AREsp 1854424 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por ausência de prequestionamento da matéria objeto do recurso (incidência das Súmulas 282 e 356 do STF), por não ter sido demonstrada divergência jurisprudencial de forma analítica e por subsistir fundamento autônomo e suficiente não atacado apto a...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ZARA SARTORIO PARASMO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 July 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade Do Recurso Especial, Prequestionamento, Súmulas Do STF E Do STJ, Instrumentalidade Das Formas (art. 277 Cpc), Composse, Embargos De Terceiro, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ZARA SARTORIO PARASMO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 incidência do requisito do prequestionamento (Súmulas 282 e 356/STF)
- 2 alegada violação do art. 277 do CPC (instrumentalidade das formas)
- 3 alegada violação do art. 373, I do CPC quanto à prova da composse
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por ausência de prequestionamento da matéria objeto do recurso (incidência das Súmulas 282 e 356 do STF), por não ter sido demonstrada divergência jurisprudencial de forma analítica e por subsistir fundamento autônomo e suficiente não atacado apto a manter o aresto (Súmula 283/STF), além de a apreciação pretensa demandar reexame do conjunto fático-probatório (Súmula 7/STJ). Foi, ainda, majorada a verba honorária em 15% nos termos do art. 85, §11 do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por ZARA SARTORIO PARASMO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a" e "c" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: APELAÇÕES COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA CUMPRIMENTO DE SENTENÇA AÇÃO DE EMBARGOS DE TERCEIRO ALEGAÇÃO DE PROPRIEDADE E POSSE CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRÊNCIA PROVA DOCUMENTAL VALIDADE NÃO QUESTIONADA PRESUNÇÃO DE VERDADE PROPRIEDADE ADEMAIS INCONTESTÁVEL A OBVIAR A ADEQUAÇÃO DA RESISTÊNCIA AO ESBULHO JUDICIAL TEMA DE FUNDO ESPECÍFICO IMPOSSIBILIDADE DE ALARGAMENTO QUESTÕES OUTRAS QUE DEVERÃO COMPOR LITÍGIOS DISTINTOS DEMONSTRAÇÃO SEGURA DOS REQUISITOS DA CONTENDA A IMPOR A PROTEÇÃO POSSESSÓRIA SUCUMBÊNCIA MANUTENÇÃO CRITÉRIO ADEQUADO NA FIXAÇÃO DA VERBA HONORÁRIA AUSÊNCIA DE CONTEÚDO ECONÔMICO SENTENÇA MANTIDA RECURSOS DESPROVIDOS Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" e "c" do permissivo constitucional, alega violação do art. 277 do CPC, no que concerne à possibilidade de aplicação do princípio da instrumentalidade das formas, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): 23. No presente caso, seria possível a aplicação do supracitado artigo, vez que a Recorrida não foi prejudicada pela ausência no polo passivo da antiga ação possessória, tanto que permanece na posse do imóvel deste o ajuizamento da ação, que foi em 2003. 24. Ademais, a Recorrida se valeu dos embargos de terceiros para apresentar seus argumentos contrários aos interesses da Recorrente (tais como prescrição da cobrança, adimplemento substancial e propriedade do imóvel), mesmos argumentos que apresentaria em contestação. (fls. 338). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 373, I do CPC, no que concerne à ausência de prova da composse, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): 32. Com efeito, a Recorrida, parte ativa dos embargos de terceiro, NÃO APRESENTOU PROVAS SOBRE A EXERCÍCIO DA COMPOSSE NA ÉPOCA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO POSSESSÓRIA. 33. Isto porque, o fundamento da Recorrida para impedir a reintegração de posse da Recorrente se deu em virtude da necessidade de sua citação no ano de 2003, quando supostamente exercia a composse do imóvel com o Sr. Maurício Lambiasi. (fls. 341). 46. Assim, como consignado no Acórdão paradigma, além das ementas supracitadas, perfeitamente possível a aplicação da instrumentalidade das formas em caso de cônjuge que oferece embargos de terceiros por conta da ausência de citação em ação principal. (fls. 348). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, incidem os óbices das Súmulas n. 282/STF e 356/STF, uma vez que a questão não foi examinada pela Corte de origem, tampouco foram opostos embargos de declaração para tal fim. Registre-se, a propósito, que os embargos de declaração opostos às fls. 372/374 não tiveram como objeto a matéria em comento. Dessa forma, ausente o indispensável requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 9. In casu, o art. 17, do Decreto 3.342/00, não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, nem sequer foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de prequestioná-lo, razão pela qual impõe-se óbice instransponível ao conhecimento do recurso quanto ao aludido dispositivo". (REsp 963.528/PR, relator Ministro Luiz Fux, Corte Especial, DJe de 4/2/2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.160.435/PE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe de 28/4/2011; REsp 1.730.826/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 12/2/2019; AgInt no AREsp 1.339.926/PR, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 15/2/2019; e AgRg no REsp 1.849.115/SC, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23/6/2020. Ademais, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, pois a mera transcrição de ementas não supre a necessidade de cotejo analítico, o qual exige a reprodução de trechos dos julgados confrontados, bem como a demonstração das circunstâncias identificadoras, com a indicação da existência de similitude fática e de identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o(s) paradigma(s) indicado(s). Nesse sentido: "A recorrente não se desincumbiu de demonstrar o dissídio de forma adequada, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC e do art. 255, § 1º, do RISTJ, tendo se limitado a transcrever e comparar trechos de ementas. Como é cediço, a simples transcrição de ementas com entendimento diverso, sem que se tenha verificado a identidade ou semelhança de situações, não revela dissídio, motivo pelo qual não é possível conhecer do recurso especial pela divergência". (AgRg no REsp 1.507.688/DF, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 27/5/2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp 1.874.545/CE, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 29/6/2020; AgInt no AREsp 1.595.985/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgInt no AgInt no AREsp 1.397.248/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 3/8/2020. Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 283/STF, uma vez que a parte deixou de atacar fundamento autônomo e suficiente para manter o julgado, qual seja: De mais a mais, a tese de não comprovação de composse agitada tão somente em sede recursal é novidade que o Código de Processo Civil não admite (art. 1.014), absente, na espécie, qualquer invocação de força maior. Em conclusão deste capítulo, curial lembrar que a propriedade está demonstrada pela certidão de fls. 59/66, bastante, não só a obviar a posse, como ainda a satisfazer um dos pilares desta casta de embate, assentada na proteção do (..) terceiro proprietário (..) , consoante prega o § 1º do art. 674 do Código de Formas. (fls. 319). Nesse sentido: "A subsistência de fundamento inatacado apto a manter a conclusão do aresto impugnado impõe o não-conhecimento da pretensão recursal, a teor do entendimento disposto na Súmula n. 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles"". (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.317.285/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de19/12/2018.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.572.038/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp 1.157.074/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 5/8/2020; AgInt no REsp 1.389.204/MG, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no REsp 1.842.047/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; e AgRg nos EAREsp 447.251/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, Corte Especial, DJe de 20/5/2016. Ademais, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.