AREsp 2805366 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou especificamente os fundamentos suficientes para a inadmissão do recurso especial e buscou, na prática, o reexame do acervo probatório, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ; portanto incide a Súmula 182 e aplica-se o princípio da dialeticidade.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: BRIGIDO IBANHES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1.042 Do Ncpc) / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do agravo
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Princípio Da Dialeticidade, Súmula 182/stj
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Parties
BRIGIDO IBANHES
Agravante
Procedural Posture
Agravo (art. 1.042 Do Ncpc) / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade por necessidade de reexame de provas vedado pela Súmula 7/STJ
- 2 violação do princípio da dialeticidade por ausência de impugnação específica aos fundamentos de inadmissibilidade
- 3 incidência da Súmula 182 do STJ pela ausência de ataque específico a todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou especificamente os fundamentos suficientes para a inadmissão do recurso especial e buscou, na prática, o reexame do acervo probatório, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ; portanto incide a Súmula 182 e aplica-se o princípio da dialeticidade.
Court Disposition
não conheço do agravo
Orders
- Não conhecer do agravo.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo (art. 1.042 do NCPC), interposto por BRIGIDO IBANHES, contra decisão que não admitiu recurso especial, ante a aplicação da Súmula 07 do STJ. Nas razões de agravo, a insurgente busca o destrancamento do reclamo. Sem contraminuta. É o relatório. Decido. O recurso não é admissível, por violação ao princípio da dialeticidade. 1. Observa-se das razões do agravo, que a parte recorrente não refutou analiticamente como lhe deveria o fundamento de inadmissão da decisão agravada. 1.1. A decisão de inadmissibilidade na origem pontuou expressamente que: Em relação a alegada violação ao artigo 966, VII, VIII e § 1º, do CPC1, e a subsequente discussão acerca da existência de erro de fato constante na petição inicial da ação de prestação de contas, referente à digitação equivocada do número da conta corrente do autor, a súplica não comporta admissibilidade, pois rever o entendimento adotado, implicaria, necessariamente, no reexame de provas, documentos e extratos bancários juntados aos autos, o que é vedado no âmbito de recurso especial, por óbice da Súmula 7 do STJ. Sua fundamentação se deu pela leitura das razões de decidir do acórdão ora recorrido: Ocorre que, conforme manifestado por este relator no início deste processo, as matérias trazidas neste feito foram abordadas por ocasião do julgamento combatido, ou seja, o suposto erro de fato e os documentos mencionados na inicial desta demanda, foram rejeitados no acórdão atacado, sob a conclusão de houve alteração do pedido inicial, depois de estabilizada a demanda (p. 563-572). (..) Assim, a presente ação rescisória deve ser julgada improcedente, eis que acertadamente o acórdão atacado concluiu que houve alteração do pedido inicial, depois de estabilizada a demanda, ou seja, na segunda etapa daquele feito, indicando outras contas poupança, a saber, nº 101.689.000-0; nº 111.689.000-0; nº 121.689.000-00; nº 131.689.000-0 e nº 141.689.000-0. Por tal razão, inclusive, não prospera a alegação de existência de saldo na conta poupança nas datas dos expurgos inflacionários, com base em contas e períodos diversos dos indicados naquela ação. Ademais, os supostos documentos apresentados como novos, não guardam relação com a lide onde foi proferido o acórdão rescindendo, porquanto, nele concluiu-se pela ocorrência da alteração do pedido inicial, mencionando contas e períodos diversos da deduzidas inicial naquela (p. 35-39) e, portanto, não devem aceitos. Há, desta forma, nítido objetivo de reexame do conteúdo da justiça do julgamento combatido. Da simples leituras dos autos, observa-se que a convicção decisória foi firmada exclusivamente a partir das provas realizadas na instrução probatória da demanda. Logo, a aplicação da Súmula 07 do STJ foi correta e devidamente motivada. O recurso almeja apenas o reexame de todo o caderno probatório da demanda, restando, portanto, dissociado da função uniformizadora do recurso especial, a atrair o teor da Súmula 7/STJ. Ressalte-se, ademais, que o recurso especial tem sido reiteradamente desrespeitado quanto à sua função uniformizadora, sendo utilizado como se fosse uma segunda apelação para viabilizar uma terceira revisão do caso individual, como aqui se tem. 1.2. Como já foi dito, o Tribunal de origem, em juízo de inadmissibilidade, pontuou expressamente que o recurso almeja apenas o reexame de todo o caderno probatório da demanda, restando, portanto, dissociado da função uniformizadora do recurso especial, a atrair o teor da Súmula 7/STJ. Todavia, nas razões do agravo, a parte insurgente repisou os argumentos do apelo extremo e sustentou - apenas com o argumento retórico da revaloração das provas - a inaplicabilidade da Súmula 7/STJ, deixando de atender a dialeticidade recursal. Massivamente o Superior Tribunal de Justiça tem sido abarrotado de demandas que distorcem a finalidade do recurso especial, em que a revisão casuística de fatos são ventilados com a roupagem de revaloração jurídica para viabilizar um nova reapreciação da lide individual. Não é possível dar guarida a essas pretensões. A propósito, com relação à Súmula 7/STJ, esta eg. Quarta Turma, nos autos do AGInt no ARESp n. 1.490.629/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, DJe 25/08/2021, firmou o entendimento de que "a alegação genérica de que o tema discutido no recurso especial representa matéria de direito (incluídas aí as hipóteses de qualificação jurídica dos fatos e valoração jurídica das provas), e não fático-probatória, não é apta a impugnar, de modo específico, o fundamento da decisão atacada. Ao revés, deve a parte agravante refutar o citado óbice mediante a exposição da tese jurídica desenvolvida no recurso especial e a demonstração da adoção dos fatos tais quais postos nas instâncias ordinárias.". Eis a ementa do referido julgado: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO PROFERIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. PRINCIPIO DA DIALETICIDADE. ART. 932, III, DO CPC DE 2.015. INSUFICIÊNCIA DE ALEGAÇÃO GENÉRICA. 1. À luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, compete à parte agravante, sob pena de não conhecimento do agravo em recurso especial, infirmar especificamente os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para negar seguimento ao reclamo. 2. O agravo que objetiva conferir trânsito ao recurso especial obstado na origem reclama, como requisito objetivo de admissibilidade, a impugnação específica aos fundamentos utilizados para a negativa de seguimento do apelo extremo, consoante expressa previsão contida no art. 932, III, do CPC de 2.015 e art. 253, I, do RISTJ, ônus da qual não se desincumbiu a parte insurgente, sendo insuficiente alegações genéricas de não aplicabilidade do óbice invocado. 3. Esta Corte, ao interpretar o previsto no art. 932, parágrafo único, do CPC/2015 (o qual traz disposição similar ao § 3º do art. 1.029 do do mesmo Código de Ritos), firmou o entendimento de que este dispositivo só se aplica para os casos de regularização de vício estritamente formal, não se prestando para complementar a fundamentação de recurso já interposto. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1490629/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 05/08/2021, DJe 25/08/2021) grifou-se 1.3. Tem-se, assim, que a recente jurisprudência desta Corte, à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, é no sentido de que deve a parte recorrente impugnar especificamente o fundamento suficiente para manter o decisum recorrido, de maneira a demonstrar que o juízo de admissibilidade do Tribunal de origem merece ser modificado, ante a sua impropriedade, o que não se vislumbra no recurso em questão. Desta forma, irrefutável a incidência da Súmula 182 do STJ, porquanto inexistiu ataque específico a todos os fundamentos da decisão que obstou a ascensão do recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça. 2. Ante o exposto, não conheço do reclamo. Publique-se. Intimem-se. EMENTA