AREsp 1853585 - DECISAO
Não se reconheceu omissão no acórdão e a pretensão de reforma demandaria reexame de matéria fático-probatória, vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ; assim, negou-se provimento ao agravo interno e majoraram-se em 10% os honorários já arbitrados em favor da parte recorrida.
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- Parties
- Agravante: GUERINO IMOVEIS E ADMINISTRACAO LTDA.; Recorrido: Luiz Carlos Calvo; Recorrido: Fabiano Rodrigues Noronha; Recorrido: Henrique Manuel Rodrigues Noronha
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Decidido
- Outcome
- negou provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Impugnação Específica De Fundamentos, Reexame De Fatos E Provas, Súmula 7/stj, Honorários Advocatícios, Comissão De Corretagem, Omissão E Embargos De Declaração
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Parties
GUERINO IMOVEIS E ADMINISTRACAO LTDA.
Agravante
Luiz Carlos Calvo
Recorrido
Fabiano Rodrigues Noronha
Recorrido
Henrique Manuel Rodrigues Noronha
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Interno / Decidido
Legal Issues
- 1 se a agravo interno poderia ser conhecido quando a agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada
- 2 se houve omissão no acórdão e necessidade de análise dos embargos de declaração
- 3 se a revisão do entendimento demandaria reexame de matéria fático-probatória vedado pela Súmula 7/STJ
Ratio Decidendi
Não se reconheceu omissão no acórdão e a pretensão de reforma demandaria reexame de matéria fático-probatória, vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ; assim, negou-se provimento ao agravo interno e majoraram-se em 10% os honorários já arbitrados em favor da parte recorrida.
Court Disposition
negou provimento ao agravo interno
Orders
- Nego provimento ao agravo interno
- Majoro em 10% a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do CPC
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto por GUERINO IMOVEIS E ADMINISTRACAO LTDA. contra decisão proferida pela Presidência desta Corte Superior, assim disposta (fls. 845/847): Cuida-se de agravo em recurso especial apresentado por GUERINO IMÓVEIS E ADMINISTRAÇÃO LTDA contra decisão que inadmitiu recurso especial interposto com fundamento no art. 105, inciso III, da Constituição Federal. É, no essencial, o relatório. Decido. Mediante análise dos autos, verifica-se que a decisão agravada inadmitiu o recurso especial, considerando: ausência de afronta ao artigo 1.022 do CPC, ausência de afronta a dispositivo legal, Súmula 7/STJ e ausência de similitude fática. Entretanto, a parte agravante deixou de impugnar especificamente: Súmula 7/STJ. Nos termos do art. 932, inciso III, do CPC e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno desta Corte, não se conhecerá do agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Conforme já assentado pela Corte Especial do STJ, a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, o que exige que a parte agravante impugne todos os fundamentos da decisão que, na origem, inadmitiu o recurso especial. A propósito: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ Acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 30/11/2018.) Ressalte-se que, em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, a impugnação deve ser realizada de forma efetiva, concreta e pormenorizada, não sendo suficientes alegações genéricas ou relativas ao mérito da controvérsia, sob pena de incidência, por analogia, da Súmula n. 182/STJ. Ante o exposto, com base no art. 21-E, inciso V, c/c o art. 253, parágrafo único, inciso I, ambos do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte agravante, no importe de 15% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se. A agravante refuta a decisão agravada arguindo que devidamente combatidas as razões da admissibilidade. Pretende, outrossim, a retratação desta Relatora ou o provimento do recurso pelo órgão colegiado. Intimada à fl. 858, não houve impugnação da parte agravada (certidão de fls. 861/862). À vista dos relevantes fundamentos das razões do presente recurso, reconsidero a decisão ora agravada e passo à análise do agravo interposto contra decisão que negou seguimento ao recurso especial, em face de acórdão assim ementado (fl. 703): - Ação de cobrança de comissão de corretagem - Não há causa para a anulação da sentença - Prova de que o autor intermediou a venda do estabelecimento comercial dos réus - Comissão devida, mas sobre o valor da diferença entre o valor da venda do imóvel e o do imóvel recebido como parte de pagamento, em relação ao qual o autor já recebeu comissão - Recurso parcialmente provido. Os embargos de declaração opostos na origem foram rejeitados (fls. 728/731). Nas razões do especial, a parte ora agravante alega ofensa aos arts. 141, 489, § 1º, IV, 490, 492, 494, I e II, e 1.022, I, II e III, do Código de Processo Civil/2015, bem como dissídio jurisprudencial. Preliminarmente, aponta omissão do Tribunal de origem, ao não se pronunciar sobre as questões postas em debate nos embargos de declaração. No mérito, argui que o acórdão julgou "fora dos limites da pretensão dos Recorridos a condenação deles a pagar somente a diferença da corretagem ao