AREsp 3174470 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e manteve-se a decisão de inadmissibilidade do recurso especial porque a apreciação das alegadas ofensas legais e das provas exigiria reexame aprofundado do conjunto fático-probatório, vedado nos autos de recurso especial pela Súmula 7/STJ; ademais, entendeu-se que os depoimentos policiais...
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- Parties
- Agravante: OCTAVIO LUIZ MORAIS BREHM; Ministério Público: Ministério Público Federal; Órgão Julgador De Origem: Tribunal Regional Federal da 4ª Região - Vice-Presidência
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Interlocutória Inadmissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, com fundamento no artigo 253, parágrafo único, II, "a", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Reexame Fático Probatório, Súmula 7/stj, Prova Policial/inquérito, Acordo De Não Persecução Penal
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Parties
OCTAVIO LUIZ MORAIS BREHM
Agravante
Ministério Público Federal
Ministério Público
Tribunal Regional Federal da 4ª Região - Vice-Presidência
Órgão Julgador De Origem
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Interlocutória Inadmissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por reexame fático-probatório (Súmula 7/STJ)
- 2 uso de depoimentos colhidos na fase inquisitorial e sua corroboração por prova judicializada
- 3 alegada violação dos arts. 155, 156 e 28-A do CPP
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e manteve-se a decisão de inadmissibilidade do recurso especial porque a apreciação das alegadas ofensas legais e das provas exigiria reexame aprofundado do conjunto fático-probatório, vedado nos autos de recurso especial pela Súmula 7/STJ; ademais, entendeu-se que os depoimentos policiais foram devidamente corroborados por provas produzidas em juízo e que não foi demonstrado o dissídio jurisprudencial exigido para admissibilidade pela alínea 'c'.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, com fundamento no artigo 253, parágrafo único, II, "a", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por OCTAVIO LUIZ MORAIS BREHM contra decisão da Vice-Presidência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que não admitiu o recurso especial fundamentado no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal. Consta dos autos que o Ministério Público Federal ofereceu denúncia contra o agravante e outros quatro corréus. Ao agravante, na condição de procurador e administrador da empresa Morais & Brehm Comércio e Transporte Ltda.-ME, foi imputada a prática dos crimes previstos no art. 297, § 4º, do Código Penal, por ter deixado de registrar o contrato de trabalho de vinte e três motoristas, e no art. 171, § 3º, do Código Penal, por, em comunhão de esforços com quatro desses motoristas, ter concorrido para que eles recebessem indevidamente o benefício do seguro-desemprego enquanto mantinham vínculo laboral com a referida empresa. Após regular instrução da ação penal originária (nº 5010322-97.2019.4.04.7107), o Juízo da 5ª Vara Federal de Caxias do Sul/RS, em sentença proferida em 14 de outubro de 2022, julgou parcialmente procedente a pretensão punitiva, absolvendo o agravante, no entanto, da imputação relativa ao crime de estelionato majorado, com fundamento no art. 386, VII, do CPP, por insuficiência de provas quanto à autoria. Ao final, o agravante foi condenado pela prática do crime previsto no art. 297, § 4º, c/c o art. 71, ambos do Código Penal, à pena de 3 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicial aberto, substituída por duas penas restritivas de direitos, além do pagamento de 126 dias-multa (fls. 278-291). Inconformada, a defesa interpôs apelação. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em acórdão de 25 de março de 2025, deu parcial provimento ao recurso para absolver o réu da imputação relativa a dezenove dos vinte e três trabalhadores, com base no art. 386, VII, do CPP, por insuficiência de provas. Manteve, contudo, a condenação pela prática do crime do art. 297, § 4º, do Código Penal, em continuidade delitiva (art. 71 do Código Penal), em relação aos quatro trabalhadores restantes, cujos depoimentos na fase inquisitorial foram considerados suficientes para comprovar a materialidade e a autoria delitivas. Em consequência da absolvição parcial, a pena foi redimensionada para 2 anos e 6 meses de reclusão, mantido o regime inicial aberto e a substituição por penas restritivas de direitos, reduzindo a pena pecuniária para 53 dias-multa. Opostos embargos de declaração pela defesa, foram rejeitados. Ainda irresignada, a defesa interpôs recurso especial (e-STJ Fls. 443-458), no qual alegou violação dos arts. 155, 156 e 28-A do Código de Processo Penal e 297, § 4º, do Código Penal. Sustentou, em essência, que a condenação se amparou exclusivamente em elementos informativos colhidos na fase de inquérito, como depoimentos não judicializados, e em Acordos de Não Persecução Penal firmados por terceiros, os quais não foram submetidos ao contraditório. Argumentou, ainda, a ausência de comprovação do dolo e a atipicidade da conduta. Apontou também divergência jurisprudencial. A Vice-Presidência do Tribunal de origem, em decisão fundamentada, inadmitiu o recurso especial (fls. 516-521). Os óbices apontados foram a incidência da Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça, a ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial nos moldes regimentais e a incompetência desta Corte para analisar suposta violação a dispositivos constitucionais. No presente agravo (fls. 524-527), o recorrente refuta os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, defendendo que a controvérsia não demanda reexame fático-probatório, mas sim revaloração jurídica das provas, e que as violações legais foram devidamente demonstradas. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do agravo. É o relatório. O agravo é tempestivo e ataca os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial. Passo, portanto, à análise do mérito do apelo nobre. No entanto, após detida análise dos autos, verifico que a pretensão recursal não merece prosperar, de modo que a decisão de inadmissibilidade do recurso especial, proferida pela Vice-Presidência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, deve ser mantida por seus próprios e bem lançados fundamentos. Explico. A análise das alegações apresentadas pelo recorrente, relativas à suposta violação dos arts. 155, 156 e 28-A do CPP e 297, § 4º, do Código Penal, bem como à ausência de dolo e à atipicidade da conduta, demandaria, de forma inevitável, um aprofundado reexame do conjunto fático-probatório dos autos, providência incompatível com a via estreita do recurso especial, nos termos do que dispõe a Súmula 7 desta Corte. Com efeito, as instâncias ordinárias, soberanas na análise dos fatos e das provas, concluíram, de forma fundamentada, pela existência de elementos suficientes para a condenação do recorrente pela prática do crime de omissão de registro em Carteira de Trabalho e Previdência Social em relação a quatro trabalhadores. O acórdão recorrido, ao dar parcial provimento à apelação da defesa, realizou uma análise minuciosa das provas, absolvendo o réu quanto a dezenove trabalhadores por entender que, em relação a eles, a prova se resumia aos Conhecimentos de Transporte Eletrônicos (CT-es), o que considerou insuficiente. No entanto, em relação aos outros quatro trabalhadores, a Corte de origem entendeu que os depoimentos prestados na fase policial, nos quais eles confirmaram a prestação de serviços sem o devido registro, foram corroborados por outras provas produzidas sob o crivo do contraditório, notadamente o depoimento da testemunha de acusação, o auditor fiscal do trabalho Rafael Zan, e, paradoxalmente, pelos próprios depoimentos das testemunhas de defesa e do interrogatório do réu. O voto condutor do acórdão destacou que, embora a defesa tenha tentado justificar a prática como um "período de testes" ou um procedimento para análise de seguro, a prova oral colhida em juízo, inclusive das testemunhas arroladas pelo próprio recorrente, confirmou a existência de uma prática irregular de contratação, na qual os motoristas efetivamente trabalhavam antes da formalização do vínculo empregatício. O Tribunal de origem ressaltou, por exemplo, o depoimento da testemunha Guilherme Neymaier, que admitiu que "o motorista "em teste" efetivamente dirigia o caminhão por uma parte da rota", e que tal prática foi alterada após a fiscalização "para aperfeiçoar a legalidade dos trabalhos da empresa", o que denota a ciência da ilicitude da conduta anterior. Nesse contexto, para se chegar a uma conclusão diversa daquela adotada pelo Tribunal Regional Federal, ou seja, para se acolher a tese de que não houve prestação de serviços, de que os depoimentos inquisitoriais não foram corroborados ou que não houve dolo na conduta do agente, seria imprescindível um novo e aprofundado exame dos elementos de prova, o que, como já mencionado, é vedado pela Súmula 7/STJ. A alegação de que se trata de mera revaloração jurídica da prova não se sustenta, pois o que o recorrente pretende é, na verdade, rediscutir o próprio quadro fático delineado pelas instâncias ordinárias e a suficiência do acervo probatório para a condenação. No que tange à suposta violação do art. 155 do CPP, a jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que, embora não se admita condenação fundamentada exclusivamente em elementos colhidos na fase inquisitorial, é plenamente possível a sua utilização quando corroborados por provas produzidas em juízo, ainda que de forma indireta. No caso em tela, o acórdão recorrido apontou expressamente que os depoimentos policiais foram corroborados pela prova testemunhal produzida em audiência e pelo interrogatório do réu, que, apesar de negar o dolo, admitiu a prática dos fatos que configuram a irregularidade. Assim, para afastar essa conclusão, seria necessário reexaminar a interação e o peso de cada elemento probatório, o que recai, novamente, no óbice da Súmula 7/STJ. Da mesma forma, a alegação de ofensa ao art. 156 do CPP e a invocação da "teoria da perda de uma chance probatória" não prosperam. O acervo probatório foi considerado suficiente pelas instâncias ordinárias para formar um juízo de certeza sobre a autoria e a materialidade delitiva em relação a quatro fatos. A decisão de não arrolar os demais corréus como testemunhas na denúncia é uma prerrogativa do órgão de acusação, e a defesa, por sua vez, também poderia tê-los arrolado, se assim entendesse pertinente para a sua tese. A valoração sobre a suficiência ou não do conjunto probatório existente é matéria que se esgota nas instâncias ordinárias. Quanto à menção aos Acordos de Não Persecução Penal (ANPPs) firmados pelos corréus, o acórdão recorrido os utiliza como um elemento de reforço argumentativo, e não como fundamento determinante e exclusivo da condenação. A decisão deixa claro que a comprovação da materialidade e da autoria se baseou nos depoimentos prestados na fase policial, devidamente corroborados pelas provas judicializadas. Destarte, a referência aos acordos serviu apenas para contextualizar que os próprios trabalhadores, em outra esfera, reconheceram a situação de irregularidade, o que enfraquece a tese defensiva de que não houve prestação de serviço. Portanto, não há que se falar em condenação baseada em prova não submetida ao contraditório. Por fim, no que se refere à interposição do recurso pela alínea "c" do permissivo constitucional, a decisão agravada corretamente apontou que o recorrente não realizou o devido cotejo analítico entre o acórdão recorrido e os julgados paradigmas, em desacordo com o disposto nos arts. 1.029, § 1º, do Código de Processo Civil e 255, § 1º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Além disso, a jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que a incidência da Súmula 7/STJ impede a análise do dissídio jurisprudencial, uma vez que as peculiaridades fáticas de cada caso inviabilizam a demonstração da similitude necessária para a configuração da divergência (STJ - AgInt no AREsp: 2320286 BA 2023/0084541-5, Relator.: Ministra NANCY ANDRIGHI, Data de Julgamento: 28/08/2023, T3 - TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 30/08/2023). Ante o exposto, com fundamento no artigo 253, parágrafo único, II, "a", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA