AREsp 3019354 - DECISAO
O agravo é não conhecido porque o agravante não impugnou de forma específica e suficiente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial (aplicação da Súmula 284/STF), nos termos do art. 932, III, do CPC e art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ; além disso, os pedidos de desclassificação e...
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- Parties
- Agravante: JOÃO MATHEUS DA SILVA SOARES; Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 November 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284 STF, Súmula 7 STJ, Desclassificação De Crime, Absolvição, Ônus Da Impugnação Específica, Princípio Da Dialeticidade
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Parties
JOÃO MATHEUS DA SILVA SOARES
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por aplicação da Súmula 284 do STF
- 2 ônus da parte de impugnar especificamente cada óbice recursal (princípio da dialeticidade)
- 3 vedação ao reexame de matéria fática em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
O agravo é não conhecido porque o agravante não impugnou de forma específica e suficiente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial (aplicação da Súmula 284/STF), nos termos do art. 932, III, do CPC e art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ; além disso, os pedidos de desclassificação e absolvição exigiriam revolvimento fático vedado pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por JOÃO MATHEUS DA SILVA SOARES contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA que inadmitiu o recurso especial. O agravante foi condenado como incurso nos arts. 33, caput, da Lei n. 11.343/06 e art. 307 do CP (falsa identidade), à pena de 5 (cinco) anos de reclusão e 3 (três) meses de detenção, respetivamente, no regime inicial semiaberto. Em segundo grau de jurisdição, o recurso defensivo foi improvido pelo Tribunal de Justiça (fls. 267-303). A Defesa interpôs recurso especial, pugnando pela desclassificação do crime previsto no art. 33, caput, da Lei 11.343/06, bem como a absolvição pelo delito inserto no art. 307 do CP. O Tribunal de Justiça inadmitiu o recurso especial por incidência do óbice da Súmula n. 284, STF (fls. 398-403). A defesa apresentou agravo em recurso especial (fls. 406-412). O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo não conhecimento do agravo em recurso especial (fls. 442-447). É o relatório. DECIDO. O agravo em recurso especial tem por finalidade a demonstração do desacerto da decisão de inadmissibilidade do recurso especial proferida pelo Tribunal de origem, de forma a viabilizar o exame do recurso especial por esta Corte de Justiça. Assim, o agravante tem o ônus de refutar especificamente cada um dos óbices recursais aplicados pela decisão de inadmissibilidade do recurso especial, em respeito ao princípio da dialeticidade. No caso concreto, a decisão agravada não conheceu do recurso especial por aplicação da Súmula n. 284, STF. A jurisprudência deste Tribunal é firme no sentido de que, para afastar a Súmula n. 284, STF, cabe à parte demonstrar a correlação jurídica entre os fatos e a legislação tida por violada. Veja-se: " .. Na esteira da jurisprudência dominante desta Corte, a superação do óbice da Súmula 284/STF exige que o recorrente realize o cotejo entre o conteúdo preceituado na norma e os argumentos aduzidos nas razões recursais, com vistas a demonstrar a devida correlação jurídica entre o fato e o mandamento legal, não bastando, para tanto, a menção superficial a leis federais, tampouco a exposição do tratamento jurídico da matéria que o recorrente entende correto." (AgRg no AREsp n. 2.575.436/SC, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 27/11/2024, DJe de 2/12/2024.) Na espécie, o agravante limitou-se a sustentar genericamente a presença dos requisitos para admissão do apelo nobre, suscitando ter indicado os dispositivos violados, o que resulta em afronta ao princípio da dialeticidade. Ademais, alega ainda que para aplicação da referida Súmula seria necessário que não fosse possível a exata compreensão da controvérsia, o que não encontra eco na jurisprudência pátria. Desse modo, a ausência de impugnação adequada dos fundamentos empregados pela Corte de origem para impedir o trânsito do recurso especial, nos termos do art. 932, inciso III, do CPC, e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ obsta o conhecimento do agravo, cujo único propósito é demonstrar a inaplicabilidade dos motivos indicados na decisão de inadmissibilidade do recurso por meio de impugnação específica de cada um deles. A propósito: "AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO DEFICIENTE DA DECISÃO DE INADMISSÃO NA ORIGEM. INOBSERVÂNCIA DO COMANDO LEGAL INSERTO NOS ARTS. 932, III, DO CPC/2015 E 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO RISTJ. TENTATIVA DE ACRESCER ARGUMENTOS, EM SEDE DE AGRAVO REGIMENTAL, COM VISTAS À IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS TIDOS COMO INATACADOS. INADMISSIBILIDADE, PRECLUSÃO CONSUMATIVA. PLEITO DE CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. 1. A decisão que inadmite o recurso especial na origem não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, razão pela qual deve ser impugnada na sua integralidade, ou seja, em todos os seus fundamentos (EAREsp n. 831.326/SP, Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe 30/11/2018), inclusive, de forma específica, suficiente e pormenorizada (AgRg no AREsp n. 1.234.909/SP, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 2/4/2018). 2. No caso, a defesa do agravante não logrou impugnar, de forma efetiva, a íntegra da decisão de inadmissão na origem. .. 5. Agravo regimental improvido." (AgRg no AREsp n. 2.404.539/CE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 12/9/2023, DJe de 21/9/2023.) Além disso, o pleito de absolvição e de desclassificação exigem revolvimento fático incabível em sede de recurso especial, incidindo também no caso a Súmula n. 7, STJ. Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA