HC 883485 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido por ser substitutivo de recurso próprio ou de revisão criminal e não haver, nos autos, elemento de flagrante ilegalidade apto a autorizar a concessão de ofício da ordem; assim, a via eleita é inadequada e o pedido não pode ser acolhido.
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- Parties
- Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 April 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido (substitutivo De Recurso Próprio)
- Outcome
- Habeas corpus não conhecido; na análise de ofício, ordem não concedida por ausência de flagrante ilegalidade.
- Legal Topics
- Admissibilidade Do Habeas Corpus, Flagrante Ilegalidade, Dosimetria Da Pena, Roubo Majorado, Uso De Simulacro, Honorários Do Dativo
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Parties
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido (substitutivo De Recurso Próprio)
Legal Issues
- 1 Se o habeas corpus é meio adequado para reexaminar matéria que deveria ser objeto de recurso próprio ou revisão criminal
- 2 Se há flagrante ilegalidade apta a autorizar concessão de ofício da ordem
- 3 Se o uso de simulacro (ou cabo de vassoura) constitui motivo idôneo para majorar a pena na dosimetria
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido por ser substitutivo de recurso próprio ou de revisão criminal e não haver, nos autos, elemento de flagrante ilegalidade apto a autorizar a concessão de ofício da ordem; assim, a via eleita é inadequada e o pedido não pode ser acolhido.
Court Disposition
Habeas corpus não conhecido; na análise de ofício, ordem não concedida por ausência de flagrante ilegalidade.
Orders
- Habeas corpus não conhecido
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado contra acórdão assim ementado: APELAÇÃO CRIMINAL - ROUBO MAJORADO PELO CONCURSO DE AGENTES E EMPREGO DEARMA DE FOGO - ABSOLVIÇÃO FACE À INSUFICIÊNCIA DE PROVAS - IMPOSSIBILIDADE - ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS - NECESSIDADE. 1. Não há que se falar em absolvição face à insuficiência de provas se o conjunto probatório é coerente, harmônico e irrefutável, dando como certa e inquestionável a prática do crime de roubo majorado uso de arma de fogo e concurso de agentes, incabível é o acolhimento do pleito absolutório. 2. No que tange ao arbitramento dos honorários do dativo, cumpre registrar a importância da valorização da advocacia, sobretudo de profissionais que atuam no sentido de dar vigência ao comando constitucional de facilitação de acesso à justiça, de forma que, comprovada a efetiva prestação de serviço pelo profissional nomeado, faz este jus à remuneração pelo trabalho realizado, cujo valor deve ser fixado. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 6 anos, 3 meses e 12 dias de reclusão, no regime inicial semiaberto, e ao pagamento de 12 dias-multa, em razão da prática do crime de roubo circunstanciado (art. 157, § 2º, I, II e V, do Código Penal). A defesa alega, em síntese, que o uso de simulacro de arma de fogo não seria motivação idônea para majorar a pena na segunda fase da dosimetria. Aduz que, na hipótese dos autos, o paciente teria utilizado um cabo de vassoura no evento delitivo, de tal modo que a majoração efetivada na terceira fase da dosimetria seria indevida. Ao final, requer a concessão da ordem para que seja afastada a min orante do emprego de arma de fogo na confecção da pena do paciente. Solicitadas, as informações foram apresentadas (e-STJ fls. 27/33 e 38/56). O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento do habeas corpus (e-STJ fls. 58/63). É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. Veja-se: "O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício" (AgRg no HC n. 895.777/PR, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/4/2024, DJe de 8/4/2024). "De acordo com a jurisprudência do STJ, não é cabível o uso de habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal, notadamente quando não há indicação de incidência de alguma das hipóteses previstas no art. 621 do CPP. Precedentes" (AgRg no HC n. 864.465/SC, Relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024). "A Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça restringe a admissibilidade do habeas corpus quando o ato ilegal for passível de impugnação pela via própria, sem olvidar a possibilidade de concessão da ordem de ofício (HC nº 535.063/SP)". (AgRg no HC n. 741.874/SP, sob a minha relatoria, Quinta Turma, julgado em 5/3/2024, DJe de 8/3/2024). A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no mesmo sentido: "Do ponto de vista processual, o caso é de habeas corpus substitutivo de agravo regimental (cabível na origem). Nessas condições, tendo em vista a jurisprudência da Primeira Turma desta Corte, entendo que o processo deve ser extinto sem resolução de mérito, por inadequação da via eleita (HC 115.659, Rel. Min. Luiz Fux) (..) A orientação jurisprudencial deste Tribunal é no sentido de que o "habeas corpus não se revela instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado" (HC 118.292-AgR, Rel. Min. Luiz Fux). 4. O caso atrai o entendimento desta Corte no sentido de que não cabe habeas corpus para reexaminar os pressupostos de admissibilidade de recurso interposto perante outros Tribunais (HC 146.113-AgR, Rel. Min. Luiz Fux; e HC 110.420, Rel. Min. Luiz Fux). (..) (HC 225896 AgR, Relator Ministro Luís Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023). O entendimento é de elevada importância, devendo ser utilizado para preservar a real utilidade e eficácia da ação constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a necessária celeridade no seu julgamento. A concessão de ofício da ordem, nos termos dos arts. 647-A e 654, § 2º, do Código de Processo Penal, depende da existência de flagrante ilegalidade. Analisando-se o conteúdo da documentação trazida a esta instância, não se verifica de plano qualquer violação ao ordenamento jurídico ou flagrante constrangimento ilegal, que implique ameaça de violência ou coação na liberdade de locomoção do paciente, nos termos da Lei nº 14.836, de 8/4/2024, publicada no Diário Oficial da União de 9/4/2024. Pelo exposto, não conheço do habeas corpus substitutivo e, na análise de ofício, não visualizo elementos capazes de caracterizar flagrante ilegalidade. Publique-se. Intimem-se. EMENTA