AREsp 2773216 - DECISAO
O Tribunal de origem apreciou integralmente a controvérsia e expôs fundamentação suficiente quanto à responsabilidade e ao quantum indenizatório, não havendo omissão ou negativa de prestação jurisdicional nos termos alegados; assim, conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial, mantendo-se a...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: SANTANA TEXTIL MATO GROSSO S.A - EM RECUPERACAO JUDICIAL; Órgão Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Negativa De Provimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade Do Recurso Especial, Fundamentação Das Decisões (arts. 489 E 1.022 Cpc/2015), Quantum Indenizatório Por Dano Ambiental, Responsabilidade Ambiental Objetiva
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
SANTANA TEXTIL MATO GROSSO S.A - EM RECUPERACAO JUDICIAL
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO
Órgão Recorrido
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Negativa De Provimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Alegada ausência de fundamentação do acórdão recorrido quanto aos critérios para quantificação do dano ambiental (arts. 489 e 1.022 do CPC/2015)
- 2 Existência de critérios para fixação do quantum indenizatório por dano ambiental e se foram aplicados pelo juízo a quo
- 3 Se decisão contrária ao interesse da parte configura ausência de prestação jurisdicional
Ratio Decidendi
O Tribunal de origem apreciou integralmente a controvérsia e expôs fundamentação suficiente quanto à responsabilidade e ao quantum indenizatório, não havendo omissão ou negativa de prestação jurisdicional nos termos alegados; assim, conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial, mantendo-se a análise do Tribunal a quo sobre a fixação do valor da indenização ambiental conforme critérios de gravidade, capacidade financeira, compensação e caráter pedagógico.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Negado provimento ao recurso especial.
- Majoração de honorários advocatícios em 10% sobre o valor já arbitrado, em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por SANTANA TEXTIL MATO GROSSO S.A - EM RECUPERACAO JUDICIAL contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO que não admitiu recurso especia l fundado na alínea "a" do permissivo constitucional, que desafia acórdão assim ementado (e-STJ fls. 977/978): PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO - RECURSOS DE APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO CIVIL PÚBLICA - AMBIENTAL - PRELIMINAR - REJEITADA - MÉRITO - INFRAÇÃO AMBIENTAL CONFIGURADA - DESCARTE IRREGULAR DE EFLUENTES NÃO TRATADOS NOS CORPOS HÍDRICOS DE RONDONÓPOLIS - RISCOS AO MEIO AMBIENTE E À SAÚDE PÚBLICA - RESPONSABILIDADE AMBIENTAL OBJETIVA - DEVER DE REPARAÇÃO - DANO MATERIAL - REQUISITO DE PROPORCIONALIDADE - RECURSOS DESPROVIDOS - SENTENÇA RATIFICADA. A ausência de tratamento adequado de esgoto sanitário e o lançamento de dejetos em rios ou córregos podem ocasionar graves danos ambientais, afetando o equilíbrio do ecossistema local e favorecendo a proliferação de doenças infectocontagiosas. Comprovada a omissão do ente público, em providenciar a devida coleta e tratamento de esgoto, para que cesse o despejo irregular de resíduos em rios/córregos do Município, evitando-se danos ao meio ambiente e à saúde pública, impende ao Judiciário impor ao ente responsável o cumprimento da obrigação em prazo razoável e adequado, sem que isso importe em violação ao princípio da separação dos poderes. Comprovada a ocorrência de dano ambiental, deve ser mantida a sentença que condenou a parte requerida ao pagamento de indenização por dano ambiental material. Em vista da inexistência de critérios objetivos para a fixação do valor da indenização por danos ao meio ambiente, deve o julgador ater-se à gravidade do fato, à capacidade financeira da parte, à compensação pelo dano causado e ao caráter pedagógico da medida, além de se valer dos critérios da razoabilidade e da proporcionalidade, o que, no caso, implica a manutenção do valor estabelecido. Embargos de declaração rejeitados (e-STJ fls. 1049/1054). No recurso especial obstaculizado, a parte recorrente apontou violação dos arts. 489, § 1º, III e IV e 1.022, II, do CPC/2015, aduzindo, preliminarmente, a nulidade do julgado por ausência de fundamentação e por negativa de prestação jurisdicional, argumentando que o Tribunal local não indicou os critérios utilizados para a quantificação do dano ambiental. Prossegue a parte mencionando que o julgado externou tão somente os motivos que ensejaram a responsabilidade ambiental, sem mencionar os parâmetros para a fixação dos valores indenizatórios. Contrarrazões às e-STJ fls. 1141/1146. O apelo nobre recebeu juízo negativo de admissibilidade pelo Tribunal de origem, tendo sido os fundamentos da aludida decisão atacados no recurso ora em exame. Parecer ministerial às e-STJ fls. 1209/1214. Passo a decidir. Em relação à alegada ofensa dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, cumpre destacar que, ainda que o recorrente considere insubsistente ou incorreta a fundamentação utilizada pelo Tribunal nos julgamentos realizados, não há necessariamente ausência de manifestação. Não há como confundir o resultado desfavorável ao litigante com a falta de fundamentação, motivo pelo qual não se constata violação dos preceitos apontados. Consoante entendimento desta Corte, o magistrado não está obrigado a responder a todas as alegações das partes, tampouco a rebater um a um todos os seus argumentos, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como ocorre na espécie. Nesse sentido: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. DESAPROPRIAÇÃO. JULGAMENTO ULTRA PETITA. CONTROVÉRSIA RESOLVIDA, PELO TRIBUNAL DE ORIGEM, À LUZ DAS PROVAS DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO, NA VIA ESPECIAL. RAZÕES DO AGRAVO QUE NÃO IMPUGNAM, ESPECIFICAMENTE, A DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS, NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INCONFORMISMO. AGRAVO INTERNO PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESSA EXTENSÃO, IMPROVIDO. I. Agravo interno aviado contra decisão que julgara recurso interposto contra decisum publicado na vigência do CPC/2015. .. IV. Não há falar, na hipótese, em violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC/2015, porquanto a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, de vez que os votos condutores do acórdão recorrido e do acórdão proferido em sede de Embargos de Declaração apreciaram fundamentadamente, de modo coerente e completo, as questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo, solução jurídica diversa da pretendida. V. Na forma da jurisprudência do STJ, não se pode confundir decisão contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional. Nesse sentido: STJ, EDcl no REsp 1.816.457/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 18/05/2020; AREsp 1.362.670/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 31/10/2018; REsp 801.101/MG, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 23/04/2008. VI. Agravo interno parcialmente conhecido, e, nessa extensão, improvido. (AgInt no AREsp n. 2.084.089/RO, Relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 12/9/2022, DJe de 15/9/2022.) No caso, o Tribunal de origem decidiu integralmente a controvérsia, nos seguintes termos (e-STJ fls. 989/990): Por fim, no que tange ao quantum indenizatório, diante da inexistência de qualquer critério legal objetivo para a sua fixação, cabe ao Juiz sopesar a gravidade da situação, a capacidade financeira da parte, a compensação pelo dano causado, bem como o caráter pedagógico da medida, a fim de desestimular o ofensor a repetir sua conduta. No caso em tela, a condenação dos Apelantes deu-se em razão do lançamento de efluentes industriais não tratados corretamente na rede pública municipal de esgoto. Nota-se que o dano ambiental provocado é de grande proporção, visto que houve impacto em toda a coletividade, o que se observa, inclusive, diante da notícia de "inúmeras reclamações feitas por moradores da região do bairro Jardim Iguaçu, situados nas proximidades do Estádio Municipal Engenheiro Luthero Lopes e Avenida Brasil, dando conta da existência de extravasamento de efluente líquido de coloração azulada em via pública proveniente da empresa Santana Têxtil Mato Grosso " (id. 176700701, fl. 28). S. A. Ainda, conforme bem pontuado em parecer ministerial, deve-se observar que "o despejo de esgoto a céu aberto sem o tratamento e destinação adequados, ameaça políticas de saúde pública, haja vista a contaminação do solo, rios e nascentes contribuindo não só para a destruição de recursos naturais, mas também para a proliferação de doenças entre a população". Considerando os critérios alhures mencionados, penso que o montante arbitrado pelo Magistrado a quo, a título de indenização, observou devidamente as nuances do caso concreto, pois assim compensará a injusta e intolerável lesão de um direito extrapatrimonial da coletividade e inibirá as condutas ofensivas aos direitos transindividuais. A respeito da controvérsia, o Ministério Público Federal se manifestou de forma contrária ao pleito da parte recorrente, entendendo que não há omissão a ser sanada, conforme se verifica às e-STJ fls. 1213/1214: 15. Aduz o recorrente que o acórdão recorrido carece de ausência de fundamentação na fixação do quantum indenizatório. 16. Contudo, observa-se dos autos que a Corte Estadual examinou expressamente a matéria posta em Juízo, de forma clara, objetiva e suficiente, embora concluindo contrariamente à pretensão do recorrente. (..) 18. Não há omissão a sanar. O Tribunal a quo decidiu o caso expondo fundamentadamente as razões de seu convencimento. Dessa feita, não merece prosperar a alegada ofensa aos arts. 489 e 1.022, do CPC/2015, uma vez que não se vislumbra nenhum equívoco ou deficiência na fundamentação contida no acórdão recorrido, sendo possível observar que o Tribunal de origem apreciou integralmente a controvérsia, apontando as razões de seu convencimento de forma escorreita. Ante o exposto, com base no art. 253, parágrafo único, II, "b", do RISTJ, CONHEÇO do agravo para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários de advogado pelas instâncias de origem, determino a majoração de tal verba, em desfavor da parte recorrente, no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA