AREsp 2861101 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque as questões apontadas pelo recorrente foram apreciadas sob fundamento predominantemente constitucional, exigindo exame de matéria de competência do Supremo Tribunal Federal, não sendo possível a revisão por recurso especial; majoraram-se os...
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- Parties
- Recorrente/agravante: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL; Associação Autora: ANFIP
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Admissibilidade Do Recurso Especial, Competência Jurisdicional Federal, Efeitos Territoriais De Sentença Coletiva, Honorários Advocatícios
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente/agravante
ANFIP
Associação Autora
Procedural Posture
Agravo / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 possibilidade de exame em recurso especial de matéria eminentemente constitucional
- 2 limitação territorial dos efeitos do julgado em ação coletiva
- 3 ofensa reflexa à legislação federal não comporta recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque as questões apontadas pelo recorrente foram apreciadas sob fundamento predominantemente constitucional, exigindo exame de matéria de competência do Supremo Tribunal Federal, não sendo possível a revisão por recurso especial; majoraram-se os honorários em 2% com fundamento no art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial
Orders
- Majoro os honorários advocatícios em 2% com fundamento no art. 85, § 11, do CPC, observados os limites do § 3º e eventual concessão da gratuidade da justiça.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Em análise, agravo contra decisão que inadmitiu o recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, com fundamento na impossibilidade de apreciação, em recurso especial, de violação de norma constitucional. Em suas razões recursais, a parte agravante sustenta o preenchimento dos requisitos de admissibilidade do recurso especial, argumentando que o aresto violou a legislação indicada no apelo , destacando que "o disposto no art. 109, §2º, da CF não conflita com os dispositivos da legislação federal mencionados neste recurso especial, que devem ser aplicados ao caso concreto" (fl. 835). Contraminuta apresentada. É o relatório. Passo a decidir. Atendidos os pressupostos de conhecimento do agravo, passo à análise do recurso especial, que não merece prosperar. Nas razões do recurso especial, interposto com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, a parte recorrente aponta violação ao art. 16 da Lei 7.347/1985, art. 2º-A da Lei 9.494/1997, art. 11 da Lei 5.010/1996, e arts. 42, 44 e 927, III, do CPC/2015. Busca "reconhecer que a Seção Judiciária do Distrito Federal tem jurisdição sobre os limites territoriais do Distrito Federal, a fim de que, com a aplicação do precedente formado no Tema 499 de Repercussão Geral do STF, sejam os beneficiários do título limitados àqueles que residiam no DF à época da propositura da ação coletiva de conhecimento pela ANFIP" (fl. 798). No caso, o Tribunal de origem dirimiu as questões pertinentes ao litígio de forma suficientemente ampla e fundamentada, consignando que "não há que se falar em limitação dos efeitos do julgado ao âmbito territorial do órgão prolator, haja vista que, por força do art. 109, § 2º, da Constituição Federal, o Juízo Federal da Seccional do Distrito Federal possui competência em todo o território nacional, limitando-se a eficácia do julgado apenas à abrangência da associação autora, que, no caso em questão, é nacional" (fl. 610). Com efeito, obser va-se que, embora o recorrente aponte a existência de violação a normas infraconstitucionais, o acórdão recorrido apreciou a questão sob o enfoque predominantemente constitucional, requerendo análise de dispositivos constitucionais e de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Desta forma, portanto, não compete o exame da pretensão recursal na via do apelo especial por este Superior Tribunal de Justiça, sob pena de usurpação dos poderes conferidos à Suprema Corte. Nesse sentido é o entendimento desta Corte Superior: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDORES DO EXTINTO TERRITÓRIO DE RONDÔNIA. TRANSPOSIÇÃO FUNCIONAL PARA QUADRO EM EXTINÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. ART. 89 DO ADCT. TRIBUNAL DE ORIGEM QUE RECONHECE A POSSIBILIDADE DE PAGAMENTO RETROATIVO DE DIFERENÇAS REMUNERATÓRIAS DIANTE DAS DISPOSIÇÕES DAS EMENDAS CONSTITUCIONAIS N. 60/2009 E 79/2014. ALEGADA OFENSA AO ART. 2º DA LEI 12.800/13. TESE RECURSAL EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. VIOLAÇÃO REFLEXA DE LEI FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. "O recurso especial possui fundamentação vinculada, não se constituindo em instrumento processual destinado a revisar acórdão com base em fundamentos eminentemente constitucionais, tendo em vista a necessidade de interpretação de matéria de competência exclusiva da Suprema Corte". (AgInt no REsp n. 2.126.362/RS, rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 5/9/2024) 2. "Eventual alteração do julgado importaria em evidente interpretação do entendimento proferido pelo Pretório Excelso, o que leva impreterivelmente ao exame de matéria constitucional, cuja competência é do STF (art. 102 da CF), sendo eventual ofensa à legislação federal meramente reflexa ou indireta, não legitimando a interposição de recurso especial". (AgInt no AREsp n. 1.880.784/MS, rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 9/12/2021) 3. Agravo interno a que se nega provimento (AgInt no AREsp n. 2.596.253/RO, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, julgado em 21/10/2024, DJe de 25/10/2024). ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. IMÓVEL DOTADO DE RELEVÂNCIA HISTÓRICA E CULTURAL. DANO AMBIENTAL. INDENIZAÇÃO. DANO MORAL COLETIVO. CABIMENTO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, MAS DE EXECUÇÃO SUBSIDIÁRIA. SÚMULA 652/STJ. ACÓRDÃO COM FUNDAMENTO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. ANÁLISE EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. .. 3. Verifica-se que a controvérsia relativa ao bem inventariado como patrimônio histórico foi dirimida com base em fundamentação eminentemente constitucional, matéria insuscetível de análise na via do recurso especial, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. Agravo interno não provido (AgInt no REsp n. 1.992.847/MG, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 21/10/2024, DJe de 25/10/2024). Isso posto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, a, do RISTJ, conheço do agravo, para não conhecer do recurso especial. Majoro os honorários advocatícios em 2% (dois por cento), com fundamento no art. 85, § 11, do CPC, observados os limites percentuais previstos no § 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Intimem-se. EMENTA