AREsp 2916797 - ACORDAO
O recurso especial não foi conhecido por ausência de indicação clara e objetiva do dispositivo de lei federal supostamente violado nas razões recursais, o que atrai, por analogia, a incidência da Súmula n. 284 do STF, razão pela qual se negou provimento ao agravo interno.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: JOSE EVERALDO PIRES TEIXEIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 October 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Julgamento Colegiado (segunda Turma, Sessão Virtual)
- Outcome
- Nego provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Admissibilidade Do Recurso Especial, Súmula 284 Do STF, Fundamentação Do Recurso
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Parties
JOSE EVERALDO PIRES TEIXEIRA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Julgamento Colegiado (segunda Turma, Sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 indicação clara e específica do dispositivo de lei federal supostamente violado
- 2 incidência da Súmula n. 284 do STF por deficiência de fundamentação
- 3 inadmissibilidade do recurso especial por ausência de delimitação da controvérsia
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido por ausência de indicação clara e objetiva do dispositivo de lei federal supostamente violado nas razões recursais, o que atrai, por analogia, a incidência da Súmula n. 284 do STF, razão pela qual se negou provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo interno.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a decisão que não conheceu do recurso especial por incidência da Súmula n. 284 do STF.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 16/10/2025 a 22/10/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Afrânio Vilela, Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura e Marco Aurélio Bellizze votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INDICAÇÃO GENÉRICA DOS DISPOSITIVOS SUPOSTAMENTE VIOLADOS. SÚMULA N. 284 DO STF. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. As razões do recurso especial não indicaram o dispositivo de lei federal supostamente violado, o que caracteriza a ausência de delimitação da controvérsia, atraindo a incidência da Súmula n. 284 do STF. Cabe ressaltar que a simples menção a artigos de lei ou a dissertação sobre atos normativos não se presta a atender ao requisito de admissão do recurso especial, consistente na indicação clara e inequívoca do dispositivo de lei federal ou tratado que se considera violado, o que se mostra indispensável, diante da natureza vinculada do recurso. 2. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por JOSE EVERALDO PIRES TEIXEIRA contra decisão d a Presidência do Superior Tribunal de Justiça, que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial, diante do óbice da Súmula n. 284 do STF (fls. 652-653). Nas razões do presente recurso, a parte agravante aduz que (fls. 666-667 ): Com a devida vênia, a decisão agravada internamente merece reforma, uma vez que não enfrentou diretamente as questões de direito suscitadas no Recurso Especial e no Agravo, limitando-se a obstar seu conhecimento sem a devida análise meritória das violações apontadas. Conforme exaustivamente demonstrado no Recurso Especial, e que deveria ter sido objeto de análise direta, a irresignação se fundamenta na expressa violação aos seguintes dispositivos legais: Arts. 20 e 23 da Medida Provisória nº 66/2002; Art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal que demonstram a Admissibilidade do Recurso Especial e o Erro de Julgamento. A decisão monocrática, com a devida vênia ao não se debruçar sobre a clareza da fundamentação e a precisa indicação dos dispositivos violados, incorreu em equívoco ao desprover o agravo e o próprio REsp ao sugerir deficiência ou incidência da Súmula 284 do STF. .. É imperioso destacar que o Recurso Especial não almeja o reexame de fatos ou provas, mas sim a correta e unívoca interpretação da legislação federal aplicável à espécie. A controvérsia é, portanto, de natureza exclusivamente jurídica de mera revalorização, o que afasta, por completo, o óbice da Súmula 7/STJ. A ausência de manifestação direta sobre este ponto crucial na decisão agravada configura omissão que demanda correção por este colegiado .. Pleiteia a reconsideração da decisão agravada ou a submissão do presente recurso à análise do órgão colegiado. Não foi apresentada resposta ao agravo interno. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INDICAÇÃO GENÉRICA DOS DISPOSITIVOS SUPOSTAMENTE VIOLADOS. SÚMULA N. 284 DO STF. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. As razões do recurso especial não indicaram o dispositivo de lei federal supostamente violado, o que caracteriza a ausência de delimitação da controvérsia, atraindo a incidência da Súmula n. 284 do STF. Cabe ressaltar que a simples menção a artigos de lei ou a dissertação sobre atos normativos não se presta a atender ao requisito de admissão do recurso especial, consistente na indicação clara e inequívoca do dispositivo de lei federal ou tratado que se considera violado, o que se mostra indispensável, diante da natureza vinculada do recurso. 2. Agravo interno desprovido. VOTO A despeito dos argumentos veiculados no presente recurso, a insatisfação não merece provimento. Nos termos da decisão ora agravada, o recurso especial não foi conhecido diante do óbice da Súmula n. 284/STF, à consideração de que (fl. 652): .. há indicação genérica de violação de lei federal sem particularizar quais dispositivos teriam sido contrariados, ou quais dispositivos legais da lei citada genericamente seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o referido enunciado sumular: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia. De fato, verifica-se que as razões do recurso especial, fundamentado na alínea a do permissivo constitucional (fls. 600-614) não indicaram, de modo claro e objetivo , o dispositivo de lei federal supostamente violado ou cuja vigência teria sido negada, o que caracteriza a ausência de delimitação da controvérsia, atraindo a incidência da Súmula n. 284 do STF. A título exemplificativo: .. 3. O recurso encontra-se deficiente de fundamentação quando não indica expressamente qual dispositivo de lei federal teria sido contrariado pelo acórdão recorrido. Incide no presente caso, por analogia, a Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.861.859/ES, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 20/11/2023, DJe de 27/11/2023.) .. 1. A falta de indicação pela parte recorrente de qual o dispositivo legal teria sido violado ou objeto de interpretação jurisprudencial divergente implica deficiência da fundamentação do recurso especial, incidindo o teor da Súmula 284 do STF, por analogia. .. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.368.250/DF, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 15/4/2024, DJe de 18/4/2024.) Cabe ressaltar que a simples menção a artigos de lei ou a dissertação sobre atos normativos não se presta a atender ao requisito de admissão do recurso especial, consistente na indicação clara e inequívoca do dispositivo de lei federal ou tratado que se considera violado, o que se mostra indispensável, diante da natureza vinculada do recurso. No mesmo sentido: AgInt no AREsp n. 2.809.231/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 28/5/2025, DJEN de 2/6/2025; AgInt no AREsp 2.465.638/SP, Segunda Turma, relator Ministro Teodoro Silva Santos, julgado em 29/04/2024, DJe de 07/05/2024; e AgInt no AREsp n. 2.637.849/PE, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 14/10/2024, DJe de 17/10/2024. Assim, merece ser mantida a decisão ora agravada, por seus próprios fundamentos. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É o voto.