AREsp 2789429 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo por entender que não houve omissão no acórdão recorrido, o Tribunal a quo motivou adequadamente as questões apontadas e o acolhimento dos argumentos exigiria reexame do conjunto fático-probatório, vedado pela Súmula 7/STJ; impôs-se, ainda, o pagamento de honorários advocatícios...
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- Parties
- Agravante: Concessionária Rodovias do Tietê S. A. - em recuperação judicial; Recorrida: ARTESP
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Omissão E Embargos Declaratórios, Prova E Súmula 7/stj, Honorários Advocatícios
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Parties
Concessionária Rodovias do Tietê S. A. - em recuperação judicial
Agravante
ARTESP
Recorrida
Procedural Posture
Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 existência de omissão no acórdão quanto a fatos e provas (chuvas; falta do insumo CAP 30/45; fatores alheios à alçada da concessionária)
- 2 obrigação do tribunal de rebater todos os argumentos e dispositivos legais invocados
- 3 possibilidade de reapreciação do conjunto fático-probatório em recurso especial
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo por entender que não houve omissão no acórdão recorrido, o Tribunal a quo motivou adequadamente as questões apontadas e o acolhimento dos argumentos exigiria reexame do conjunto fático-probatório, vedado pela Súmula 7/STJ; impôs-se, ainda, o pagamento de honorários advocatícios adicionais de 20% nos termos do art. 85, §11 do CPC.
Court Disposition
nego provimento ao agravo
Orders
- Condena-se a parte recorrente ao pagamento de honorários advocatícios equivalentes a 20% do valor já fixado no processo, nos termos do art. 85, § 11, do CPC
- Publique-se
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado por Concessionária Rodovias do Tietê S. A. - em recuperação judicial contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 747): APELAÇÃO. Ação anulatória. Multa contratual aplicada pela ARTESP à Concessionária Rodovias do Tietê S/A em virtude de infração administrativa relativa à falta de reparo em depressão ou recalque de pequena extensão no km 364 390, Pista Leste da Rodovia Dom Gabriel Paulino Bueno Couto. Improcedência decretada em primeiro grau de jurisdição. Irresignação que não comporta acolhida. Média histórica da perturbação pluviométrica medida no período da fiscalização que constatou o menor índice de chuvas dos últimos anos, a afastar a alegação de que o descumprimento contratual se deu em razão de força maior. Alegação de falta de insumos (CAP 30/45) em determinados períodos do ano de 2019 que inviabilizaram a reparação da rodovia. Ausência de prova de que a indisponibilidade registrada em curtos períodos impactou o cumprimento do contrato em questão. Improcedência mantida. Recurso desprovido. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 771/775). Nas razões do recurso especial, a parte recorrente aponta violação aos arts. 489, II, § 1º, IV, e 1.022, caput, II, parágrafo único, II, do CPC, na medida em que o acórdão impugnado apresentou omissões não supridas, notadamente no que diz respeito à "ocorrência das chuvas .. ; ao insumo CAP 30/45, que é indispensável ao reparo do pavimento .. ; e quanto ao argumento de que "embora a concessionária recorrente tenha concentrado esforços para realizar as atividades de prevenção e manutenção, nos prazos estabelecidos contratualmente, quanto à conservação do extenso trecho rodoviário concedido e das vicinais, os fatores alheios à sua alçada, que não foram pontuais e isolados, impactaram a execução daquelas" (fl. 789/790). Foram ofertadas contrarrazões às fls. 833/839. É O RELATÓRIO. PASSO À FUNDAMENTAÇÃO. De início, verifica-se não ter ocorrido ofensa aos arts. 489, II, § 1º, IV, e 1.022, caput, II, parágrafo único, II, do CPC, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas e apreciou integralmente a controvérsia posta nos autos, não se podendo, de acordo com a jurisprudência deste Superior Tribunal, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional (AgInt no AREsp 1.678.312/PR, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 22/3/2021, DJe 13/4/2021). A tanto, verifica-se, pela fundamentação do acórdão recorrido (fls. 746/752), integrada em sede de embargos declaratórios (fls. 771/775), que a Corte a quo motivou adequadamente sua decisão quanto às questões tidas por omitidas (especialmente ao reiterar a sua apreciação em sede de aclaratórios nas fls. 772/774), solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Outrossim, não se descortina negativa de prestação jurisdicional, ao tão só argumento de o acórdão recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. Frise-se, mais, que o Tribunal não fica obrigado a examinar todos os artigos de lei invocados no recurso, desde que decida a matéria questionada sob fundamento suficiente para sustentar a manifestação jurisdicional, tornando dispensável a análise dos dispositivos que pareçam para a parte significativos, mas que para o julgador, senão irrelevantes, constituem questões superadas pelas razões de julgar. A propósito, confira-se: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. MILITAR TEMPORÁRIO. REFORMA EX OFFICIO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/1973. OMISSÃO NÃO VERIFICADA. A DISCUSSÃO DO MÉRITO IMPÕE O REVOLVIMENTO DAS PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. O PERÍODO EM QUE O MILITAR TEMPORÁRIO ESTIVER ADIDO, PARA FINS DE TRATAMENTO MÉDICO, NÃO É COMPUTADO PARA FINS DE ESTABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. I - Trata-se de demanda ajuizada por ex-militar, objetivando provimento jurisdicional que determine sua reforma ex officio, com soldo referente ao posto/graduação por ele ocupado quando na ativa, bem como condenação da demandada ao pagamento de danos morais e estéticos. II - Após sentença que julgou parcialmente procedente a demanda, foi interposta apelação pela parte autora e ré, sendo que o TRF da 5ª Região, por maioria, deu provimento ao apelo da ré, julgando prejudicado o apelo do autor, ficando consignado, com base nas provas carreadas aos autos, que o autor está definitivamente incapacitado para o serviço militar, fazendo jus aos proventos correspondentes à graduação que ocupava. III - Sustenta, em síntese, que o Tribunal a quo deixou de se manifestar acerca da omissão descrita nos aclaratórios, defendendo ter direito à reforma ex officio, seja pela incapacidade definitiva para o serviço militar, seja pelo tempo transcorrido na condição de agregado, bem como pela estabilidade que supostamente alcançou (ex vi arts. 50, IV, a e 106, II e III, da Lei n. 6.880/1980). IV - Não assiste razão ao recorrente no tocante à alegada violação do art. 1.022 do CPC. Consoante a jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, tem-se que o julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos invocados pelas partes quando, por outros meios que lhes sirvam de convicção, tenha encontrado motivação suficiente para dirimir a controvérsia; devendo, assim, enfrentar as questões relevantes imprescindíveis à resolução do caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1575315/PR, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 10/6/2020; REsp 1.719.219/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/5/2018; AgInt no REsp n. 1.757.501/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 3/5/2019; AgInt no REsp n. 1.609.851/RR, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, Dje 14/8/2018.V- Com efeito, o Tribunal a quo, soberano na análise fática, considerou não haver prova da conexão entre o acidente mencionado e a moléstia do autor. VI- Dessarte, verifica que a presente irresignação vai de encontro às convicções do julgador "a quo", que tiveram como lastro o conjunto probatório constante dos autos. Nesse diapasão, para rever tal posição e interpretar os dispositivos legais indicados como violados, seria necessário o reexame desses mesmos elementos fático-probatórios, o que é vedado no âmbito estreito do recurso especial. Incide na hipótese o enunciado da Súmula n. 7/STJ. Neste sentido: AgInt no AREsp 1334753/MS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/10/2019, DJe 27/11/2019. VII- Ademais, quanto à alegação de estabilidade sustentada pelo recorrente, esta Corte tem firmado a compreensão de que a mera reintegração de militar temporário na condição de adido, para tratamento médico, não configura hipótese de estabilidade nos quadros das Forças Armadas. Ou seja, o período em que o militar esteve licenciado, na condição de adido, não pode ser computado para atingir a estabilidade decenal, não prosperando, portando, as alegações aduzidas pelo interessado. A propósito: REsp 1786547/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2019, DJe 23/04/2019.VII - Recurso especial não provido. (REsp 1752136/RN, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/11/2020, DJe 01/12/2020) PROCESSUAL CIVIL. AMBIENTAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NÃO VERIFICADA. MERO INCONFORMISMO. REJEIÇÃO DOS ACLARATÓRIOS. 1. Os Embargos de Declaração não merecem prosperar, uma vez que ausentes os vícios listados no art. 1.022 do CPC. 2. Apesar de os embargantes asseverarem que há omissão quanto à tese de afronta dos arts. 355, I, e 370 do CPC/2015 e quanto ao exame da imprescindibilidade da produção de prova técnica, verifica-se que o acórdão embargado enfrentou expressamente tais alegações, ao registrar (fl. 903): "No tocante à alegada afronta dos arts. 355, I, 370, não se pode conhecer da irresignação. Ao dirimir a controvérsia, a Corte estadual consignou (fl. 789): "De início, no que se refere à preliminar de cerceamento de defesa pelo julgamento antecipado da lide, o que culminaria em ocorrência de cerceamento de defesa, deve ser afastada, vez que, ao contrário do que alegado, diante da documentação contida nos autos, é de se reputar como totalmente dispensável a produção de prova pericial, vez que no presente caso todos os elementos necessários para se determinar a responsabilidade e a extensão dos danos ambientais apurados se encontram nas peças encartadas nestes autos, que têm o condão de bem demonstrar a situação na área objeto da ação". O art. 370 do CPC/2015 consagra o princípio da persuasão racional, habilitando o magistrado a valer-se do seu convencimento, à luz das provas constantes dos autos que entender aplicáveis ao caso concreto. Não obstante, a aferição da necessidade de produção de determinada prova impõe o reexame do conjunto fático-probatório encartado nos autos, o que é defeso ao STJ, ante o óbice erigido pela Súmula 7/STJ". 3. Não há omissão no decisum embargado. As alegações dos embargantes denotam o intuito de rediscutir o mérito do julgado, e não o de solucionar omissão, contradição ou obscuridade. 4. Embargos de Declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1798895/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/4/2020, DJe 05/5/2020) ANTE O EXPOSTO, nego provimento ao agravo. Levando-se em conta o trabalho adicional realizado em grau recursal, impõe-se à parte recorrente o pagamento de honorários advocatícios equivalentes a 20% (vinte por cento) do valor a esse título já fixado no processo (art. 85, § 11, do CPC). Publique-se. EMENTA