AREsp 2731417 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a parte recorrente não impugnou, de forma específica, o fundamento do acórdão recorrido relativo à falta de informação e à ausência de contrato formal, ônus que lhe competia para afastar o óbice da Súmula n. 283/STF e demonstrar divergência jurisprudencial mediante cotejo...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Pela Quarta Turma Em Sessão Virtual (decisão Colegiada)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno (agravo interno desprovido)
- Legal Topics
- Admissibilidade Do Recurso Especial, Súmula 283/stf, Dever De Informação Ao Consumidor, Impugnação De Fundamentos Do Acórdão, Taxa Média De Mercado
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Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Pela Quarta Turma Em Sessão Virtual (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 Se é admissível recurso especial que não impugna fundamento do acórdão suficiente para mantê-lo (Súmula 283/STF)
- 2 Se houve cumprimento do dever de informação ao consumidor nos contratos bancários (art. 6º, III, CDC)
- 3 Requisitos de cotejo analítico exigidos pelo art. 1.029, §1º, do CPC para conhecimento por alínea 'c' do art. 105 da CF
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a parte recorrente não impugnou, de forma específica, o fundamento do acórdão recorrido relativo à falta de informação e à ausência de contrato formal, ônus que lhe competia para afastar o óbice da Súmula n. 283/STF e demonstrar divergência jurisprudencial mediante cotejo analítico exigido pelo art. 1.029, §1º, do CPC.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno (agravo interno desprovido)
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão agravada e a majoração dos honorários
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 01/04/2025 a 07/04/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA N. 283/STF. DECISÃO MANTIDA. I. Caso em exame 1. Agravo interno interposto contra decisão monocrática que negou provimento a recurso. II. Razões de decidir 2. O recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido suficiente para mantê-lo não deve ser admitido, a teor da Súmula n. 283/STF. III. Dispositivo 3. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno (e-STJ fls. 687/697) interposto contra decisão desta relatoria, que negou provimento ao agravo (e-STJ fls. 680/682). Em suas razões, a parte alega que não se aplica a Súmula n. 283/STF, pois o principal fundamento do acórdão foi o fato de as taxas de juros estarem acima da média de mercado. Argumenta que "a circunstância de a taxa de juros remuneratórios praticada exceder a taxa média do mercado não induz, por si só, à conclusão de cobrança abusiva, consistindo a referida taxa em um referencial a ser considerado, e não em um limite que deva ser necessariamente observado pelas instituições financeiras" (e-STJ fl. 690). Ao final, pede a reconsideração da decisão monocrática ou a apreciação do agravo pelo Colegiado. A parte agravada não apresentou impugnação (e-STJ fl. 701). É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA N. 283/STF. DECISÃO MANTIDA. I. Caso em exame 1. Agravo interno interposto contra decisão monocrática que negou provimento a recurso. II. Razões de decidir 2. O recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido suficiente para mantê-lo não deve ser admitido, a teor da Súmula n. 283/STF. III. Dispositivo 3. Agravo interno desprovido. VOTO A insurgência não merece acolhida. A parte não trouxe nenhum argumento capaz de afastar os termos da decisão agravada, motivo pelo qual deve ser mantida por seus próprios fundamentos (e-STJ fls. 680/682): Trata-se de agravo interno (e-STJ fls. 664/668) interposto contra decisão da Presidência desta Corte que não conheceu do agravo em recurso especial (e-STJ fls. 655/660). Em suas razões, a parte agravante aduz que indicou o dispositivo violado. Ao final, pede a reconsideração da decisão ou a apreciação do agravo pelo Colegiado. Sem contrarrazões (e-STJ fl. 672). É o relatório. Decido. A parte recorrente demonstrou a inaplicabilidade da Súmula n. 284/STF. Assim, reconsidero a decisão agravada, proferida pela Presidência do STJ, e passo a novo exame do recurso. Na origem, o recurso especial foi inadmitido em virtude da incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ (e-STJ fls. 628/634). O acórdão recorrido está assim ementado (e-STJ fls. 499/500): CIVIL, CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL EM AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. AUSÊNCIA DE CONTRATO FORMAL. CARÊNCIA DE INFORMAÇÕES AO CONSUMIDOR. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. TAXA DE JUROS REMUNERATÓRIOS QUE NÃO FOI INFORMADA. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DE JUROS QUE EXIGE EXPRESSA PACTUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE VERIFICAÇÃO DA TAXA DE JUROS EFETIVAMENTE CONTRATADA PELA FALTA DE JUNTADA DO CONTRATO. APLICAÇÃO DA TAXA MÉDIA DE MERCADO. SÚMULA 530 DO STJ. ABUSIVIDADE EVIDENCIADA. PLEITO DE EXCLUSÃO DA APLICAÇÃO DO MÉTODO GAUSS. MATEMÁTICA FINANCEIRA. QUESTÃO A SER DEFINIDA POR MEIO DE PROVA TÉCNICA EM LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. DIFERENÇA DE "TROCO". VALOR JÁ RECALCULADO. APELAÇÃO CONHECIDA E PARCIALMENTE PROVIDA. Os embargos de declaração foram parcialmente acolhidos (e-STJ fls. 602/609). Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 611/619), fundamentado no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a parte recorrente apontou dissídio jurisprudencial e ofensa ao art. 51, § 1º, do CDC, defendendo que "não há qualquer abusividade na relação entre as partes apta a permitir a revisão das taxas de juros pactuadas" (e-STJ fl. 614). Aduz que a "utilização somente das taxas divulgadas pelo Banco Central do Brasil como parâmetro único para a indicação da prática de juros abusivos não pode ser aceita, pois em manifesto desacordo com a orientação firmada no REsp 1.061.530/RS", e que "o simples fato de a taxa efetiva cobrada no contrato estar acima da taxa média de mercado não significa, por si só, abuso" (e-STJ fl. 616). A insurgência não merece prosperar. Quanto à abusividade, a parte recorrente deixou de impugnar, de forma específica, o seguinte fundamento do acórdão (e-STJ fl. 504): Assim, não ficou devidamente comprovado o atendimento ao dever de informação ao consumidor. Não há nos autos contrato formal, escrito, apenas áudio no qual a atendente da instituição financeira apresenta de forma muito sumária as condições do negócio, basicamente, o valor do empréstimo disponibilizado e a quantidade e o valor de cada parcela, não havendo qualquer informação sobre a taxa de juros, mensal ou anual, muito menos do custo efetivo total para o consumidor. O direito básico do consumidor à informação corresponde ao dever das instituições financeiras de apresentar informações claras e adequadas sobre os produtos por elas ofertados, a teor do art. 6º, III, do CDC. O cumprimento desse dever depende da forma como o fornecedor de serviços, no caso, o banco, apresenta as informações do contrato ao consumidor, devendo ele levar em conta as condições específicas de cada um, tornando compreensível para o contratante hipossuficiente os detalhes do contrato em negociação. A carência de informação clara e adequada ao entendimento do consumidor normalmente redunda em vantagem obtida pela instituição financeira sobre a fragilidade ou ignorância do consumidor, o que é considerada prática abusiva, nos termos do art. 39, IV do CDC. Incidência da Súmula n. 283/STF. Para o conhecimento do recurso especial com base na alínea "c" do permissivo constitucional, seria indisp ensável demonstrar, por meio de cotejo analítico, que a decisão recorrida e os paradigmas tiveram por base as premissas fáticas semelhantes e soluções jurídicas diversas. Contudo, a parte recorrente não se desobrigou desse ônus, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC, pois não realizou o devido cotejo. Ante o exposto, reconsidero a decisão da Presidência desta Corte (e-STJ fls. 655/660) para CONHECER do agravo nos próprios autos e NEGAR-LHE PROVIMENTO. Mantida a majoração dos honorários aplicada pela decisão agravada. Publique-se e intimem-se. O Tribunal de origem entendeu que houve falha no dever de informação acerca dos custos do contrato. No entanto, a parte agravante não refutou esse fundamento, razão pela qual foi correta a aplicação da Súmula n. 283/STF. Ressalte-se que a impugnação apenas em sede de agravo interno não é suficiente para afastar o óbice verificado. Assim, não prosperam as alegações constantes no recurso, incapazes de alterar os fundamentos da decisão impugnada. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É como voto.