Recorrente, pois em momento algum os Recorridos demonstraram tal intenção" (fl. 742). Ultrapassado o juízo de admissibilidade, passo a decidir. Inicialmente, verifico que não há omissão alguma ou ausência de fundamentação na apreciação das questões suscitadas. Esclareça-se que não se exige do julgador a análise de todos os argumentos das partes, a fim de expressar o seu convencimento. O pronunciamento acerca dos fatos controvertidos, a que está o magistrado obrigado, encontra-se objetivamente fixado nas razões do acórdão proferido nos embargos de declaração, assim redigidos (fl. 730): O acórdão concluiu que o autor intermediou a venda do estabelecimento comercial dos réus a Luiz Carlos Calvo, Fabiano Rodrigues Noronha e Henrique Manuel Rodrigues Noronha. O preço, R$1,3 milhão, foi pago, em parte, pela entrega de outro imóvel, pelos compradores, situado na Vila Andrade, em São Paulo, avaliado em R$1 milhão (fl. 22). O autor admitiu, na audiência de instrução (fl. 627), já ter recebido comissão pertinente ao imóvel da Vila Andrade, razão pela qual a condenação dos réus limitou-se a 6% da diferença entre o valor total do negócio e o valor daquele imóvel (fls. 710/712). Não houve julgamento fora nem além do pedido, mas acolhimento parcial da pretensão do autor, que pretendia se isentar do pagamento total da comissão, mas foi condenado a pagar parte dela, daí a possibilidade do provimento parcial. Observe-se, ainda, que não se traduz em omissão a motivação contrária ao interesse da parte ou que deixe de se pronunciar acerca de pontos considerados irrelevantes. Verifique-se, ademais, que a análise das razões do recurso, a fim de demover o que concluído pela origem, demandaria inevitável reexame de matéria fática, procedimento que encontra óbice no verbete 7 da Súmula desta Corte. Acrescente-se que a conclusão acima reproduzida tem amparo no entendimento adotado nesta Corte, no sentido de que "O pedido é aquilo que se pretende com a instauração da demanda e se extrai a partir de uma interpretação lógico-sistemática do afirmado na petição inicial, recolhendo todos os requerimentos feitos" (REsp 120.299/ES, Rel. MinistroSálvio de figueiredo, DJ de 21.09.1998). Nessa direção: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JULGAMENTO EXTRA PETITA. NÃO CONFIGURAÇÃO. REVISÃO DE VALORES REFERENTES A TAXA DE OCUPAÇÃO DO IMÓVEL, RESTITUIÇÃO DE PARCELAS PAGAS E INDENIZAÇÃO POR BENFEITORIAS. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. 1. Não configurado o alegado julgamento extra petita quando, a partir da interpretação lógico-sistemática, infere-se que o tema tratado nas instâncias de origem compreende-se no requerido pelo autor. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória e a interpretação de cláusulas contratuais (Súmulas 5 e 7/STJ). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1260864/SP, de minha relatoria, QUARTA TURMA, DJe 19.11.2018) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA. SEGURO. INVALIDEZ. OFENSA AO DEVER DE INFORMAÇÃO RECONHECIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. COBERTURA DEVIDA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A apreciação da pretensão segundo uma interpretação lógico-sistemática da petição inicial não implica julgamento extra petita, pois, para compreender os limites do pedido, é preciso interpretar a intenção da parte com a instauração da demanda. Se a demanda abrange toda relação contratual, o julgador pode extrair do contrato o verdadeiro alcance de suas cláusulas, dirimindo as dúvidas que surgirem, sem que isso configure ofensa ao art. 141 do CPC. 2. O Tribunal de origem reconheceu que houve violação ao dever de informação, pois o segurado não foi previamente informado quanto aos limites da cobertura contratada. No caso em análise, a modificação desse entendimento demandaria o revolvimento do suporte fático-probatório dos autos e de cláusulas contratuais, o que é inviável em sede de recurso especial (Súmulas 5 e 7/STJ), mantendo-se a cobertura securitária reconhecida na origem. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1311104/MS, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, DJe 23.11.2018) Ressalte-se que não se pode conhecer de recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, "c", da Constituição Federal, se não estiver comprovado nos moldes dos arts. 1029, § 1º, do Código de Processo Civil/2015; e 255, parágrafos 1º e 2º, do RISTJ. Vale destacar que as circunstâncias fáticas e as peculiaridades diferem em cada caso, o que inviabiliza, em regra, o recurso especial interposto pela divergência jurisprudencial, que se funda em premissa fático-probatória e, particularmente, no caso concreto em que os fatos e provas dos autos não se revelam análogos aos dos paradigmas. Em face do exposto, não havendo o que reformar, nos termos do art. 34, XVIII, "b", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, nego provimento ao agravo e, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil/2015, majoro em 10% (dez por cento) a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, observados os limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, considerando-se suspensas as exigibilidades em caso de assistência judiciária gratuita. Intimem-se.