AREsp 1984265 - DECISAO
O agravo foi conhecido para, por aplicação da Súmula 284/STF e pela ausência de prova do dissídio jurisprudencial mediante cotejo analítico e indicação precisa de dispositivos legais, não conhecer do recurso especial; procedeu-se ainda à majoração dos honorários advocatícios em 15% nos termos do art. 85, §11, CPC.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: CONDOMINIO EDIFICIO SOLAR DO OESTE; Agravada: CAGECE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade Do Recurso Especial, Dissídio Jurisprudencial, Cotejo Analítico, Súmula 284/stf, Ação Monitória, Tarifa De Água E Hidrômetro, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CONDOMINIO EDIFICIO SOLAR DO OESTE
Agravante
CAGECE
Agravada
Procedural Posture
Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por deficiência de fundamentação nos termos da Súmula 284/STF
- 2 ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial por falta de cotejo analítico
- 3 necessidade de indicação precisa de dispositivos legais para caracterizar dissídio jurisprudencial
Ratio Decidendi
O agravo foi conhecido para, por aplicação da Súmula 284/STF e pela ausência de prova do dissídio jurisprudencial mediante cotejo analítico e indicação precisa de dispositivos legais, não conhecer do recurso especial; procedeu-se ainda à majoração dos honorários advocatícios em 15% nos termos do art. 85, §11, CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conhecer do agravo e não conhecer do recurso especial.
- Majorar os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º e eventual concessão de justiça gratuita.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por CONDOMINIO EDIFICIO SOLAR DO OESTE contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "c" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ, assim resumido: : DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO MONITÓRIA. COBRANÇA DEDÍVIDA REFERENTE AO FORNECIMENTO DE SERVIÇO DE ÁGUA E ESGOTO. FUNDAMENTOS INSUFICIENTES PARA REFORMAR A DECISÃO RECORRIDA. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO.1. SUSTENTA A RECORRENTE QUE A SENTENÇA RECORRIDA DEVE SER REFORMADA, TENDO EM VISTA QUE OS DOCUMENTOS COLACIONADOS PELA CAGECE NÃO SÃO APTOS A SER CONSIDERADOS COMO PROVA ESCRITA,POR TRATAR SE APENAS UMA CONSULTA DE DÉBITO E AVISO DE DÉBITO, DOCUMENTOS PRODUZIDOSUNILATERALMENTE, DOS QUAIS O CONDOMÍNIO RECORRENTE JAMAIS TOMOU CONHECIMENTO.2. DE ACORDO COM A JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, NOS TERMOS DO ART.1.102 ADO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, BASTA PARA A INSTRUÇÃO DA MONITÓRIA PROVA ESCRITA SUFICIENTE PARA,EFETIVAMENTE, INFLUIR NA CONVICÇÃO DO MAGISTRADO. ASSIM, PARA A ADMISSIBILIDADE DA AÇÃOMONITÓRIA, NÃO É NECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE PROVA ROBUSTA, ESTREME DE DÚVIDA, SENDOSUFICIENTE A PRESENÇA DE DADOS IDÔNEOS, AINDA QUE UNILATERAIS, DESDE QUE DELES EXSURJA JUÍZO DE PROBABILIDADE ACERCA DO DIREITO AFIRMADO.3. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. SENTENÇA MANTIDA. Quanto à controvérsia, pela alínea "c" do permissivo constitucional, aponta dissídio jurisprudencial, no que concerne à necessidade de que a tarifa de água seja calculada com base no consumo efetivamente medido no hidrômetro e que a tarifa estimativa de consumo é ilegal por proporcionar enriquecimento ilícito. É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar com precisão quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.616.851/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; AgInt no AREsp 1.518.371/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15/5/2020; AgInt no AREsp 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp 1.023.256/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 24/4/2020; e AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º/4/2020. Ademais, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 05/04/2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16/03/2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/05/2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28/04/2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/05/2021. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.