AREsp 1341797 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque o acórdão recorrido revelou-se suficientemente fundamentado, as alegadas omissões previstas no art. 1.022 e art. 489 do NCPC não se verificaram, o provimento da pretensão exigiria reexame de provas (impedido pela Súmula nº 7 do STJ) e subsistia fundamento não impugnado apto a...
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- Parties
- Autor: JOÃO FRANCISCO MIRANDA (JOÃO); Ré: MELO E BARBOSA AREIA E PEDRA LTDA. ME (MELO E BARBOSA); Litisdenunciada / Agravante: COMPANHIA MUTUAL SEGUROS (MUTUAL SEGUROS)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 December 2021
- Procedural Posture
- Agravos (agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial) Interposto No Âmbito De Ação De Indenização Por Acidente De Trânsito / Julgamento Pela Terceira Turma Do Superior Tribunal De Justiça (decisão Sobre Agravo Interno)
- Outcome
- Agravo interno não provido; negar provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Fundamentação Das Decisões (art. 489 E Art. 1.022 Do Ncpc), Prequestionamento, Denunciação Da Lide, Súmula 7 Do STJ (reexame De Provas), Súmula 283 Do STF (fundamento Não Impugnado), Liquidação Extrajudicial E Efeitos
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Parties
JOÃO FRANCISCO MIRANDA (JOÃO)
Autor
MELO E BARBOSA AREIA E PEDRA LTDA. ME (MELO E BARBOSA)
Ré
COMPANHIA MUTUAL SEGUROS (MUTUAL SEGUROS)
Litisdenunciada / Agravante
Procedural Posture
Agravos (agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial) Interposto No Âmbito De Ação De Indenização Por Acidente De Trânsito / Julgamento Pela Terceira Turma Do Superior Tribunal De Justiça (decisão Sobre Agravo Interno)
Legal Issues
- 1 existência de omissão, contradição ou obscuridade no acórdão recorrido (arts. 489 e 1.022 do NCPC)
- 2 incidência da Súmula nº 7 do STJ quanto à vedação de reexame de matéria fático-probatória
- 3 aplicabilidade da Súmula nº 283 do STF por analogia em face de fundamento não impugnado
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque o acórdão recorrido revelou-se suficientemente fundamentado, as alegadas omissões previstas no art. 1.022 e art. 489 do NCPC não se verificaram, o provimento da pretensão exigiria reexame de provas (impedido pela Súmula nº 7 do STJ) e subsistia fundamento não impugnado apto a sustentar o julgado (aplicação por analogia da Súmula nº 283 do STF).
Court Disposition
Agravo interno não provido; negar provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a decisão que não conheceu do recurso especial (manutenção do conteúdo do acórdão recorrido).
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Paulo de Tarso Sanseverino e Marco Aurélio Bellizze votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino.
RELATÓRIO JOÃO FRANCISCO MIRANDA (JOÃO) promoveu ação de indenização por danos materiais e morais e lucros cessantes contra MELO E BARBOSA AREIA E PEDRA LTDA. ME (MELO E BARBOSA) alegando a ocorrência de acidente de trânsito, no qual o condutor do caminhão de propriedade desta realizou conversão sem observar o dever de cuidado e preferência, causando-lhe danos e prejuízos. Citada, MELO E BARBOSA denunciou à lide COMPANHIA MUTUAL SEGUROS (MUTUAL SEGUROS). Em primeira instância, o pedido foi julgado parcialmente procedente para condenar MELO E BARBOSA ao pagamento de indenização por danos materiais e morais e o pedido da lide secundária foi julgado parcialmente procedente para condenar MUTUAL SEGUROS a pagar quantia a MELO E BARBOSA a título securitário. Tendo JOÃO decaído de parte substancial do pedido, o julgador monocrático fixou custas, despesas processuais e honorários a serem suportados pelas partes, na proporção do que dispenderam (e-STJ, fls. 372/380). A apelação interposta por JOÃO foi parcialmente provida e os recursos de apelação e agravo retido interpostos por MUTUAL SEGUROS foram improvidos pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, nos termos do acórdão de relatoria do Des. Gomes Varjão, assim ementado: Acidente de trânsito. Ação de indenização por danos materiais e morais. Os documentos acostados aos autos indicam suficientemente a legitimidade ativa do autor para requerer a reparação dos danos materiais causados à motocicleta por ele conduzida no momento do sinistro, bem como a legitimidade passiva da seguradora, oriunda da relação securitária existente, para ressarcir a ré. As provas produzidas pelo autor são insuficientes para fundamentar a condenação da ré ao pagamento dos lucros cessantes pretendidos. Todavia, diante da gravidade dos ferimentos e da necessidade de tratamento médico por mais de um ano após o acidente, a majoração da verba para R$20.000,00 é medida que se impõe. Recurso do autor parcialmente provido, improvidos o agravo retido e recurso de apelação da seguradora, rejeitada a preliminar (e-STJ, fl. 458). Os embargos de declaração opostos por MUTUAL SEGUROS foram rejeitados (e-STJ, fls. 571/575 e 586/591). Inconformada, MUTUAL SEGUROS manejou recurso especial com fundamento no art. 105, III, a, da CF, alegando a violação dos arts. 18, 125, II, 489, § 1º, 1.022 e 1.025 do NCPC, e 18, d e f, da Lei nº 6.024/1974. O apelo nobre não foi admitido em virtude (1) de que, quanto a alegada violação dos arts. 489 e 1.022do NCPC, as questões trazidas à baila foram apreciadas, com análise e avaliação dos elementos de convicção carreados para os autos; e (2) em relação aos arts. 18. 125, II, 485, § 3º, 493 e 1.025do NCPC e 18, d e f, da Lei nº 6.024/74, (i) as exigências legais na solução das questões de fato e de direito da lide foram atendidas e (ii) as razões do recurso ativeram-se a uma perspectiva de reexame das provas e das circunstâncias fáticas próprias do processo, incidindo o óbice da Súmula nº 7 do STJ (e-STJ, fls. 618/619) O agravo em recurso especial daí decorrente foi conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, a ele negar provimento em decisão monocrática de minha lavra assim ementada: PROCESSUAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO NA ÉGIDE DO NCPC. ACIDENTE DE TRÂNSITO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. SEGURADORA. OMISSÃO. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO NCPC. INEXISTÊNCIA. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 282 DO STF. LEGITIMIDADE. RELAÇÃO CONTRATUAL COMPROVADA NA ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO, NEGAR-LHE PROVIMENTO (e-STJ, fl. 697 - com destaque no original). Nas razões do presente agravo interno, MUTUAL SEGUROS, repisando os argumentos trazidos nas razões recursais, alegaram (1)que houve o prequestionamento implícito da matéria; (2) inaplicabilidade da Súmula nº 7 do STJ, pois o que se argumentou foi uma análise jurídica da questão; e(3) não incidência da Súmula nº 283 do STF. Não houve impugnação ao recurso (e-STJ, fl. 715). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNONO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. ACIDENTE DE TRÂNSITO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO, OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU ERRO MATERIAL NÃO DEMONSTRADOS. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 1.022 E 489, § 1º, DO NCPC. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL E FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO NÃO CONFIGURADAS. DENUNCIAÇÃO DA LIDE. PRETENSÃO RECURSAL QUE ENVOLVE O REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 283 DO STF. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Inexistentes as hipóteses do art. 1.022, II, do NCPC (art. 535 do CPC/1973), não merecem acolhimento os embargos de declaração que têm nítido caráter infringente. 3. Os embargos de declaração não se prestam à manifestação de inconformismo ou à rediscussão do julgado. 4. Não há falar em violação dos arts. 489 e 1.022 do NCPC quando a decisão está clara e suficientemente fundamentada, resolvendo integralmente a controvérsia 5. A alteração das conclusões do acórdão recorrido exige reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que faz incidir o óbice da Súmula nº 7 do STJ. 6. A falta de impugnação a fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido acarreta o não conhecimento do recurso. Inteligência da Súmula nº 283 do STF, aplicável, por analogia, ao recurso especial. 7. Agravo interno não provido. VOTO O recurso não merece provimento. De plano, vale pontuar que o presente agravo interno foi interposto contra decisão publicada na vigência do novo Código de Processo Civil, razão pela qual devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista, nos termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. O inconformismo agora manejado não merece provimento por não ter trazido nenhum elemento apto a infirmar as suas conclusões. Como já constou da decisão recorrida, não merece respaldo a assertiva de que o v. acórdão não teria se manifestado sobre a necessidade de suspensão da fluência dos juros moratórios e da correção monetária, tendo em vista a decretação da sua liquidação extrajudicial e .. ilegitimidade passiva na lide secundária, uma vez que o Tribunal local consignou, expressamente, no julgamento dos aclaratórios: As alegações relacionadas à decretação da liquidação extrajudicial da embargante, em especial, a suspensão do processo, a suspensão da incidência dos consectários da mora sobre a condenação imposta à ora embargante e a vedação de constrição de patrimônio da recorrente, além de não terem sido objeto do recurso de apelação, dizem respeito à fase de cumprimento de sentença e deverão ser oportunamente suscitadas pela embargante (e-STJ, fl. 574). Por oportuno, transcrevo trecho do v. acórdão recorrido: Com relação à legitimidade passiva da seguradora, é certo que os documentos apresentados pela empresa ré, quais sejam, apólice do seguro e comunicações relacionadas ao sinistro, trocadas durante meses, entre a ré e a seguradora, denotam a existência da relação securitária e, consequentemente, o dever da litisdenunciada de indenizar a ré pelos prejuízos materiais decorrentes do acidente (e-STJ, fl. 461). Dessa forma, não há que se falar em negativa de prestação jurisdicional, pois o Tribunal local decidiu a matéria controvertida de forma fundamentada, ainda que contrariamente aos interesses da parte. Assim, constata-se que não há quaisquer dos vícios elencados no art. 1.022 do NCPC. Ademais, constata-se que o acórdão recorrido foi devidamente fundamentado, não se podendo falar em violação dos arts. 489, § 1º, e 1.022 do NCPC, uma vez que o TJ/MG se manifestou de forma fundamentada sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário a sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR. ART. 1.638 DO CC. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Não há falar em violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 quando a decisão está clara e suficientemente fundamentada, resolvendo integralmente a controvérsia. 3. A perda do poder familiar ocorrerá quando presentes quaisquer das hipóteses previstas no art. 1.638 do CC. 4. Para prevalecer a pretensão em sentido contrário à conclusão do tribunal de origem, que manteve a sentença que decretou a destituição do poder familiar, mister se faz a revisão do conjunto fático-probatório dos autos, procedimento inviabilizado, nesta instância superior, pelo óbice da Súmula nº 7/STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.237.833/MS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, j. 8/10/2018, DJe 15/10/2018 - sem destaque no original) CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. RECURSOS MANEJADOS SOB A ÉGIDE DO NCPC. COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA. IMÓVEL NA PLANTA. RESTITUIÇÃO DOS VALORES PAGOS PELA INTERMEDIAÇÃO. VIOLAÇÃO DOS ART. 489, § 1º, VI, E § 3º, E 1.022 DO NCPC QUE NÃO SE VERIFICA. OFENSA AO ART. 927, III, DO NCPC. NÃO OCORRÊNCIA. ARTS. 141 E 492 DO NCPC E 884 DO CC/02. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211 DO STJ. PREQUESTIONAMENTO FICTO (ART. 1.025 DO NCPC). NECESSIDADE DE APONTAMENTO DE CONTRARIEDADE AO ART. 1.022 DO NCPC. PRESCRIÇÃO TRIENAL. TERMO INICIAL. DATA DO EFETIVO PAGAMENTO. 1. Os recursos especiais foram interpostos contra decisão publicada na vigência do novo Código de Processo Civil, razão pela qual devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista, nos termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Não procede a arguição de ofensa aos art. 489, § 1º, VI, e § 3º, e 1.022 do NCPC, quando o Tribunal a quo se pronuncia de forma motivada e suficiente, sobre os pontos relevantes e necessários ao deslinde da controvérsia. 3. O julgador não está obrigado a aplicar a tese fixada no julgamento de recurso especial repetitivo como determinado pelo art. 927, III, do NCPC quando realiza a separação do joio do trigo. 4. Ausente o debate pela Corte de origem acerca de preceito legal dito violado, incide a Súmula nº 211 do STJ. 5. A admissão de prequestionamento ficto (art. 1.025 do CPC/15), em recurso especial, exige que seja indicada ofensa ao art. 1.022, para que se possibilite ao órgão julgador verificar a existência do vício inquinado no acórdão, que uma vez constatado, poderá dar ensejo à supressão de grau de jurisdição facultada pelo dispositivo de lei. 6. O termo inicial da prescrição da pretensão de restituição dos valores pagos parceladamente a título de comissão de corretagem é a data do efetivo pagamento (desembolso total). 7. Recurso especial da PROJETO FOX conhecido em parte e, nessa extensão, não provido. Recurso especial da LPS não provido. (REsp 1.724.544/SP, de minha relatoria, Terceira Turma, j. 2/10/2018, DJe 8/10/2018 - sem destaque no original) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. ASSÉDIO MORAL EM AMBIENTE DE TRABALHO. VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME PELO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC/2015 NÃO CONFIGURADA. PRESENÇA DOS REQUISITOS ENSEJADORES DA REPARAÇÃO CIVIL. