AREsp 2919213 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a via eleita era inadequada para alegação constitucional, faltou o prequestionamento sobre os dispositivos federais suscitados e não houve indicação clara do dispositivo de lei federal supostamente violado, nos termos das súmulas do STF e da...
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- Parties
- Agravante: MARIA DO CARMO JOAQUIM
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Interlocutória Conhecido Para Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade Do Recurso Especial, Prequestionamento, Via Eleita Inadequada, Tema 1.150/stf, Súmulas Do STF, Inversão Do Ônus Sucumbencial, Honorários Advocatícios
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Parties
MARIA DO CARMO JOAQUIM
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Interlocutória Conhecido Para Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 adequação da via recursal para alegação de ofensa constitucional (art. 93, IX, CF)
- 2 necessidade de prequestionamento para conhecimento do recurso especial
- 3 indicação de dispositivo de lei federal violado para admissibilidade do recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a via eleita era inadequada para alegação constitucional, faltou o prequestionamento sobre os dispositivos federais suscitados e não houve indicação clara do dispositivo de lei federal supostamente violado, nos termos das súmulas do STF e da jurisprudência do STJ; consequentemente, negou-se seguimento ao recurso especial e majoraram-se os honorários conforme art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoro os honorários advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, §11, do CPC, respeitados os limites dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, bem como eventual concessão da gratuidade de justiça.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por MARIA DO CARMO JOAQUIM de decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ, que inadmitiu recurso especial dirigido contra o acórdão prolatado na Apelação Cível n. 0011199-53.2021.8.16.0069, assim ementado (fls. 695-696): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA. SERVIDORA PÚBLICA MUNICIPAL. AUXILIAR DE ENFERMAGEM. APOSENTADORIA VOLUNTÁRIA PELO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. PRETENSÃO DE REINTEGRAÇÃO NO CARGO PÚBLICO. IMPOSSIBILIDADE. LEI MUNICIPAL QUE PREVÊ A APOSENTADORIA COMO HIPÓTESE DE VACÂNCIA DO CARGO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIO PROCESSO ADMINISTRATIVO. INEXISTÊNCIA DE AFRONTA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. HIPÓTESE QUE NÃO SE CONFUNDE COM CUMULAÇÃO DE PROVENTOS DO ART. 37, §10, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INDENIZAÇÕES INDEVIDAS PORQUE COMPROVADA A LEGALIDADE DO ATO DE EXONERAÇÃO. SENTENÇA MANTIDA. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS RECURSAIS (ART. 85, §11º, DO CPC). RECURSO DESPROVIDO. Nas razões do apelo nobre, interposto com fundamentado no art. 105, inciso III, alíneas a e c, da Constituição Federal, além do dissídio jurisprudencial, a parte agravante menciona como violados os arts. 2º, § 2º, e 6º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), art. 93, inciso IX, da CF, e os arts. 1º, 3º e 8º, do Código de Processo Civil. Requer, assim, o provimento do recurso especial (fls. 756-770). Não foram apresentadas contrarrazões ao recurso (fls. 772-773). No exame de admissibilidade na origem, o apelo nobre foi inadmitido pela incidência do óbice da via eleita inadequada no tocante a alegada violação ao art. 93, IX, da CF; a controvérsia foi dirimida com base no Tema 1.150/STF, ou seja, sob viés constitucional; Súmulas n. 282 e 356 do STF, haja vista a ausência de prequestionamento dos artigos citados como violados; Súmula n. 284 do STF, diante da ausência de mencionar dispositivos de lei federal eventualmente violados no tocante à aplicação do Regime Próprio de Previdência dos Servidores do Município de Jussara e à inversão do ônus sucumbencial e, subsidiariamente, redução do importe dos honorário. Razões do agravo em recurso especial (fls. 885-894). Não foi apresentada contraminuta ao agravo (fls. 896-897). É o relatório. Decido. Constatadas as condições para o conhecimento do agravo, passo à análise do recurso especial. Inicialmente, no tocante ao art. 93, IX, da CF, a via do recurso especial, destinada a uniformizar a interpretação do direito federal infraconstitucional, não se presta à análise da alegação de ofensa a dispositivo da Constituição da República. A propósito: AgInt no AREsp n. 2.298.562/PR, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 11/12/2023; AgInt no AREsp n. 2.085.690/PR, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 13/11/2023, DJe de 17/11/2023. Ademais, não se conhece de recurso especial em que se alega violação ou interpretação divergente de Tema Repetitivo, na medida em que, nos termos do art. 105, inciso III, alíneas a e c, da Constituição Federal, o recorrente deve demonstrar contrariedade, negativa de vigência ou interpretação divergente a artigo de lei federal. No mesmo sentido: AgInt no AgInt no AREsp n. 2.597.940/GO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 18/11/2024, DJe de 22/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.461.770/TO, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 29/2/2024; AgInt no AREsp 2.243.619/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023. No mais, o Tribunal de origem não apreciou as teses expostas nos arts. 2º, § 2º e 6º, ambos da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, e 1º, 3º e 8º, todos do CPC, e a parte recorrente não suscitou a questão em seus embargos de declaração, motivo pelo qual está ausente o necessário prequestionamento, nos termos das Súmulas n. 282 do STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada") e 356 do STF ("O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento"). Ressalta-se que mesmo nos casos em que a suposta ofensa à lei federal tenha surgido na prolação do acórdão recorrido, é indispensável a oposição de embargos de declaração para que a Corte de origem se manifeste sobre o tema a ser veiculado no recurso especial, ainda que se cuide matéria de ordem pública. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.064.207/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 28/8/2023, DJe de 31/8/2023; AgInt no REsp n. 2.024.868/PR, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 28/8/2023, DJe de 31/8/2023. Outrossim, no tocante à aplicação do Regime Próprio de Previdência dos Servidores do Município de Jussara e à inversão do ônus sucumbencial e, subsidiariamente, redução do importe dos honorários, as razões do recurso especial não indicaram o dispositivo de lei federal supostamente violado ou cuja vigência teria sido negada, o que caracteriza a ausência de delimitação da controvérsia, atraindo a incidência da Súmula n. 284 do STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"). Cabe ressaltar que a simples menção a artigos de lei ou a dissertação sobre atos normativos não se presta a atender ao requisito de admissão do recurso especial, consistente na indicação clara e inequívoca do dispositivo de lei federal ou tratado que se considera violado, o que se mostra indispensável, diante da natureza vinculada do recurso. No mesmo sentido: AgInt no REsp n. 1.861.859/ES, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 20/11/2023, DJe de 27/11/2023; AgInt no REsp n. 1.891.181/SC, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 18/12/2023. Por fim, fica obstada a análise do dissídio jurisprudencial, tendo em vista à existência de óbice processual impedindo o conhecimento de questão suscitada pela alínea a do permissivo constitucional, o que prejudica a análise da divergência acerca do tema. Sobre a questão: AgInt no REsp n. 2.097.947/MG, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 11/3/2024, DJe de 14/3/2024; e AgInt no AREsp n. 2.280.310/SE, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, julgado em 4/3/2024, DJe de 6/3/2024. Ante o exposto, com fundamento no art. 932 do CPC , CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial. Em atenção ao disposto no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor já arbitrado (fl. 725), respeitados os limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, bem como eventual concessão da gratuidade d e justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSO CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDORA PÚBLICA MUNICIPAL. AUXILIAR DE ENFERMAGEM. APOSENTADORIA VOLUNTÁRIA PELO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. PRETENSÃO DE REINTEGRAÇÃO NO CARGO PÚBLICO. ALEGADA VIOLAÇÃO A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. VIA ELEITA INADEQUADA. ALEGADA VIOLAÇÃO AO TEMA N. 1.150 DO STF. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO VIOLADO. SÚMULA N. 284 DO STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. ANÁLISE PREJUDICADA. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL.