AREsp 2840273 - DECISAO
O Tribunal conheceu do agravo e não conheceu do Recurso Especial porque a primeira questão não foi apreciada pelo tribunal a quo, faltando prequestionamento (Súmula 211/STJ), e a segunda questão exigiria reexame do acervo fático-probatório, vedado em recurso especial (Súmula 7/STJ). Consequentemente, o recurso...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE AMARANTE DO MARANHÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial
- Legal Topics
- Admissibilidade Do Recurso Especial, Prequestionamento (súmula 211/stj), Reexame De Prova (súmula 7/stj), Ônus Da Prova (art. 373, I, Cpc), Embargos De Declaração, Honorários Advocatícios, Verbas Salariais De Servidor Comissionado (13º Salário E Férias Proporcionais)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MUNICÍPIO DE AMARANTE DO MARANHÃO
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 violação do art. 489, § 1º, IV, do CPC (ausência de fundamentação)
- 2 violação dos arts. 320 e 373, I, do CPC (ônus da prova)
- 3 prequestionamento para Recurso Especial
Ratio Decidendi
O Tribunal conheceu do agravo e não conheceu do Recurso Especial porque a primeira questão não foi apreciada pelo tribunal a quo, faltando prequestionamento (Súmula 211/STJ), e a segunda questão exigiria reexame do acervo fático-probatório, vedado em recurso especial (Súmula 7/STJ). Consequentemente, o recurso especial foi inadmitido, e foram majorados os honorários advocatícios em 15% nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial
Orders
- Conheço do Agravo
- Não conheço do Recurso Especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por MUNICÍPIO DE AMARANTE DO MARANHÃO à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA. VERBAS SALARIAIS. CARGO COMISSIONADO. SENTENÇA MANTIDA. 1. COMPROVADO O VÍNCULO FUNCIONAL E O TEMPO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO, O SERVIDOR COMISSIONADO FAZ JUS 13º SALÁRIO E FÉRIAS MAIS 1/3, RAZÃO PELA QUAL RECONHEÇO O DIREITO DO RECORRIDO Ã INDENIZAÇÃO DO VALOR CORRESPONDENTE ÀS VERBAS SUSOMENCIONADAS, NÃO PAGAS DURANTE TODO O PERÍODO EM QUE ESTEVE NO DESEMPENHO DE SUAS FUNÇÕES. 2. RECURSO DESPROVIDO. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação do art. 489, § 1º, IV, do CPC, no que concerne à nulidade do aresto objurgado em virtude da deficiência de sua fundamentação, que "deixou de enfrentar a questão interna corporis na via dos Embargos de Declaração, qual seja: a ausência de fato constitutivo do direito da autora" (fl. 176). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação dos arts. 320 e 373, I, do CPC, no que concerne à ausência de comprovação pela parte adversa do fato constitutivo do seu direito, porquanto, "o fato de não ter o Município juntado comprovaç ão de que foi, efetivamente, realizado o pagamento conforme buscado na inicial, não torna, automaticamente, a alegação da parte autora verdadeira, simplesmente porque ela juntou termo de posse que demonstra seu vínculo com a municipalidade" (fl. 178). É o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, incide a Súmula n. 211/STJ, porquanto a questão não foi examinada pela Corte de origem, a despeito da oposição de Embargos de Declaração. Assim, ausente o requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo - Súmula n. 211 - STJ". (AgRg no EREsp n. 1.138.634/RS, Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Corte Especial, DJe de 19.10.2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgRg nos EREsp n. 554.089/MG, Rel. Ministro Humberto Gomes de Barros, Corte Especial, DJ de 29.8.2005; AgInt no AREsp n. 1.264.021/SP, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 1º.3.2019; AgInt no AREsp n. 953.171/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 23.8.2022; AgInt no AREsp n. 1.506.939/MS, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 26.8.2022; AgRg no AREsp 1.647.409/SC, Rel. Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 1º.7.2020; AgRg no REsp n. 1.850.296/PR, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 18.12.2020; AgRg no REsp n. 2.004.417/MT, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 16.8.2022. Quanto à segunda controvérsia, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: Conforme relatado, a controvérsia recursal diz respeito ao efetivo labor junto ao município e o direito ou não ao pagamento do 13º salário proporcional e férias proporcionais acrescidas de 1/3, relativo ao período de janeiro a outubro/2016. O juiz de 1º grau, julgou parcialmente procedentes os pedidos formulados na inicial, entendimento que, a meu sentir, merece ser mantido. É que, o ora apelado, entendo, se desincumbiu do ônus que era seu, nos termos do art. 373 I, do CPC, de comprovar que desempenhou a função operador de máquinas pesadas, junto à Prefeitura Municipal de Amarante do Maranhão, e que deixou de receber 13º salário proporcional e férias proporcionais a que faz jus, conforme a documentação constante no Ids. 14210476 (págs. 07/15). Assim, depreende-se dos autos, que o apelante não logrou êxito em desconstituir as provas juntadas pelo recorrido, demonstrando que efetuou o pagamento das verbas pleiteadas a que o mesmo faz jus, como os proporcionais de 13º salário e de férias acrescidas de 1/3 referente ao ano de 2016. .. Diante de todas essas ponderações, fica claro que a pretensão de reformar a sentença de 1º grau, não merece qualquer guarida (fls. 84-85, grifos meus). Asseverou ainda o TJ/MA, em sede de embargos de declaração, que: Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do presente agravo e passo a examinar as razões apresentadas, informando de logo, que a meu sentir, o mesmo não merece provimento. É que as razões apresentadas no agravo interno não trazem quaisquer elementos novos capazes de alterar o posicionamento firmado na decisão agravada, se resumindo a reiterar as mesmas alegações da apelação desprovida, com a mera pretensão de rediscutir matéria já apreciada, como de direito, o que não é possível neste momento, a teor do disposto no § 1º do art. 1.021, do CPC, que assim diz: "Na petição de agravo interno, o recorrente impugnará especificadamente os fundamentos da decisão agravada", o que não ocorreu no caso. No presente caso, o município, ora agravante, alega que a decisão recorrida merece reforma, pois não restou demonstrado a presença do fato constitutivo do direito do autor, sendo assim desarrazoado que se condene a Fazenda Pública ao pagamento de valores indevidos, o que entendo não merecer acolhida, uma vez que as matérias deduzidas já foram devidamente enfrentadas (fl. 116, grifos meus). Assim, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Destarte: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, Rel. Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7.3.2019.) A propósito: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º.9.2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21.8.2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16.10.2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA