AREsp 2528462 - DECISAO
Negou‑se seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC porque o acórdão do STJ foi considerado suficientemente fundamentado (Tema 339/STF) ao reconhecer a inexistência do recurso especial em razão da ausência de procuração ou cadeia completa de substabelecimento (Súmula 115/STJ) e...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 October 2024
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Negado Seguimento (admissibilidade)
- Outcome
- Negado seguimento ao recurso extraordinário
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recursos, Repercussão Geral, Representação Processual, Procuração E Substabelecimento, Fundamentação De Decisões Judiciais, Súmula 115/stj
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Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Negado Seguimento (admissibilidade)
Legal Issues
- 1 Exigência de repercussão geral para admissão do recurso extraordinário
- 2 Suficiência da fundamentação do acórdão recorrida à luz do art. 93, IX, da CF (Tema 339/STF)
- 3 Aplicação da Súmula 115/STJ quanto à inexistência de recurso sem procuração/cadeia completa de substabelecimento
Ratio Decidendi
Negou‑se seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC porque o acórdão do STJ foi considerado suficientemente fundamentado (Tema 339/STF) ao reconhecer a inexistência do recurso especial em razão da ausência de procuração ou cadeia completa de substabelecimento (Súmula 115/STJ) e porque a discussão sobre os pressupostos de admissibilidade do recurso anterior é infraconstitucional (Tema 181/STF), inexistindo repercussão geral.
Court Disposition
Negado seguimento ao recurso extraordinário
Orders
- Nego seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO 1. Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça que negou provimento ao agravo interno, mantendo a decisão que não conheceu do recurso especial, com base na incidência da Súmula n. 115 do STJ. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa (fl. 304): AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO MONITÓRIA. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. IRREGULARIDADE NO RECURSO ESPECIAL NÃO SANEADA. CONHECIMENTO INVIÁVEL. SÚMULA 115/STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Nos termos do artigo 76, § 2º, I, do Código de Processo Civil de 2015, não se conhece do recurso quando a parte recorrente descumpre a determinação para regularização da representação processual. 2. Caso concreto no qual, embora intimada para regularizar a sua representação no recurso especial e no agravo em recurso especial, interposto contra decisão publicada sob a vigência do CPC/2015, a recorrente não apresentou a cadeia completa de substabelecimentos conferindo poderes à advogada signatária das petições daqueles recursos, os quais, por isso, não podem ser conhecidos. 3. O recurso dirigido à instância superior desacompanhado de procuração, ou em que a cadeia de substabelecimentos mostra-se incompleta, é inexistente, à luz do disposto na Súmula 115 do STJ. 4. Agravo interno a que se nega provimento. Os embargos de declaração opostos na sequência foram rejeitados (fls. 333-336). A parte recorrente alega a existência de repercussão geral da matéria debatida e de contrariedade, no acórdão impugnado, aos arts. 5º, II, XXXV, e LV, e 93, IX, da Constituição Federal. Nesse sentido, argumenta que é dispensável a apresentação de procuração em agravo de instrumento quando os autos são eletrônicos, nos termos do art. 1.017, § 5º, do Código de Processo Civil. Além disso, afirma que, embora tenha sido demonstrada a regularização da representação no prazo estipulado, o acórdão recorrido não analisou os argumentos desenvolvidos. Requer, ao final, a admissão do recurso, bem como a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. É o relatório. 2. Quanto à questão da adequada fundamentação das decisões judiciais, a Suprema Corte, ao apreciar o Tema n. 339, sob o regime da repercussão geral, firmou a seguinte tese vinculante: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso dos autos, foram apresentados, de forma satisfatória, os fundamentos da conclusão do acórdão recorrido, como se observa do seguinte trecho do referido julgado (fl. 307): Na hipótese dos autos, a Secretaria Judiciária do Superior Tribunal de Justiça constatou a ausência de procuração e/ou cadeia completa de substabelecimento conferindo poderes a quem subscreveu o recurso especial e o agravo em recurso especial, pelo que foi concedido o prazo de 5 (cinco) dias à recorrente para manifestação acerca de vício certificado, fl. 261. A parte, embora regularmente intimada para sanar referidos vícios, não regularizou a representação,permanecendo, portanto, o vício quanto às representações do recurso especial e do agravo em recurso especial, uma vez que o substabelecimento juntado à fl. 266 não contém a cadeia completa de procuração, circunstância, todavia, que inviabiliza o saneamento da irregularidade da representação e, consequentemente, o conhecimento dos recursos. Isso, porque houve a preclusão consumativa da oportunidade de saneamento da representação dos recursos, esgotando a oportunidade de se sanar o defeito de representação, observado tratamento isonômico às partes, sob pena de premiação da negligência no cumprimento dos deveres processuais e de violação do direito da parte contrária à prestação jurisdicional célere. Desse modo, mesmo tendo sido devidamente intimada, a parte não atendeu à determinação de regularização da representação processual do agravo em recurso especial, razão pela qual o seu recurso não pode ser conhecido, nos termos do art. 76, § 2º, I, do Código de Processo Civil de 2015. .. Por ocasião do julgamento dos embargos de declaração opostos pela parte recorrente, ainda foi consignado o seguinte (fl. 334): O acórdão ora embargada negou provimento ao agravo interno, em observância à inteligência da Súmula 115/STJ, e à firme orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que a ausência de cadeia completa de substabelecimento de poderes ao advogado titular do certificado digital para interposição do recurso especial, que subscreveu eletronicamente a petição recursal, impossibilita o conhecimento do recurso, pois torna inexistente o recurso dirigido a esta instância superior. Portanto, demonstrado que houve prestação jurisdicional compatível com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 sob o regime da repercussão geral, é inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, que deve ter o seguimento negado. 3. No tocante às demais alegações, nos termos do art. 102, § 3º, da Constituição Federal, o recurso extraordinário deve ser dotado de repercussão geral, requisito indispensável à sua admissão. Por sua vez, o Supremo Tribunal Federal já definiu que a discussão relativa ao preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recurso anterior, de competência de outro tribunal, não tem repercussão geral. Quando o STJ não conhecer do recurso de sua competência, tal como verificado nestes autos, qualquer alegação do recurso extraordinário demandaria a rediscussão dos requisitos de admissibilidade do referido recurso, exigindo a apreciação dos dispositivos legais que versam sobre tais pressupostos. No Tema n. 181 do STF, a Suprema Corte afirmou que "a questão do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos da competência de outros Tribunais tem natureza infraconstitucional" (RE n. 598.365-RG, relator Ministro Ayres Britto, Tribunal Pleno, julgado em 14/8/2009, DJe de 26/3/2010). O entendimento em questão incide tanto em situações nas quais as razões do recurso extraordinário se referem ao não conhecimento do recurso anterior quanto naquelas em que as alegações se relacionam à matéria de fundo da causa. Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais, ao analisar a viabilidade prévia dos recursos extraordinários, negar seguimento àqueles que discutam questão à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. Como exemplos da aplicação do Tema n. 181 do STF em casos semelhantes, confiram-se: ARE n. 1.256.720-AgR, relator Ministro Dias Toffoli (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 4/5/2020, DJe de 26/5/2020; ARE n. 1.317.340-AgR, relatora Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, julgado em 12/5/2021, DJe de 14/5/2021; ARE n. 822.158-AgR, relator Ministro Edson Fachin, Primeira Turma, julgado em 20/10/2015, DJe de 24/11/2015. Da mesma forma, o recurso extraordinário deve ter o seguimento negado por aplicação do Tema n. 181 do STF também nas hipóteses em que for alegada ofensa ao art. 105, III, da Constituição da República (RE n. 1.081.829-AgR, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 1º/10/2018). 4. Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Vale registrar não ser cabível agravo em recurso extraordinário (previsto no art. 1.042 do CPC) contra decisões que negam seguimento a recurso extraordinário, conforme o § 2º do art. 1.030 do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO ANTERIOR, DE COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DEBATE OU SUPERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA N. 181 DO STF, SOB A SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.