AREsp 2546655 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o agravante não demonstrou especificamente a omissão, contradição ou obscuridade apontada quanto ao art.1.022 do CPC (Súmula 284/STF), deixou de impugnar fundamentos suficientes do acórdão recorrido (Súmula 283/STF), a decisão de origem assentou-se, em grande medida, em...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ESTADO DO CEARÁ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Competência Jurisdicional, Repetição Do Indébito, Súmulas Do STF E STJ, Honorários Advocatícios, Sanções Recursais, Reexame De Matéria Fático Probatória
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Parties
ESTADO DO CEARÁ
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 alegada violação aos arts. 489, § 1º, e 1.022 do CPC/15
- 2 inadmissibilidade do recurso especial por não impugnar todos os fundamentos suficientes (Súmula 283/STF)
- 3 alegação genérica de omissão ou vício processual atingida pela Súmula 284/STF
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o agravante não demonstrou especificamente a omissão, contradição ou obscuridade apontada quanto ao art.1.022 do CPC (Súmula 284/STF), deixou de impugnar fundamentos suficientes do acórdão recorrido (Súmula 283/STF), a decisão de origem assentou-se, em grande medida, em interpretação de norma estadual (Lei Estadual nº 16.397/2017, art.64), atraindo, por analogia, o óbice da Súmula 280/STF, e a matéria que discutiria afastamento de multa demandaria reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7 do STJ; por isso conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Majoro os honorários advocatícios em 2% (dois por cento), com fundamento no art. 85, § 11, do CPC.
- Previno as partes de que a interposição de recurso declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente poderá acarretar a condenação às penalidades dos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/15.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Em análise, agravo em recurso especial interposto pelo ESTADO DO CEARÁ contra decisão que inadmitiu recurso especial com fundamento nas Súmulas 283 e 284 do STF. Além disso, negou seguimento ao recurso quanto à matéria versada no Tema 259 do STJ. Alega a parte agravante que os pressupostos de admissibilidade do recurso especial foram atendidos. Contrarrazões às fls. 1088-1101. É o relatório. Passo a decidir. Atendidos os pressupostos de conhecimento do agravo em recurso especial, passo à analise do recurso especial. O recurso especial não merece prosperar. Súmula 284 do STF No que tange à alegada violação aos arts. 489, § 1º, e 1.022, I, II, parágrafo único, II, do CPC/15, o recurso não merece conhecimento. Com efeito, "a alegação de afronta ao art. 1.022 do CPC, de forma genérica, sem a efetiva demonstração de omissão do acórdão recorrido no exame de teses imprescindíveis para o julgamento da lide, impede o conhecimento do recurso especial, ante a deficiência na fundamentação (Súmula 284 do STF)" (AgInt no AREsp n. 1.740.605/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 27/11/2023, DJe de 5/12/2023). No caso, a parte recorrente não demonstra, de forma clara, qual seria o ponto omisso, contraditório ou obscuro do acórdão recorrido, bem como a sua importância para o deslinde da controvérsia. Desse modo, a deficiência na fundamentação recursal inviabiliza a abertura da instância especial, porquanto não permite a exata compreensão da controvérsia, incidindo, pois, à espécie, o óbice da Súmula 284 do STF. A propósito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. SÚMULA N. 284/STF. VIOLAÇÃO DO ART. 489, I E IV, DO CPC. SÚMULA N. 211/STJ. INCONSTITUCIONALIDADE DO ADICIONAL SOBRE O VALOR DAS TAXAS DE LICENÇA E FUNCIONAMENTO. COMPETÊNCIA DO STF E SÚMULA N. 280/STF. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO.1. O acolhimento da preliminar de violação do art. 1.022 do CPC exige que o recorrente aponte com clareza o vício do qual padece o aresto combatido, bem como que demonstre a relevância dele à conclusão do julgado, de forma que, se analisado a contento, poderia levar à alteração do resultado do julgamento. A argumentação genérica no sentido de que houve ofensa ao art. 1.022 do CPC, consoante ocorreu in casu, atrai a incidência da Súmula n. 284/STF. .. 6. Agravo interno não provido (AgInt no AREsp n. 2.263.749/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 12/6/2023, DJe de 15/6/2023). TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. ANÁLISE PER SALTUM DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL. DEFICIÊNCIA. SÚMULA 284/STF. INCIDÊNCIA. COMPLEMENTAÇÃO DAS RAZÕES RECURSAIS. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão se fez omisso, contraditório ou obscuro, bem como da sua relevância para a correta solução da controvérsia. Aplica-se, na hipótese, o óbice da Súmula 284/STF. .. 5. Agravo interno não provido.(AgInt nos EDcl no AgInt no REsp n. 1.704.745/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 28/8/2023, DJe de 31/8/2023). Súmulas 283 e 284 do STF Quanto ao mais, a controvérsia dos autos envolvendo a matéria sobre a incompetência absoluta foi decidida pelo Tribunal recorrido sob os seguintes fundamentos (fls. 940-941): De acordo com a tese do agravante, a presente ação deve ser parcialmente extinta sem resolução do mérito, tendo em vista que somente as Varas de Execuções Fiscais possuem competência para analisar pedidos de repetição do indébito, de maneira que, sendo a presente ação dirigida a uma das Varas da Fazenda Pública, careceria o juízo de origem de competência para o exame de tal pleito. No entanto, não possui respaldo jurídico a tese estatal. Isso porque a Lei de Organização Judiciária do Estado do Ceará, ao mencionar em seu artigo 64 que compete às Varas de Execuções Fiscais o julgamento das ações de repetição do indébito decorrente das execuções fiscais, não afasta a competência das Varas da Fazenda Pública, em especial no caso dos autos, que não se trata de execução fiscal, e sim de ação ordinária em que a parte busca a nulidade dos autos de infração, e, por consequência, a restituição do valor indevidamente pago a título de ICMS. Sobre o tema, assim prevê o artigo 64 da Lei Estadual nº 16.397/2017 (Lei de Organização Judiciária do Estado do Ceará): .. Aceitar a tese do agravante significa dar interpretação completamente equivocada ao artigo 64 da Lei Estadual nº 16.397/2017 e ao artigo 327 do CPC/15, que admite a cumulação de pedidos em tal situação, além de ir de encontro ao princípios da duração razoável do processo e da boa-fé. Entretanto, a parte recorrente argumentou, tão somente, no sentido de que a competência seria do juízo da execução fiscal, deixando de refutar especificamente os principais argumentos trazidos pelo acórdão impugnado para não acolher seu pleito, acima destacados. Desse modo, a subsistência de fundamentos inatacados, aptos a manterem a conclusão do aresto impugnado, impede a admissão da pretensão recursal, a teor do entendimento da Súmula 283 do STF: "é inadmissível o recurso extraordinário quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Nesta senda: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ARGUMENTAÇÃO. DEFICIÊNCIA. 1. Mostra-se deficiente o recurso especial que deixa de impugnar os fundamentos do julgado atacado, apresentando razões dissociadas do que foi decidido pelo acórdão recorrido, situação que esbarra nos óbices das Súmulas 283 e 284 do STF, aplicadas, por analogia, ao recurso especial. .. 4. Agravo interno desprovido (AgInt no REsp n. 1.959.831/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 5/6/2023, DJe de 16/6/2023). Súmula 280 do STF Além disso, o Tribunal de origem consignou expressamente o seguinte (fl. 940): Isso porque a Lei de Organização Judiciária do Estado do Ceará, ao mencionar em seu artigo 64 que compete às Varas de Execuções Fiscais o julgamento das ações de repetição do indébito decorrente das execuções fiscais, não afasta a competência das Varas da Fazenda Pública, em especial no caso dos autos, que não se trata de execução fiscal, e sim de ação ordinária em que a parte busca a nulidade dos autos de infração, e, por consequência, a restituição do valor indevidamente pago a título de ICMS. Sobre o tema, assim prevê o artigo 64 da Lei Estadual nº 16.397/2017 (Lei de Organização Judiciária do Estado do Ceará): .. Verifica-se, portanto, que a Corte de origem decidiu a controvérsia dos autos com base, essencialmente, nos termos da legislação estadual. Desse modo, considerando que a fundamentação utilizada pela origem não diz respeito à legislação federal, torna-se inviável o conhecimento do recurso especial. Incide, assim, por analogia, o óbice da Súmula 280 do STF, a qual preceitua que "por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário". Nesse sentido: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS ARTS. 481, 586, 1.228 E 1.267 DO CÓDIGO CIVIL. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N. 282/STF. NULIDADE DA CDA. ACÓRDÃO EMBASADO EM PREMISSAS FÁTICAS. REVISÃO. SÚMULA N. 7/STJ. IPVA. LEGITIMIDADE PASSIVA DO CREDOR FIDUCIÁRIO. PREVISÃO EM LEI LOCAL. LEGITIMIDADE. ACÓRDÃO EMBASADO EM NORMA DE DIREITO LOCAL. LEI ESTADUAL N. 14.937/2003. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N. 280/STF. .. V - Não cabe ao Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial, rever acórdão que demanda interpretação de direito local, à luz do óbice contido na Súmula n. 280 do Supremo Tribunal Federal. .. VII - Agravo Interno improvido (AgInt no REsp n. 2.003.321/MG, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 3/10/2022, DJe de 5/10/2022). EMISSÃO DE NOTA FISCAL ELETRÔNICA. ACÓRDÃO EMBASADO EM FUNDAMENTOS EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAIS. LEI LOCAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 280 DO STF. .. 3. De outro lado, ressalta-se que a pretensão é incabível na presente via recursal, ante a incidência da Súmula 280/STF, tendo em vista que a controvérsia foi dirimida à luz de interpretação de lei local (Instrução Normativa SF/SUREM 19, de 16/12/2011). 4. Recurso Especial não conhecido (REsp n. 1.703.108/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 28/11/2017, DJe de 19/12/2017). Súmula 7 do STJ Quanto à alegação de violação ao art. 1.021, § 4º do CPC, assim decidiu a Corte local (fl. 946): Por fim, cumpre transcrever o que disciplina o artigo 1.021, § 4º, do CPC/2015, ad litteram: .. Dessa forma, mostrando-se manifestamente improcedente o recurso, de rigor a aplicação da multa prevista no dispositivo legal supramencionado, para a hipótese de unanimidade no julgamento. Assim, em relação à pretensão de afastamento da multa aplicada, a alteração da conclusão do Tribunal a quo, acima destacada, ensejaria o necessário reexame da matéria fáticoprobatória dos autos, atraindo, por conseguinte, a incidência da Súmula 7 do STJ. Nesse sentido: "É inviável, em sede de recurso especial, o reexame de matéria fático-probatória, nos termos da Súmula 7 do STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"" (AgInt no AREsp n. 1.964.284/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 27/11/2023, DJe de 5/12/2023). Isso posto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, a e b, do RISTJ, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Majoro os honorários advocatícios em 2% (dois por cento), com fundamento no art. 85, § 11, do CPC, observados os limites percentuais previstos no § 3º do referido dispositivo legal. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar a condenação ao pagamento das penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/15. Intimem-se. EMENTA