AREsp 3193509 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar, de modo específico e adequado, todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015 e do art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ; além disso, os fundamentos elencados pela decisão a quo (competência do STF para...
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- Parties
- Agravante: FERNANDO SILVESTRE CESAR
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Inadmissão De Recurso Especial
- Outcome
- NÃO CONHEÇO do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7 Do STJ, Súmula 83 Do STJ, Honorários Advocatícios, Competência Do STF (art. 102, III, Cf), Fundamentação Das Decisões (arts. 489 E 1.022 Cpc)
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Parties
FERNANDO SILVESTRE CESAR
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Inadmissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade
- 2 possibilidade de alegar violação do art. 5º, LV da CF em recurso especial
- 3 impossibilidade de conhecimento quando a matéria exige reexame fático-probatório (Súmula 7)
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar, de modo específico e adequado, todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015 e do art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ; além disso, os fundamentos elencados pela decisão a quo (competência do STF para o art. 5º, LV; necessidade de reexame fático-probatório atraindo Súmula 7; insuficiência de prova testemunhal atraindo Súmula 83; inexistência de omissão/deficiência; e prejuízo ao exame de dissídio jurisprudencial) justificam a manutenção da inadmissibilidade.
Court Disposition
NÃO CONHEÇO do agravo em recurso especial
Orders
- Caso exista prévia fixação de honorários, majoração em 10% sobre o valor já arbitrado, em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados os limites percentuais dos §§ 2º e 3º e eventual concessão de gratuidade da justiça
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial apresentado por FERNANDO SILVESTRE CESAR contra decisão que inadmitiu apelo nobre interposto com fundamento no art. 105, III, da Constituição Federal. Passo a decidir. Impende destacar que não deve ser conhecido o agravo que não ataque, especificamente, todos os fundamentos da decisão agravada, nos termos dos arts. 932, III, do CPC/2015 e 253, parágrafo único, I, do RISTJ. Confira-se o teor dos dispositivos citados: Art. 932. Incumbe ao relator: .. III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; Art. 253. O agravo interposto de decisão que não admitiu o recurso especial obedecerá, no Tribunal de origem, às normas da legislação processual vigente. (Redação dada pela Emenda Regimental n. 16, de 2014) Parágrafo único. Distribuído o agravo e ouvido, se necessário, o Ministério Público no prazo de cinco dias, o relator poderá: (Redação dada pela Emenda Regimental n. 16, de 2014) I - não conhecer do agravo inadmissível, prejudicado ou daquele que não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida; A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos Embargos de Divergência em Agravo em Recurso Especial 701404/SC, 746775/PR e 831326/SP, decidiu pela necessidade de o agravante impugnar, em específico, todos os fundamentos adotados pela decisão a quo, autônomos ou não, para justificar a inadmissão do recurso especial, sob pena de seu recurso não ser conhecido. No caso, da análise dos autos, verifico que a inadmissão do especial se deu com base nos seguintes fundamentos: i) não cabe alegação, em sede de recurso especial, de violação do art. 5º, LV, da CF/1988, por ser de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, conforme dispõe o art. 102, III, do CF/1988; ii) não há questão de direito a ser submetida ao Tribunal Superior, quando a conclusão de que não teria havido comprovação do efetivo exercício da atividade rural se deu pela análise do conjunto fático-probatório dos autos, circunstância que demandaria o reexame do contexto dos fatos, atraindo a Súmula 7 do STJ; iii) a solução adotada no acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência do STJ, no sentido de que a prova exclusivamente testemunhal é insuficiente para comprovar a atividade rural, sendo indispensável que ela venha corroborada por razoável início de prova material, atraindo o óbice da Súmula 83 do STJ; iv) não há nenhuma omissão ou deficiência de fundamentação, nem violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC; e v) quanto ao dissídio jurisprudencial, a inadmissão do recurso especial pela alínea "a" prejudica a apreciação do dissídio, impedindo a admissão recursal pela alínea "c", salvo quando os fundamentos para um e outro forem dissociados, o que não ocorreu no presente caso. Entretanto, a parte agravante deixou de impugnar, específica e adequadamente, todos os fundamentos citados. Destaco, por oportuno, não ser suficiente a apresentação de razões genéricas sobre os óbices apontados pela decisão de inadmissibilidade, sendo exigível, do agravante, o efetivo ataque aos seus fundamentos. Em relação à Súmula 7 do STJ, é de rigor que, além da contextualização do caso concreto, a impugnação contenha as devidas razões pelas quais se entende ser possível o conhecimento da pretensão, independentemente do reexame fático-probatório, mediante, por exemplo, a apresentação do cotejo entre as premissas fáticas e as conclusões delineadas no acórdão recorrido e na sua tese recursal, a fim de demonstrar a prescindibilidade do reexame de fatos e de provas. Cumpre ressaltar que o Tribunal de origem, ao realizar o juízo de admissibilidade do apelo nobre, deve analisar os pressupostos específicos e constitucionais concernentes ao mérito da controvérsia, não havendo que se falar em usurpação da competência do STJ. Nesse sentido: AgInt no AREsp 2107891/PR, Relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 14/11/2022, DJe de 30/11/2022; AgInt no AREsp 2164815/RS, Relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 30/11/2022; e AgInt no AREsp 2098383/BA, Relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do TRF5), Primeira Turma, julgado em 15/8/2022, DJe de 17/8/2022. Ante o exposto, com base no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, NÃO CONHEÇO do agravo em recurso especial. Caso exista, nos autos, prévia fixação de honorários de advogado pelas instâncias de origem, determino a majoração de tal verba, em desfavor da parte recorrente, no importe de 10% (dez por cento) sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA