AREsp 1925212 - DECISAO
O Tribunal entendeu que o acórdão recorrido não incorreu em omissão, contradição ou obscuridade nos termos dos arts. 489, §1º, IV e 1.022 do CPC/2015; além disso, verificou-se que a parte agravada exerceu seu direito de defesa (apresentou contrarrazões), de modo que a ausência de estrita observância do art. 1.018 do...
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- Parties
- Agravante/recorrente: Sandro Vinícius Beiga; Agravante/recorrente: Juliana Barbara Dias Beiga; Agravada/recorrida: Cleidiane de Franca Pereira da Canha
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão No Agravo (conhecimento E Julgamento Do Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Embargos De Declaração, Gratuidade De Justiça, Art. 1.018 Do Cpc/2015, Omissão/contradição/obscuridade (art. 1.022 E Art. 489 §1º IV Cpc/2015)
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Parties
Sandro Vinícius Beiga
Agravante/recorrente
Juliana Barbara Dias Beiga
Agravante/recorrente
Cleidiane de Franca Pereira da Canha
Agravada/recorrida
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão No Agravo (conhecimento E Julgamento Do Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 se houve omissão no acórdão recorrido nos termos dos arts. 489, §1º, IV e 1.022 do CPC/2015
- 2 se o descumprimento do art. 1.018 do CPC/2015 enseja nulidade quando não há demonstração de prejuízo à parte agravada
- 3 alcance e finalidade dos embargos de declaração (art. 1.022 CPC/2015) e a vedação ao reexame fático-probatório por força da Súmula 7 do STJ
Ratio Decidendi
O Tribunal entendeu que o acórdão recorrido não incorreu em omissão, contradição ou obscuridade nos termos dos arts. 489, §1º, IV e 1.022 do CPC/2015; além disso, verificou-se que a parte agravada exerceu seu direito de defesa (apresentou contrarrazões), de modo que a ausência de estrita observância do art. 1.018 do CPC/2015 não acarretou nulidade por falta de demonstração de prejuízo. Diante disso, conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Negado provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra decisão que não admitiu recurso especial interposto por Sandro Vinícius Beiga e Juliana Barbara Dias Beiga, com base no art. 105, III, a, da Constituição Federal, desafiando acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro assim ementado (e-STJ, fl. 47): AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO PELO PROCEDIMENTO COMUM. DECISÃO DE REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA. AGRAVANTE QUE RECEBE VENCIMENTOS INFERIORES A 10 SALÁRIOS MÍNIMOS. EVIDÊNCIA DE HIPOSSUFICIÊNCIA. REFORMA DO DECISUM. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO PARA CONCEDER O BENEFÍCIO DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA. Os embargos de declaração foram rejeitados, conforme se verifica da seguinte ementa (e-STJ, fl. 109): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE, PRESSUPOSTOS PREVISTOS NO ART. 1.022, DO CPC, QUE VIABILIZAM A VEICULAÇÃO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. DESCONHECIMENTO DE PREMISSA EQUIVOCADA, ENCAMPADA PELO JULGADO EMBARGADO, APTA A ENSEJAR A APLICAÇÃO DE EXCEPCIONAL EFEITO MODIFICATIVO. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA 52, DESTA E. CORTE. DESCABIMENTO DE PRETENSÃO VOLTADA A REDISCUTIR MATÉRIA DE MÉRITO DEVIDAMENTE ENFRENTADA PELA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL ATRAVÉS DE FUNDAMENTO IDÓNEO. EVIDENCIADO O PROPÓSITO DE PREQUESTIONAMENTO E REFORMA DO JULGADO, POR VIA IMPRÓPRIA. DESERÇÃO DO APELO DEVIDAMENTE CARACTERIZADA QUE ENSEJOU O NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO DE APELAÇÃO INTERPOSTO PELO EMBARGANTE. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Em suas razões de recurso especial (e-STJ, fls. 119-140), os agravantes alegaram violação aos arts. 489, § 1º, IV e 1.022, ambos do CPC/2015. Além disso, houve pedido de gratuidade de justiça, o qual foi deferido somente para análise do recurso (e-STJ, fl. 227). Sustentaram, em síntese, que o acórdão recorrido foi omisso, pois não se manifestou a respeito de questão suscitada nos aclaratórios, imprescindível para a solução da controvérsia, qual seja, o não conhecimento do recurso da recorrida pelo descumprimento do previsto no art. 1.018 do CPC/2015. Não foram apresentadas contrarrazões (e-STJ, fl. 214). O processamento do apelo especial não foi admitido pela Corte local, levando a parte insurgente a interpor o presente agravo. Nas razões do agravo, a parte agravante impugna os fundamentos da decisão denegatória do recurso, reiterando, no mais, as razões do mérito recursal. Contraminuta apresentada (e-STJ, fls. 313-317). Brevemente relatado, decido. De plano, vale pontuar que o recurso em análise foi interposto na vigência do NCPC, razão pela qual devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista, nos termos do Enunciado Administrativo n. 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". Os embargos de declaração se revestem de índole particular e fundamentação vinculada, cujo objetivo é o esclarecimento do verdadeiro sentido de uma decisão eivada de obscuridade, contradição, omissão ou erro material (art. 1.022 do CPC/2015), não possuindo natureza de efeito modificativo. Outrossim, a jurisprudência desta Corte é pacífica ao proclamar que, se os fundamentos adotados bastam para justificar o concluído na decisão, o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos utilizados pela parte. No que tange à suposta negativa de prestação jurisdicional, é preciso deixar claro que o acórdão recorrido resolveu satisfatoriamente as questões deduzidas no processo, sem incorrer nos vícios de obscuridade, contradição ou omissão com relação a ponto controvertido relevante, cujo exame pudesse levar a um diferente resultado na prestação de tutela jurisdicional. Desse modo, tendo o Tribunal de origem motivado adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese, não há afirmar que a Corte estadual não se pronunciou sobre o pleito da ora recorrente, apenas pelo fato de ter o julgado recorrido decidido contrariamente à pretensão da parte. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA CARACTERIZADO. NULIDADE DA SENTENÇA RECONHECIDA. MATÉRIA QUE DEMANDA REEXAME DE FATOS E PROVAS. SUMULA 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não se viabiliza o recurso especial pela indicada violação dos artigos 1022 e 489 do Código de Processo Civil de 2015. Isso porque, embora rejeitados os embargos de declaração, a matéria em exame foi devidamente enfrentada pelo Tribunal de origem, que emitiu pronunciamento de forma fundamentada, ainda que em sentido contrário à pretensão da parte recorrente. Não há falar, no caso, em negativa de prestação jurisdicional. A Câmara Julgadora apreciou as questões deduzidas, decidindo de forma clara e conforme sua convicção com base nos elementos de prova que entendeu pertinentes. No entanto, se a decisão não corresponde à expectativa da parte, não deve por isso ser imputado vicio ao julgado. 2. O Tribunal de origem reconheceu o cerceamento de defesa, tendo em vista a insuficiência da prova para o deslinde da controvérsia. Assim, alterar tal entendimento exigiria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, medida inviável em recurso especial, em razão do óbice da Súmula 7 do STJ, o que impede o conhecimento do recurso por ambas as alíneas do permissivo constitucional. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1795771/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 23/08/2021, DJe 26/08/2021) Vale mencionar que a jurisprudência desta Corte tem entendimento de que a finalidade da regra prevista no art. 1.018 do CPC/2015 é, principalmente, proporcionar à parte contrária o exercício de sua defesa, evitando-se qualquer prejuízo processual. Conforme consta nas razões recursais (e-STJ, fl. 124), os recorrentes apresentaram, oportunamente, contrarrazões ao agravo de instrumento interposto por Cleidiane de Franca Pereira da Canha, aduzindo a tese de ausência de comunicação da distribuição do recurso ao juízo a quo, não trazendo nenhuma alegação de prejuízo ao exercício de sua defesa. Dessa forma, inexistindo prejuízo à parte agravada e tendo esta exercido o seu direito de defesa, descabida a conclusão pelo não conhecimento do agravo de instrumento em face do descumprimento da exigência do art. 1.018, §§ 2º e 3º, do CPC/2015. Confiram-se os julgados nessa linha de cognição: CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AGRAVO DE INSTRUMENTO NÃO CONHECIDO NA INSTÂNCIA PRECEDENTE. § 2º DO ART. 1.018 DO NCPC. DESCUMPRIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO, O QUE NÃO OCORREU. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. DECISÃO MANTIDA. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A jurisprudência desta Corte Superior orienta no sentido de que o decreto de inadmissibilidade do agravo de instrumento, em razão do descumprimento da providência prevista no art. 1.018 do NCPC, condiciona-se à constatação do prejuízo da parte agravada.Precedentes. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1757869/MT, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 25/05/2021, DJe 28/05/2021) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DEU PROVIMENTO AO APELO NOBRE. INSURGÊNCIA DA PARTE AGRAVADA. 1. Nos termos da jurisprudência do STJ, não havendo prejuízo à parte agravada e tendo esta exercido o seu direito de defesa, não há falar em nulidade pelo descumprimento da regra prevista no artigo 1.018 do CPC/15. 2. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp 1712597/RS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 24/05/2021, DJe 28/05/2021) AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 1.018, §§ 2º E 3º, DO CPC/2015. EXERCÍCIO DE DEFESA. OCORRÊNCIA. PREJUÍZO. NÃO CONFIGURAÇÃO. EXIGÊNCIA. CUMPRIMENTO. NÃO PROVIMENTO. 1. Exercido o direito de defesa pela parte agravada e não ocorrendo prejuízo a esta, não há que se falar em nulidade, considerando-se cumprida a exigência do art. 1.018, §§ 2º e 3º, do CPC/2015. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1677202/RS, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 28/09/2020, DJe 01/10/2020) Portanto, não há que se falar em violação aos arts. 489, § 1º, IV e 1.022, ambos do CPC/2015, já que o acórdão recorrido não incorreu emvício de obscuridade, contradição ou omissão com relação a ponto controvertido relevante, cuja análise pudesse alterar o entendimento proferido pelo Tribunal local. Ante o exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 1.022 E 489, § 1º, IV, DO CPC/2015 NÃO CONFIGURADA. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 1.018 DO CPC. DESCUMPRIMENTO DE ÔNUS PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO DA PARTE AGRAVADA. PRESTAÇÃO JURISDICIONAL SEM VÍCIOS. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.