AREsp 3136180 - DECISAO
Superada a ilegitimidade apontada pela Súmula 284/STF, o agravo não atende ao ônus da impugnação específica dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade: não houve cotejo analítico demonstrando que a pretensão recursal não exige reexame do substrato fático-probatório (Súmula 7/STJ). Assim, aplica-se a Súmula...
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- Parties
- Agravante: ANDERSON SALES DOS SANTOS; Agravante: ISAQUE DA ROCHA DIAS; Contraminuta/parte Interessada: Ministério Público do Estado da Bahia; Manifestante/parte Interessada: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo Regimental (decisão Monocrática Reformada)
- Outcome
- Agravo regimental provido para reformar a decisão monocrática e não conhecer do agravo em recurso especial por incidência da Súmula 182/STJ
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Impugnação Específica Dos Fundamentos Da Decisão De Inadmissibilidade, Súmula 7/stj (vedação Ao Reexame De Provas), Súmula 182/stj, Súmula 284/stf
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Parties
ANDERSON SALES DOS SANTOS
Agravante
ISAQUE DA ROCHA DIAS
Agravante
Ministério Público do Estado da Bahia
Contraminuta/parte Interessada
Ministério Público Federal
Manifestante/parte Interessada
Procedural Posture
Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo Regimental (decisão Monocrática Reformada)
Legal Issues
- 1 se houve indicação suficiente dos dispositivos federais violados (Súmula 284/STF)
- 2 se o agravo infirmou especificamente o óbice da Súmula 7/STJ
- 3 se houve impugnação específica de todos os fundamentos que justificaram a inadmissibilidade do recurso especial (Súmula 182/STJ; art. 932, III, CPC)
Ratio Decidendi
Superada a ilegitimidade apontada pela Súmula 284/STF, o agravo não atende ao ônus da impugnação específica dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade: não houve cotejo analítico demonstrando que a pretensão recursal não exige reexame do substrato fático-probatório (Súmula 7/STJ). Assim, aplica-se a Súmula 182/STJ e o art. 932, III, do CPC (aplicado por força do art. 3º do CPP), não conhecendo-se do agravo em recurso especial.
Court Disposition
Agravo regimental provido para reformar a decisão monocrática e não conhecer do agravo em recurso especial por incidência da Súmula 182/STJ
Orders
- Dar provimento ao agravo regimental para reformar a decisão monocrática (fls. 1123-1124)
- Não conhecer do agravo em recurso especial por incidência da Súmula 182/STJ
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo regimental interposto por ANDERSON SALES DOS SANTOS e ISAQUE DA ROCHA DIAS contra decisão monocrática da Presidência (fls. 1123-1124) que não conheceu do agravo em recurso especial, sob o fundamento da ausência de indicação precisa dos dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo (Súmula n. 284/STF). Os agravantes sustentam que o recurso especial indicou violação ao art. 414 do CPP e que a controvérsia se encontra claramente delimitada, pugnando pela superação excepcional do óbice da Súmula 284/STF e pelo processamento do AREsp, com o consequente restabelecimento da impronúncia (fls. 1129-1142; 1143). O Ministério Público do Estado da Bahia, em contraminuta ao AREsp, arguiu a ausência de impugnação específica do fundamento de inadmissibilidade (Súmula 7/STJ) e requereu a incidência da Súmula 182/STJ (fls. 1104-1110). O Ministério Público Federal, por sua vez, opinou pelo não conhecimento do agravo regimental, ou, se conhecido, pelo não provimento, destacando a falta de ataque específico ao óbice aplicado na decisão agravada (fls. 1162-1163). É o relatório. Decido. Da análise do agravo regimental, verifico que não houve violação da Súmula 284 do STF, porquanto foram indicados os dispositivos federais supostamente violados. Superada, pois, a barreira processual que ensejou o não conhecimento do AREsp por tal fundamento, passa-se a apreciar novamente o Agravo em Recurso Especial. O conhecimento do agravo pressupõe o integral cumprimento do ônus da impugnação específica dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial na origem. Conforme o princípio da dialeticidade, se o agravante não refuta, de maneira pontual e suficiente, cada um dos óbices aplicados, o agravo não supera seu próprio juízo de admissibilidade, o que impede a análise do recurso especial. No caso concreto, o agravante não observou tal requisito processual. A decisão de inadmissibilidade fundamentou-se na vedação ao reexame de provas, conforme a Súmula n. 7/STJ (fls. 1079-1088). A argumentação do agravo, contudo, falhou em infirmar adequadamente a aplicação do referido óbice. Para afastar o impedimento da Súmula n. 7/STJ, seria imperativo que o recorrente, por meio de um cotejo analítico, demonstrasse que a sua pretensão recursal não demanda a reavaliação do substrato fático-probatório, mas apenas a revaloração jurídica dos fatos já soberanamente delineados no acórdão recorrido. A ausência dessa demonstração técnica, limitando-se a alegações genéricas, torna a impugnação ineficaz e mantém hígido o fundamento da decisão agravada. A jurisprudência deste Tribunal é pacífica ao exigir, para o afastamento da Súmula n. 7, que a parte demonstre, com base nas premissas fáticas do próprio acórdão, que a questão é puramente de direito, não bastando a mera assertiva de que não se pretende o reexame de provas (AgRg no AREsp 2183499/MG, Rel. Ministro Carlos Cini Marchionatti, Desembargador Convocado do TJRS, Quinta Turma, julgado em 20/03/2025, DJEN de 26/03/2025). Sob a mesma perspectiva: PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA N. 182/STJ. CONCESSÃO DA ORDEM DE HABEAS CORPUS. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. ART. 2º, INCISO II, DA LEI N. 8.137/1990. FALTA DE RECOLHIMENTO DO ICMS. DOLO DE APROPRIAÇÃO NÃO COMPROVADO. ABSOLVIÇÃO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. 1. Da análise das razões do agravo interposto (e-STJ fls. 1168/1183), se extrai que a parte agravante deixou de infirmar, de forma específica e pormenorizada, a incidência de óbice ventilado pela Corte de origem para inadmitir o recurso especial, no caso, a Súmula n. 7/STJ (e-STJ fls. 1140/1157). 2. Nos termos da orientação jurisprudencial deste Superior Tribunal, "para que se considere adequadamente impugnada a Súmula 7/STJ, o agravo precisa empreender um cotejo entre os fatos estabelecidos no acórdão e as teses recursais, mostrando em que medida estas não exigem a alteração do quadro fático delineado pelo Tribunal local, o que não se observa na alegação genérica de ser prescindível reexame de fatos e provas" (AgRg no AREsp n. 2.060.997/SC, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/8/2022, DJe 10/8/2022). 3. A falta de impugnação específica de todos os fundamentos utilizados na decisão agravada (despacho de inadmissibilidade do recurso especial) atrai a incidência da Súmula n. 182 desta Corte Superior. (AREsp 2548204/RN, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 05/08/2025, DJEN de 22/08/2025) Dessa forma, conclui-se que o agravo não preenche os requisitos de admissibilidade. A parte recorrente não impugnou, de forma específica e dialética, todos os fundamentos da decisão que, na origem, inadmitiu o recurso especial. Incide, portanto, a Súmula n. 182 do STJ, bem como a regra do art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil, aplicável ao processo penal por força do art. 3º do Código de Processo Penal. Sobre a matéria: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO NÃO CONHECIDO POR INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO STJ. ÓBICE DA SÚMULA N. 7 DO STJ NÃO INFIRMADO PELO AGRAVANTE. DECISÃO MANTIDA. 1. A ausência de impugnação de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, ônus da parte recorrente, obsta o conhecimento do agravo, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015; art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ; e da Súmula n. 182 do STJ, aplicável por analogia. 2. "O momento processual adequado para a impugnação completa dos termos da decisão de inadmissibilidade é o agravo em recurso especial, e não o agravo regimental oposto contra a decisão que aplicou o mencionado óbice sumular" (AgRg no REsp n. 1.991.029/PR, r elator Ministro Antônio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 20/9/2023). 3 . Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 2400759/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 05/03/2024, DJe de 11/03/2024) Ante o exposto, dou provimento ao agravo regimental para reformar totalmente a decisão monocrática (fls. 1123-1124), a fim de não conhecer do agravo em recurso especial sob fundamento diverso (incidência da Súmula 182 do STJ). Publique-se. Intimem-se . EMENTA