AREsp 2911496 - DECISAO
Os embargos de declaração foram rejeitados porque a decisão embargada não padecia de obscuridade, contradição, omissão ou erro material; a parte embargante deixou de indicar com precisão os dispositivos legais federais supostamente violados, o que impede o conhecimento do Recurso Especial nos termos aplicáveis...
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- Parties
- Embargante: JOSILDA DE ARAUJO MARQUES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 June 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão
- Outcome
- Rejeito os Embargos de Declaração
- Legal Topics
- Admissibilidade Do Recurso Especial, Prequestionamento, Majoração De Honorários Sucumbenciais, Gratuidade De Justiça, Súmulas E Enunciados Jurisprudenciais
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Parties
JOSILDA DE ARAUJO MARQUES
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão
Legal Issues
- 1 omissão, contradição ou obscuridade na decisão embargada
- 2 indicação precisa de dispositivos de lei federal para admissão do Recurso Especial
- 3 competência para apreciação de matéria constitucional vs. recurso especial
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados porque a decisão embargada não padecia de obscuridade, contradição, omissão ou erro material; a parte embargante deixou de indicar com precisão os dispositivos legais federais supostamente violados, o que impede o conhecimento do Recurso Especial nos termos aplicáveis (incidência da Súmula n.284/STF); questões constitucionais são da alçada do Recurso Extraordinário; a majoração de honorários recursais depende das condições previstas no CPC e na jurisprudência do STJ, bem como da eventual concessão de gratuidade, e, ainda, não se admite condenação em honorários em mandado de segurança, de modo que não há vício sanável pelos presentes embargos.
Court Disposition
Rejeito os Embargos de Declaração
Orders
- Rejeito os Embargos de Declaração.
- Advirto a parte embargante sobre a reiteração deste expediente, sob pena de pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa (art. 1.026, § 2º, do CPC).
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Embargos de Declaração opostos por JOSILDA DE ARAUJO MARQUES à decisão de fls. 101/102, que não conheceu do recurso. Sustenta a parte embargante: A decisão embargada, da lavra do Ministro Presidente do STJ, não conheceu do Agravo em Recurso Especial, sob o fundamento de que a parte recorrente não indicou violação a dispositivos infraconstitucionais e não comprovou divergência jurisprudencial. .. A decisão deixou de analisar que os dispositivos constitucionais foram suscitados conjuntamente com normas infraconstitucionais pertinentes ao objeto do mandado de segurança (em especial, a Lei nº 12.016/09 e o CPC), o que atrai a competência do STJ para apreciação. O prequestionamento da matéria infraconstitucional consta expressamente nas decisões anteriores, o que não foi considerado. .. A decisão embargada não considerou que, embora mencionados dispositivos constitucionais, a insurgência principal se baseia em normas de direito processual federal (notadamente, os artigos 1.015, 1.022 e 1.046 do CPC), cuja análise é de competência do Superior Tribunal de Justiça, sendo incabível o indeferimento liminar por alegada matéria constitucional. .. Há evidente contradição ao afirmar que não há como se conhecer do recurso por ausência de dispositivo legal federal violado, quando o próprio recurso aponta claramente ofensa à legislação processual federal aplicável ao mandado de segurança, bem como à jurisprudência dominante deste Tribunal (fls. 105/106). Alega ainda: A decisão majorou os honorários advocatícios com base no §11 do art. 85 do CPC, sem examinar se a parte recorrente se encontra em gozo de justiça gratuita, o que, se reconhecido, impede a cobrança imediata dos honorários. .. A decisão embargada, ao dispor genericamente sobre a majoração de honorários advocatícios em desfavor da Agravante, incorreu em grave omissão ao não considerar a natureza específica da ação que deu origem ao presente Recurso Especial: um Mandado de Segurança. Como bem pontuado em análise prévia da referida decisão, é dogma jurídico sedimentado na jurisprudência pátria, consubstanciado no enunciado da Súmula 105 do Superior Tribunal de Justiça, que "Na ação de mandado de segurança não se admite condenação em honorários advocatícios (Lei nº 1.533, de 31-12-51, art. 25)" (fl. 106). Requer o conhecimento e acolhimento dos Embargos Declaratórios para que seja sanado o vício apontado. A parte embargada foi devidamente intimada para contra-arrazoar estes aclaratórios. É o relatório. Decido. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os Embargos de Declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica na hipótese. Conforme consignado expressamente na decisão embargada, a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou objeto de divergência jurisprudencial, assim incide a Súmula n. 284/STF. Em outras palavras, para que haja a admissão do Recurso Especial pela alínea "a" do permissivo constitucional - necessariamente - deve haver a indicação precisa dos dispositivos de lei federal violados e, pela alínea "c" do permissivo constitucional, deve haver a indicação precisa de quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, não bastando, para ambos casos, a mera transcrição dos artigos legais. Com relação aos artigos da Constituição Federal indicados como violados, conforme restou consignado na decisão embargada, cabível Recurso Extraordinário, sendo inadmissível a sua apreciação em sede de Recurso Especial. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DE ARTIGO DA CONSTITUIÇÃO. VIA INADEQUADA. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. SUCESSIVAS PRORROGAÇÕES. DECISÃO FUNDAMENTADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. PARADIGMA EM HABEAS CORPUS. IMPROPRIEDADE. TIPICIDADE. SÚMULA 7/STJ. DOSIMETRIA. SÚMULA 284/STJ. RECURSO NÃO PROVIDO. I - É inviável o exame de afronta a dispositivos constitucionais em recurso especial, sob pena de usurpação de competência do Supremo Tribunal Federal (art. 102, III, "a", da CF). II - A jurisprudência desta Corte e do Supremo Tribunal firmou-se no sentido de que a interceptação telefônica deve perdurar pelo tempo necessário à completa investigação dos fatos delituosos, devendo o seu prazo de duração ser avaliado fundamentadamente pelo magistrado, considerando os relatórios apresentados pela polícia HC 510.504/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, DJe 13/08/2019). III - É inadmissível, para comprovar a divergência apontada, acórdãos proferidos em julgamento de habeas corpus, de recurso ordinário em habeas corpus, de conflito de competência, de mandado de segurança ou de recurso ordinário em mandado de segurança. IV - O julgado afirma a ocorrência da tipicidade da conduta e a presença dos seus elementos subjetivos, e rever o referido posicionamento requer o reexame fático-probatório da demanda, obstado pela Súmula n. 7/STJ. V - Em relação à dosimetria da pena e ao valor da pena de multa, não foi apontado o artigo da lei supostamente contrariado, o que atrai a incidência do enunciado n. 284/STF. VI - Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp n. 1.873.509/RS, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 13.8.2020.) Quanto aos honorários, o novo Código de Processo Civil, ao prever o instituto da majoração dos honorários advocatícios em razão do julgamento de recurso, condicionou sua aplicação aos processos cíveis, desde que haja prévia fixação de honorários pela instância a quo. Ademais, conforme dicção do Enunciado Administrativo n. 7 deste Superior Tribunal de Justiça, "somente nos recursos interpostos contra decisão publicada a partir de 18 de março de 2016, será possível o arbitramento de honorários sucumbenciais recursais, na forma do art. 85, § 11, do novo CPC". E, ainda, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que, para fins de aplicabilidade do mencionado dispositivo, deve ser observada a data de publicação do acórdão recorrido. Nesse sentido, EDcl no REsp 1782142/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 25/10/2019. Observe-se também que, no presente caso, não há omissão no que concerne à gratuidade de justiça, porque o dispositivo da decisão embargada é claro no sentido de que somente serão majorados se houver "prévia fixação de honorários de advogado pelas instâncias de origem", devendo ser "observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça" (grifo nosso). Assim, caso seja a parte beneficiária da gratuidade da justiça, serão observados os preceitos do art. 98, § 3º, do Código de Processo Civil. Registre-se ainda que é incabível a condenação ao pagamento de honorários advocatícios em sede de Mandado de Segurança, objeto do recurso especial. É cediço, também, que o julgador não fica obrigado a manifestar-se sobre todas as alegações das partes, nem a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. (AREsp 1592147/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 31.8.2020; AgInt no AREsp 1639930/RJ, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 3.8.2020; AgInt nos EDcl no AREsp 1342656/PR, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 7.5.2020.) Por fim, a pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no decisum embargado evidencia mera insatisfação com o resultado do julgamento, não sendo a via eleita apropriada para tanto. Nesse sentido: EDcl no AgInt nos EDcl nos EAREsp 1202915/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe de 28.8.2019. Assim, não há qualquer irregularidade sanável por meio dos presentes Embargos, porquanto toda a matéria apta à apreciação desta Corte foi analisada, não padecendo a decisão embargada dos vícios que autorizariam a sua oposição (obscuridade, contradição, omissão ou erro material). Ante o exposto, rejeito os Embargos de declaração e advirto a parte embargante sobre a reiteração deste expediente, sob pena de pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, porque os próximos embargos versando sobre o mesmo assunto serão considerados manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil). Publique-se. Intimem-se. EMENTA