AREsp 1910182 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o acórdão recorrido assentou-se em fundamentos exclusivamente constitucionais (impedindo revisão via recurso especial), faltou prequestionamento quanto ao disposto no art. 19-A da Lei 8.036/90 e houve deficiência na indicação dos dispositivos legais...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente/agravante: ALEXANDRE DE AGUIAR RAMALHO; Recorrido: Município Recorrido
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial; Conhecido Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade Do Recurso Especial, Prequestionamento, Súmula 282/stf, Súmula 356/stf, Súmula 284/stf, FGTS, Contratos Temporários, Contratações Públicas, Indenização Por Dano Moral, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ALEXANDRE DE AGUIAR RAMALHO
Recorrente/agravante
Município Recorrido
Recorrido
Procedural Posture
Agravo / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial; Conhecido Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 violação do art. 19-A da Lei 8.036/1990 quanto ao FGTS
- 2 nulidade de contratos temporários por ofensa ao art. 37, inciso II, e §2º da CRFB/88
- 3 possibilidade de indenização por dano moral em razão de contratações nulas e não pagamento de verbas
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o acórdão recorrido assentou-se em fundamentos exclusivamente constitucionais (impedindo revisão via recurso especial), faltou prequestionamento quanto ao disposto no art. 19-A da Lei 8.036/90 e houve deficiência na indicação dos dispositivos legais violados quanto ao pedido de dano moral, incorrendo no óbice da Súmula 284/STF; aplicou-se art. 21-E, V, do Regimento Interno do STJ para conhecer do agravo e art. 85, §11, do CPC para majorar honorários em 15%.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, observados os limites legais e eventual concessão de justiça gratuita.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por ALEXANDRE DE AGUIAR RAMALHO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: Indenizatória. Pagamento de FGTS e verba compensatória. Contrato temporário que não é regido pelas regras estatuídas na CLT. Classe excepcional de funcionários públicos. Dentre os direitos gerais previstos no art.7º da CF/88, não há previsão para o FGTS. Precedentes. Sentença que se prestigia. Recurso desprovido. Quanto à primeira controvérsia, alega violação do art. 19-A da Lei 8.036/1990, no que concerne ao direito ao FGTS, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): O V. Acórdão proferido pela Egrégia Décima Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro merece ser reformado por este Egrégio Superior Tribunal de Justiça, eis a ofensa direta ao disposto no artigo 19-A da Lei 8036/90. Conforme exposto pelo autor nos presentes autos, os contratos temporários celebrados com o recorrente são nulos diante das derradeiras e sucessivas contratações realizadas pelo Município Recorrido, eis que evidente não se tratar de necessidade temporária de excepcional interesse público, mas sim de uma necessidade permanente da Administração Pública, o que a obriga à realização de Concurso Público na forma do artigo 37, inciso II, da CRFB/88. Desse modo, as contratações violam o disposto no artigo 37, inciso II, da CRFB/88 e são nulos nos termos do §2º do referido artigo 37. Em se tratando de contratos nulos, deve ser observado o disposto no artigo 19-A da Lei 8036/90, sendo o qual "é devido o depósito de FGTS na conta vinculada do trabalhados cujo contrato de trabalho seja declarado nulo nas hipóteses do artigo 37, §2º, da Constituição Federal, quando mantido o direito ao salário" (fl. 196). Quanto à segunda controvérsia, alega seu direito à indenização por dano moral, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Além disso, o pedido de compensação por dano moral também merece ser julgado procedente, eis que as diversas ilegalidades cometidas pelo recorrido causaram angústia e justa revolta ao recorrente, sendo certo ainda que o recorrido usufruiu da força de trabalho do recorrente, mas não lhe pagou as verbas devidas e ainda celebrou contratos de trabalho nulos (fl. 200). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, é incabível o recurso especial pois interposto contra acórdão com fundamento eminentemente constitucional. Nesse sentido: "Possuindo o julgado fundamento exclusivamente constitucional, descabida se revela a revisão do acórdão pela via do recurso especial, sob pena de usurpação de competência". (AgRg no AREsp 1.532.282/MG, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 19/6/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgRg no REsp 1.302.307/TO, relatora Ministra Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe de 13/5/2013; REsp 1.110.552/CE, relator Ministro Cesar Asfor Rocha, Primeira Seção, DJe de 15/2/2012; AgInt no REsp 1.830.547/DF, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp 1.488.516/SP, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 1º/7/2020; AgInt no AgInt no AREsp 1.484.304/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 25/6/2020; AgInt no AREsp 1.519.322/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 30/10/2019; AgInt no AREsp 1.358.090/SE, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 3/6/2019. Ainda que assim não fosse, incidem os óbices das Súmulas n. 282/STF e 356/STF, uma vez que a questão, sob o viés do dispositivo tido por violado, não foi examinada pela Corte de origem, tampouco foram opostos embargos de declaração para tal fim. Dessa forma, ausente o indispensável requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 9. In casu, o art. 17, do Decreto 3.342/00, não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, nem sequer foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de prequestioná-lo, razão pela qual impõe-se óbice instransponível ao conhecimento do recurso quanto ao aludido dispositivo". (REsp 963.528/PR, relator Ministro Luiz Fux, Corte Especial, DJe de 4/2/2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.160.435/PE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe de 28/4/2011; REsp n. 1.730.826/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 12/2/2019; AgInt no AREsp n. 1.339.926/PR, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 15/2/2019; e AgRg no REsp n. 1.849.115/SC, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23/6/2020. Quanto à segunda controvérsia, por sua vez, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.