AREsp 2222166 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a alegação de afronta ao art. 1.022 do CPC foi genérica e desprovida de demonstração da omissão reclamada, atraindo a Súmula 284 do STF, e porque as questões controvertidas foram apreciadas sob fundamento predominantemente constitucional, cuja...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: AMELIA MARIA FERREIRA BORGES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade Do Recurso Especial, Omissão, Contradição E Obscuridade (art. 1.022 Cpc), Súmula 284/stf, Competência Do STF, Decadência Administrativa, Autotutela Administrativa, Precatórios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
AMELIA MARIA FERREIRA BORGES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por alegação genérica de afronta ao art. 1.022 do CPC
- 2 incidência de óbices sumulares (Súmula 7/STJ)
- 3 prevalência de fundamento constitucional no acórdão recorrido, inviabilizando exame pelo STJ
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a alegação de afronta ao art. 1.022 do CPC foi genérica e desprovida de demonstração da omissão reclamada, atraindo a Súmula 284 do STF, e porque as questões controvertidas foram apreciadas sob fundamento predominantemente constitucional, cuja análise pelo STJ invadiria competência reservada ao STF.
Court Disposition
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Sem condenação em honorários advocatícios, nos termos do art. 25 da Lei 12.016/2009 e do enunciado da Súmula 105/STJ.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em análise, agravo em recurso especial interposto por AMELIA MARIA FERREIRA BORGES contra decisão que inadmitiu o recurso especial com fundamento na ausência de ofensa ao art. 1.022 do CPC, bem como na incidência da Súmula 7/STJ. Alega a parte agravante que os pressupostos de admissibilidade do recurso especial foram atendidos, já que "o ato que concedeu os valores é de 13/03/2008, com primeiro pagamento em 01/04/2008, e a revisão teve início somente em 17/08/2017, data de abertura do processo administrativo" (fl. 341). Contrarrazões apresentadas. Atendidos os pressupostos de conhecimento do agravo em recurso especial, passo à análise do recurso especial. O recurso não merece prosperar. Com efeito, "a alegação de afronta ao art. 1.022 do CPC, de forma genérica, sem a efetiva demonstração de omissão do acórdão recorrido no exame de teses imprescindíveis para o julgamento da lide, impede o conhecimento do recurso especial, ante a deficiência na fundamentação (Súmula 284 do STF)" (AgInt no AREsp n. 1.740.605/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 27/11/2023, DJe de 5/12/2023). No caso, a parte recorrente não demonstra, de forma clara, qual seria o ponto omisso, contraditório ou obscuro do acórdão recorrido, bem como a sua importância para o deslinde da controvérsia, o que atrai a aplicação do óbice da Súmula 284 do STF, aplicável, por analogia, no âmbito desta Corte. Em relação aos demais pontos, observa-se que, embora a recorrente aponte a existência de violação a norma infraconstitucional, o acórdão recorrido apreciou a questão sob o enfoque predominantemente constitucional, requerendo análise de dispositivos constitucionais e de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Confira-se o seguinte excerto do aresto de origem (fl. 263): Inicialmente, convém mencionar que a decadência está relacionada ao princípio da segurança jurídica em sua vertente objetiva, de forma a estabelecer limites à retroatividade dos atos do Estado dentro de certo lapso temporal. Nesse contexto, dispõe o art. 54 da Lei 9.784/99 que "o direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé". Por sua vez, a Administração Pública deve declarar a nulidade de atos eivados de vícios de ilegalidade, com base no seu poder de autotutela (Súmula n.º 473 do STF) e em respeito aos princípios constitucionais da moralidade e da legalidade (art. 37, caput da CF/88), de modo que a alegação de decadência administrativa não pode servir como empecilho para o controle estatal de atos ilegais. Precedente: TRF2, 8ª Turma, AC 0168099- 65.2017.4.02.5101, Rel. Des. Fed. MARCELO PEREIRA DA SILVA, DJE 26.6.2019. Desta forma, não compete o exame da pretensão recursal na via do apelo especial por este Superior Tribunal de Justiça, sob pena de invasão de competência constitucionalmente atribuída ao STF. Nesse sentido é o entendimento desta Corte Superior: PROCESSUAL CIVIL E CONSTITUCIONAL. JUROS DE MORA ENTRE A DATA DA EXPEDIÇÃO DO PRECATÓRIO E A DATA DO DEPÓSITO. ACÓRDÃO RECORRIDO COM FUNDAMENTO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM RECURSO ESPECIAL. COMPETÊNCIA DO STF. 1. Em relação à incidência de juros de mora entre a expedição do precatório e o seu efetivo pagamento, verifica-se que o fundamento adotado pelo Corte a quo é eminentemente constitucional, com amparo na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no art. 100 da Carta Magna e na Súmula Vinculante 17. 2. Não cabe ao Superior Tribunal de Justiça examinar a questão, porquanto reverter o julgado significaria usurpar competência que, por expressa determinação do art. 102, III, da Constituição Federal, pertence ao Supremo Tribunal Federal. 3. Recurso Especial não conhecido (REsp n. 1.814.286/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 11/6/2019, DJe de 1/7/2019). ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. PRECATÓRIOS. EC 30/2000. COISA JULGADA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL DO ACÓRDÃO RECORRIDO. RECURSO ESPECIAL. INVIABILIDADE. 1. Inexiste contrariedade ao art. 535 do CPC/1973 quando a Corte de origem decide clara e fundamentadamente todas as questões postas a seu exame. Ademais, não se deve confundir decisão contrária aos interesses da parte com ausência de prestação jurisdicional. 2. O acórdão recorrido entendeu pela inexistência de violação da coisa julgada a partir da interpretação de dispositivos constitucionais (ADCT, art. 78, e EC 30/2000). 3. A análise da fundamentação constitucional do acórdão recorrido é de competência da Suprema Corte, por reserva expressa da Constituição Federal. Precedentes. 4. Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento (AREsp 729.156/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/02/2018, DJe 16/02/2018). Isso posto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, a, do RISTJ, conheço do agravo, para não conhecer do recurso especial. Sem condenação em honorários advocatícios, nos termos do art. 25 da Lei 12.016/2009 e do enunciado da Súmula 105/STJ. Intimem-se. EMENTA