitada oportunamente e está abrangida pela Súmula 283/STF; as questões sobre prescrição e coisa julgada demandariam reexame fático-probatório, impedido pela Súmula 7/STJ; e controvérsias relativas a direito local (Lei Complementar 106/2003) não são revisíveis na via especial nos termos da Súmula 280/STF, devendo, assim, ser negado provimento ao recurso especial na extensão conhecida.
Court Disposition
Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento
Orders
- Negar provimento ao recurso especial na extensão conhecida
- Majorar os honorários sucumbenciais em 10% caso tenham sido fixados anteriormente, observados os limites e parâmetros dos §§2º, 3º e 11 do art. 85 do CPC/2015 e eventual Gratuidade da Justiça (art. 98 §3º do CPC/2015)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por Bruno Lavorato Moreira Lopes contra decisão da Corte de origem que não admitiu o recurso especial face a ausência de violação aos artigos 489 e 1.022 do CPC/2015, e incidência das Súmulas 7/STJ, 83/STJ e 284/STF. O apelo nobre obstado enfrenta acórdão, assim ementado (fls. 744-745): Direito Constitucional. Procedimento Administrativo Disciplinar (PADO). Punição administrativa à Promotor de Justiça. Sentença de improcedência. Validade da sentença, e" consolidado o entendimento do STF sobre a desnecessidade de enfrentamento de todos os pontos suscitados pelas partes, desde que o decisum contenha fundamentos suficientes a justificar suas conclusões. A Lei Complementar nº 106/2003, não contém qualquer regra que estabeleça vedação à participação, em comissões processantes, de membros antes designados para atuarem em investigações preliminares, não havendo parcialidade dos membros da comissão do PADO, tendo sido respeitado o devido processo legal, o contraditório e à ampla defesa do apelante. Quanto a alegada prescrição punitiva, a conduta imputada ao apelante foi uma conduta omissiva, sendo o termo inicial do prazo prescricional, o afastamento de suas atribuições, conforme art. 138 da Lei Complementar nº 106/2003. Punição validamente aplicada para conduta omissiva, e para zelar pelo interesse da Administração Pública e em conformidade com a Lei nº 8.625/93, Lei Orgânica Nacional do Ministério Público, e Lei Complementar nº 106/2003, Lei Orgânica do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Manutenção da sentença que se impõe. Desprovimento do recurso. Embargos de declaração rejeitados. No recurso especial, o recorrente alega violação ao artigo 1.022, I e II, do CPC/2015, ao argumento de que o acórdão recorrido padece de omissões e contradições quanto à (i) inexistência de falta disciplinar, uma vez que a ação praticada (arquivamento de TAC) constitui atividade finalística do membro do Ministério Público, ante o disposto nas Resoluções GPGJ 1522/09 e 1769/2012; e (ii) inexistência de prejuízo à Administração Pública. Quanto às questões de fundo, aduz afronta aos artigos 150 da Lei 8.112/1990, 502 e 927, III, do CPC/2015, 137 e 138 da Lei Complementar 106/2003, sob os seguintes argumentos: (a) houve irregularidade na composição da Comissão do PADO, pois integrada por membro do Ministério Público que participou da Sindicância Prévia e emitiu juízo de valor sobre o mesmo fato, comprometendo toda a higidez e imparcialidade da comissão; (b) já havia ocorrido a prescrição na ocasião da instauração do Processo Administrativo Disciplinar Ordinário - PADO, inclusive se formado coisa julgada sobre o tema pois "o v. acórdão proferido nos autos do Agravo de Instrumento nº 0039895-31.2021.8.19.0000, que trata exatamente da questão debatida nos presentes autos (ocorrência de ato comissivo, determinando o início da contagem do prazo prescricional, extrapolado em mais de 5 anos para instauração do PADO), transitou em julgado" (fl. 866). Com contrarrazões. Neste agravo afirma que seu recurso especial satisfaz os requisitos de admissibilidade e que não se encontram presentes os óbices apontados na decisão agravada. Parecer do Ministério Público Federal, às fls. 1.052-1.060, manifestando-se pelo "desprovimento do agravo em recurso especial". É o relatório. Decido. Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. Dito isso, afasta-se a alegada violação do artigo 1.022 do CPC/2015), porquanto o acórdão recorrido manifestou-se de maneira clara e fundamentada a respeito das questões relevantes para a solução da controvérsia. A tutela jurisdicional foi prestada de forma eficaz, não havendo razão para a anulação do acórdão proferido em sede de embargos de declaração. No que diz respeito à alegação de ofensa aos artigos 150 da Lei 8.112/1990 e 927, III, do CPC/2015, a pretensão é inadmissível, pois o recorrente não impugnou o fundamento do acórdão recorrido segundo o qual "a suposta parcialidade do membro do Ministério Público deveria ter sido suscitada no momento oportuno e não o foi. A punição, foi aplicada pelo então Corregedor-Geral do Ministério Público, Dr. Pedro Elias Erthal Sanglard, sendo que a referida decisão foi referendada por decisão proferida pelo Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça, ao apreciar e negar provimento ao recurso administrativo do apelante" (fl. 747). Essa situação enseja a aplicação da Súmula 283/STF. Quanto à alegação de afronta ao artigo 502 do CPC/2015 e a apontada "violação da coisa julgada existente por força do trânsito em julgado do v. acórdão proferido nos autos do Agravo de Instrumento nº 0039895-31.2021.8.19.0000", registra-se que segundo a jurisprudência desta Corte a análise de ofensa ou não à coisa julgada importa em reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que encontra óbice na Súmula 7/STJ. Para além disso, observa-se que a alegação do recorrente acerca da ocorrência da prescrição reside na violação aos artigos 137 e 138 da Lei Complementar Estadual 106/2003 a cujo exame não se destina a via especial, a teor do disposto na Súmula 280/STF, que assim expressa: "por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário". Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Caso tenham sido fixados honorários sucumbenciais anteriormente pelas instâncias ordinárias, majoro-os em 10% (dez por cento), observados os limites e parâmetros dos §§ 2º, 3º e 11 do artigo 85 do CPC/2015 e eventual Gratuidade da Justiça (§ 3º do artigo 98 do CPC/2015). Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF. PRESCRIÇÃO. COISA JULGADA. SÚMULA 7/STJ. INTERPRETAÇÃO DE LEI LOCAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 280/STF. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO, NEGAR-LHE PROVIMENTO.