AREsp 2657509 - ACORDAO
Por ausência de expressa indicação e demonstração de ofensa aos dispositivos legais apontados ou de divergência jurisprudencial, impede-se o conhecimento do recurso especial, sendo aplicável a Súmula n. 284 do STF; inclusive no tocante à alínea c do permissivo constitucional é exigida a indicação do dispositivo...
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- Parties
- Agravante: MARIA SONIA DE ANDRADE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual De 08/10/2024 a 14/10/2024)
- Outcome
- Agravo interno desprovido
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recursos, Fundamentação Deficiente, Súmula N. 284 Do STF, Dissídio Jurisprudencial
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Parties
MARIA SONIA DE ANDRADE
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual De 08/10/2024 a 14/10/2024)
Legal Issues
- 1 deficiência de fundamentação do recurso especial
- 2 não indicação e demonstração dos dispositivos legais supostamente violados
- 3 aplicação da Súmula n. 284 do STF
Ratio Decidendi
Por ausência de expressa indicação e demonstração de ofensa aos dispositivos legais apontados ou de divergência jurisprudencial, impede-se o conhecimento do recurso especial, sendo aplicável a Súmula n. 284 do STF; inclusive no tocante à alínea c do permissivo constitucional é exigida a indicação do dispositivo objeto da divergência, razão pela qual se nega provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Agravo interno desprovido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a decisão agravada por seus próprios fundamentos.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 08/10/2024 a 14/10/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. NÃO INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO DE LEI VIOLADO. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 284 DO STF. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A falta de expressa indicação e de demonstração de ofensa aos artigos de lei apontados ou de eventual divergência jurisprudencial inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF. 2. O conhecimento do recurso pela alínea c do permissivo constitucional exige a indicação do dispositivo legal objeto da divergência. Inafastável a incidência da Súmula n. 284 do STF também quanto a esse ponto. 3. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por MARIA SONIA DE ANDRADE contra a decisão de fls. 285-287, que não conheceu do agravo em recurso especial em razão da incidência da Súmula n. 284 do STF, quanto às alíneas a e c do permissivo constitucional. Na ocasião, verificou-se que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Nas razões do agravo interno, o recorrente alega que, ao contrário do que se consignou na decisão recorrida, demonstrou com clareza a violação dos dispositivos de lei, bem como a interpretação divergente dos seguintes artigos: 5º, IV, IX, X e XIV, da Constituição Federal, 220 da Constituição Federal, 186, 187 e 927 do Código Civil, além do princípio da razoabilidade. Afirma que o Tribunal a quo usurpou a competência do STJ ao averiguar os requisitos de admissibilidade do recurso. Afasta, assim, a incidência da Súmula n. 284 do STF. Requer o provimento do agravo interno. O agravado deixou de apresentar resposta ao recurso no prazo legal. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. NÃO INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO DE LEI VIOLADO. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 284 DO STF. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A falta de expressa indicação e de demonstração de ofensa aos artigos de lei apontados ou de eventual divergência jurisprudencial inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF. 2. O conhecimento do recurso pela alínea c do permissivo constitucional exige a indicação do dispositivo legal objeto da divergência. Inafastável a incidência da Súmula n. 284 do STF também quanto a esse ponto. 3. Agravo interno desprovido. VOTO O recurso não merece prosperar. Nas razões do recurso especial, a parte agravante sustenta que a parte recorrida não observou os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade ao veicular reportagem imputando ao recorrente, de forma jocosa, a prática de maus tratos animais e embriaguez, o que atrai a responsabilidade do veículo de comunicação pelo excesso cometido. Registre-se que "o recurso especial é reclamo de natureza vinculada e, para o seu cabimento, inclusive quando apontado o dissídio jurisprudencial, é imprescindível que se demonstrem, de forma clara, os dispositivos apontados como malferidos pela decisão recorrida, sob pena de inadmissão" (AgInt no AREsp n. 2.120.664/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 19/9/2022, DJe de 21/9/2022). Desse modo, a ausência de expressa demonstração de ofensa aos artigos de lei apontados (alínea a) ou de eventual divergência jurisprudencial (alínea c) inviabiliza o conhecimento do recurso, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, atrai a aplicação da Súmula n. 284 do STF, assim expressa: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência de sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". A propósito, confira-se precedente: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DECLARATÓRIA C/C INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS. PEDIDO DE MAJORAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. NÃO INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DE LEI VIOLADOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA N.º 284 DO STF, POR ANALOGIA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo n.º 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n.º 284 do STF. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.109.813/MG, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 26/9/2022, DJe de 28/9/2022.) Ademais, no que se refere à alegada divergência, registre-se que, mesmo diante da interposição do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional, a recorrente deveria ter indicado o artigo supostamente violado. Incide no caso, pois, a Súmula n. 284 do STF. Nesse contexto, cito os seguintes arestos: AgInt no AREsp n. 1.876.628/RS, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 22/11/2021, DJe de 24/11/2021 e AgInt no AgInt no AREsp n. 1.683.359/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 20/9/2021, DJe de 23/9/2021. Assim, não se verifica equívoco na decisão agravada, que deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno . É o voto.