AREsp 1890855 - ACORDAO
O agravo regimental não foi conhecido porque o agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada (em especial a deficiência na realização do cotejo analítico para demonstrar dissídio jurisprudencial), violando o princípio da dialeticidade; por essa razão incidiu a Súmula 182 do STJ e...
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- Parties
- Agravante: FRANCINEI DE MELO E SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 September 2021
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Da Sexta Turma
- Outcome
- Não conhecer do agravo regimental
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Princípio Da Dialeticidade, Súmula 182 Do STJ, Agravo Regimental
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Parties
FRANCINEI DE MELO E SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Da Sexta Turma
Legal Issues
- 1 Impugnação específica dos fundamentos como condição de admissibilidade
- 2 Aplicação da Súmula 182 do STJ
- 3 Limites da impugnação genérica ou parcial em agravo regimental
Ratio Decidendi
O agravo regimental não foi conhecido porque o agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada (em especial a deficiência na realização do cotejo analítico para demonstrar dissídio jurisprudencial), violando o princípio da dialeticidade; por essa razão incidiu a Súmula 182 do STJ e manteve-se a decisão de não conhecimento do agravo em recurso especial.
Court Disposition
Não conhecer do agravo regimental
Orders
- Não conhecer do agravo regimental.
- Decisão agravada mantida.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, não conhecer do agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Antonio Saldanha Palheiro, Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Laurita Vaz e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator.
RELATÓRIO FRANCINEI DE MELO E SILVAinterpõe agravo regimental contra decisão de fls. 262-263, proferida pela Presidência deste Tribunal Superior, que não conheceu do agravo em recurso especial por não ter o agravante impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão proferida pelo Tribunal a quo, em juízo de admissibilidade. Nesta interposição, a defesa assevera que "o único fundamento utilizado pelo TJAC para inadmitir o Recurso Especial foi que o agravante buscava o reexame do conjunto fático-probatório""(fl. 272), o que foi devidamente contrariado no agravo em recuso especial. O Ministério Público Federal opinou pelo não provimento do regimental. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTONÃO INFIRMADO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO CONHECIDO. 1. É condição necessária à admissibilidade de qualquer recurso que a parte interessada impugne os fundamentos da decisão combatida, conforme entendimento firmado pela Corte Especial. 2. O princípio da dialeticidade impõe à parte a demonstração específica do desacerto das razões lançadas no decisum atacado, sob pena de não conhecimento do recurso. Não são suficientes, para tanto, alegações genéricas ou a repetição dos termos do recurso interposto. 3. Agravo regimental não conhecido. VOTO Em que pesem os argumentos aduzidos pela defesa, o decisum agravado-que não conheceu do agravo em recurso especial por falta de impugnação específica-deve ser mantido, poisnão foi rebatido no presente regimental um de seus fundamentos:deficiência na realização do cotejo analítico para a demonstração do dissídio jurisprudencial. O princípio da dialeticidade impõe à parte a demonstração específica do desacerto das razões lançadas na decisãoatacada, sob pena de não conhecimento do recurso e, não são suficientes, para tanto, a refutação parcial ou, ainda, meras alegações genéricas ou a repetição dos termos já lançados no especial. Por essa razão, incide, no caso, a Súmula n. 182 do STJ. Com essa compreensão, cito o precedente firmado na Terceira Seção: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art.1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/09/2018, DJe 30/11/2018) Ausentes teses jurídicas diversas que permitam a análise do caso sob outro enfoque, deve ser mantida a decisão agravada. À vista do exposto, não conheço do agravo regimental.