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DO REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS DOS AUTOS. MONTANTE INDENIZATÓRIO. PLEITO DE REDUÇÃO. NÃO DEMONSTRADA A ABUSIVIDADE NO VALOR FIXADO NAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO PREJUDICADO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Inviável a análise de ofensa a dispositivos constitucionais, porquanto a competência desta Corte restringe-se à interpretação e uniformização do direito infraconstitucional federal, sob pena de usurpação da competência atribuída ao Supremo Tribunal Federal. 2. Não ficou demonstrada a violação do art. 489 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou de forma fundamentada sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. 3. A revisão da conclusão estadual - de estarem presentes os requisitos para configurar a responsabilidade civil, bem como pela razoabilidade do valor fixado - demandaria, necessariamente, o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, providência vedada na via estreita do recurso especial, ante o óbice disposto na Súmula 7/STJ. 4. A análise do dissídio jurisprudencial fica prejudicada em razão da aplicação do enunciado da Súmula n. 7/STJ, porquanto não é possível encontrar similitude fática entre o acórdão combatido e os arestos paradigmas, uma vez que as suas conclusões díspares ocorreram não em virtude de entendimentos diversos sobre uma mesma questão legal, mas, sim, de fundamentações baseadas em fatos, provas e circunstâncias específicas 5. Razões recursais insuficientes para a revisão do julgado. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1.308.817/SC, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, terceira Turma, j. 24/9/2018, DJe 27/9/2018 - sem destaque no original) Ademais, o v. acórdão concluiu, quanto a alegação de que a denunciação da lide foi promovida por terceiro estranho à relação contratual, que denotam a existência da relação securitária e, consequentemente, o dever da litisdenunciada de indenizar a ré pelos prejuízos materiais decorrentes do acidente, consoante se vê dos seguintes trechos: Com relação à legitimidade passiva da seguradora, é certo que os documentos apresentados pela empresa ré, quais sejam, apólice do seguro e comunicações relacionadas ao sinistro, trocadas durante meses, entre a ré e a seguradora, denotam a existência da relação securitária e, consequentemente, o dever da litisdenunciada de indenizar a ré pelos prejuízos materiais decorrentes do acidente (e-STJ, fl. 461). Dessa forma, conforme se nota, a Corte local assim decidiu com amparo no contexto fático-probatório da causa, de modo que a revisão do julgado, com o consequente acolhimento da pretensão recursal, demandaria, necessariamente, o reexame das provas, o que não se admite no âmbito do recurso especial, ante o óbice da Súmula nº 7 do STJ. A propósito: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. DENUNCIAÇÃO DA LIDE. ABRANGÊNCIA DOS DANOS MORAIS PELA COBERTURA SECURITÁRIA PARA DANOS CORPORAIS. CLÁUSULA DE EXCLUSÃO DOS DANOS MORAIS NÃO INFORMADA AO CONSUMIDOR. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Segundo a jurisprudência desta Corte consolidada na Súmula 402/STJ, salvo em caso de expressa exclusão, a previsão contratual de cobertura dos danos pessoais (corporais) abrange os danos morais. 2. Na hipótese, o Tribunal de origem considerou os danos morais cobertos pela garantia securitária contratada, com base na circunstância de não ter a parte aderente sido informada no momento da contratação sobre a cláusula limitativa de danos morais, uma vez que não há assinatura do segurado no certificado da apólice do seguro, consignando que este foi o único documento juntado pela seguradora. 3. Desse modo, o acolhimento das teses recursais (fundamentadas no conhecimento pelo segurado da exclusão dos danos morais prevista pelas condições gerais do contrato) não prescindiria da revisão de fatos e provas a fim de que fossem estabelecidas conclusões em sentido contrário àquelas do acórdão estadual, providência vedada no âmbito do recurso especial, ante o óbice da Súmula 7/STJ. 4. A análise do dissídio jurisprudencial fica prejudicada em razão da aplicação do enunciado da Súmula n. 7/STJ, porquanto não é possível encontrar similitude fática entre o acórdão combatido e os arestos paradigmas, uma vez que as suas conclusões díspares ocorreram não em virtude de entendimentos diversos sobre uma mesma questão legal, mas sim de fundamentações baseadas em fatos, provas e circunstâncias específicas de cada processo. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1.944.801/SC, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, j. 20/9/2021, DJe 24/9/2021) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS E ESTÉTICOS. ACIDENTE DE TRÂNSITO. DENUNCIAÇÃO DA LIDE À SEGURADORA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC/15. INOCORRÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. REEXAME DE FATOS E PROVAS E INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO E SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. PREJUDICADO. SEGURO. COBERTURA DE DANOS CORPORAIS OU PESSOAIS. ABRANGÊNCIA. DANOS MORAIS E ESTÉTICOS. CLÁUSULA DE EXCLUSÃO. INEXISTÊNCIA. HARMONIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. Ação de indenização por danos materiais e compensação por danos morais e estéticos em razão de acidente de trânsito, com denunciação da lide à seguradora. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC/15, rejeitam-se os embargos de declaração. 3. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação do art. 489 do CPC/15. 4. A ausência de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados, não obstante a interposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial. 5. O reexame de fatos e provas e a interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial são inadmissíveis. 6. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 7. A incidência das Súmulas 5 e 7 do STJ prejudica a análise do dissídio jurisprudencial pretendido. Precedentes desta Corte. 8. A apólice de seguro contra danos corporais pode excluir da cobertura tanto o dano moral quanto o dano estético, desde que o faça de maneira expressa e individualizada para cada uma dessas modalidades de dano extrapatrimonial. Precedentes. 9. Agravo interno no recurso especial não provido. (AgInt no REsp 1.929.936/PR, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, j. 16/8/2021, DJe 19/8/2021) De outra parte, na hipótese, a decisão agravada consignou, de forma expressa, em relação a que devem ser suspensos os juros até que integralmente pago o passivo da seguradora em liquidação extrajudicial, sendo vedada a correção monetária, que o v. acórdão recorrido afirmou que a suspensão da incidência dos consectários da mora sobre a condenação imposta à ora embargante e a vedação de constrição de patrimônio da recorrente, além de não terem sido objeto do recurso de apelação, dizem respeito à fase de cumprimento de sentença e deverão ser oportunamente suscitadas pela embargante. Por oportuno, transcrevo trecho do v. acórdão recorrido: As alegações relacionadas à decretação da liquidação extrajudicial da embargante, em especial, a suspensão do processo, a suspensão da incidência dos consectários da mora sobre a condenação imposta à ora embargante e a vedação de constrição de patrimônio da recorrente, além de não terem sido objeto do recurso de apelação, dizem respeito à fase de cumprimento de sentença e deverão ser oportunamente suscitadas pela embargante (e-STJ, fl. 574). Dessa forma, observa-se que não houve a impugnação do referido fundamento, o que atrai a incidência da Súmula nº 283 do STF, por analogia: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. Confiram-se os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS CUMULADA COM COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO INDICAÇÃO. SÚMULA 284/STF. FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. .. 3. A existência de fundamento do acórdão recorrido não impugnado quando suficiente para a manutenção de suas conclusões impede a apreciação do recurso especial. .. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.603.851/RJ, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, j. 22/6/2020, DJe 25/6/2020 - sem destaques no original) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONDENATÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DA DEMANDADA .. 4. A subsistência de fundamento inatacado apto a manter a conclusão do acórdão impugnado impõe o desprovimento do apelo, a teor do entendimento disposto na Súmula 283 do STF, aplicável por analogia. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no REsp 1.868.333/RJ, Rel. Ministro MARCO BUZZI, Quarta Turma, j. 29/6/2020, DJe 3/8/2020 - sem destaques no original) Assim, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, que não conheceu do apelo nobre, devendo ser ele mantido. Nessas condições, pelo meu voto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno.