AREsp 2537165 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque a agravante não atacou especificamente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, nos termos do art. 932, III, do CPC; ademais, não se demonstrou, no caso concreto, a manifesta inadmissibilidade ou caráter protelatório necessário para justificar a aplicação...
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- Parties
- Agravante: CIA EDUCACIONAL RANCHO ALEGRE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (sessão Virtual, 04/06/2024 a 10/06/2024)
- Outcome
- Nego provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Impugnação Específica De Fundamentos, Artigo 932, III, CPC, Multa Por Litigância De Má Fé, Artigo 1.021, § 4º, Súmula 7/stj
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Parties
CIA EDUCACIONAL RANCHO ALEGRE
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (sessão Virtual, 04/06/2024 a 10/06/2024)
Legal Issues
- 1 Se o agravo em recurso especial não impugna especificamente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso, deve ser não conhecido nos termos do art. 932, III, do CPC
- 2 Se a aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC é automática quando não provado o agravo interno
- 3 Efeito da Súmula nº 7/STJ quanto ao obstáculo ao reexame de matéria fático-probatória
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque a agravante não atacou especificamente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, nos termos do art. 932, III, do CPC; ademais, não se demonstrou, no caso concreto, a manifesta inadmissibilidade ou caráter protelatório necessário para justificar a aplicação da multa do art. 1.021, § 4º, do CPC.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo interno
Orders
- Nego provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 04/06/2024 a 10/06/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. ADMISSIBILIDADE. DECISÃO AGRAVADA. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. ARTIGO 932, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MULTA. NÃO AUTOMÁTICA. 1. Não pode ser conhecido o agravo em recurso especial que não infirma especificamente todos os fundamentos da decisão atacada, atraindo o disposto no artigo 932, III, do CPC. 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento firmado no sentido de que o não conhecimento ou a improcedência do agravo interno não enseja a imposição da multa prevista no artigo 1.021, § 4º, do CPC, sendo indispensável o nítido não cabimento do recurso. 3. A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça já decidiu que a aplicação da multa por litigância de má-fé não é automática, visto não se tratar de mera decorrência lógica da rejeição do agravo interno. 4. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por CIA EDUCACIONAL RANCHO ALEGRE contra a decisão da Presidência do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu do agravo em virtude da ausência de impugnação dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial (e-STJ fls. 477/478). Em suas razões (e-STJ fls. 481/501), a agravante, reiterando os argumentos expendidos no agravo e no apelo nobre, alega não pretender o reexame do acervo fático-probatório constante dos autos. Afirma a possibilidade de extrair conclusão jurídica diversa dos fatos delineados no acórdão recorrido. Sustenta ter impugnado todos os fundamentos utilizados para inadmitir o recurso especial. Reitera a alegação de que o nome do recorrido não figura no quadro de diretores desde 31/10/2012, motivo pelo qual deve ser reconhecida a ausência de interesse recursal para que o seu nome seja excluído. Assinala que o tribunal de origem incorreu em negativa de prestação jurisdicional ao deixar de enfrentar todas as questões relevantes que foram suscitadas e capazes de alterar o resultado do julgamento. Defende que os autos devem retornar à origem para que a causa seja rejulgada com base nos parâmetros estabelecidos pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento do REsp nº 1.831.870/SP. Ao final, requer a reconsideração da decisão atacada ou a submissão do feito ao colegiado. A parte contrária apresentou impugnação às e-STJ fls. 507/523, pugnando pela aplicação da multa prevista no artigo 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil e por litigância de má-fé. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. ADMISSIBILIDADE. DECISÃO AGRAVADA. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. ARTIGO 932, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MULTA. NÃO AUTOMÁTICA. 1. Não pode ser conhecido o agravo em recurso especial que não infirma especificamente todos os fundamentos da decisão atacada, atraindo o disposto no artigo 932, III, do CPC. 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento firmado no sentido de que o não conhecimento ou a improcedência do agravo interno não enseja a imposição da multa prevista no artigo 1.021, § 4º, do CPC, sendo indispensável o nítido não cabimento do recurso. 3. A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça já decidiu que a aplicação da multa por litigância de má-fé não é automática, visto não se tratar de mera decorrência lógica da rejeição do agravo interno. 4. Agravo interno não provido. VOTO A irresignação não merece prosperar. O Tribunal de origem não admitiu o recurso especial com base no entendimento de que a ofensa a princípios e dispositivos constitucionais é incabível em recurso especial e que o exame da pretensão recursal está obstado pela Súmula nº 7/STJ (e-STJ fls. 427/431). De fato, a agravante no agravo em recurso especial (e-STJ fls. 432/452), reiterou todas as razões que foram expostas no apelo nobre. Observa-se que a recorrente deixou de apresentar argumentos contra a incidência da súmula aplicada, não sendo o presente momento adequado para tanto. Nesse contexto, em que não foram especificamente atacados os fundamentos da decisão de inadmissão, o não conhecimento do agravo era medida que se impunha, a teor do artigo 932, III, do Código de Processo Civil. A propósito, o julgamento dos EAREsp nº 746.775/PR reafirmou a necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que inadmitir o recurso especial. Eis a ementa do acórdão: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos." (EAREsp 746.775/PR, Relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Relator para acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018 - grifou-se). Por fim, quanto ao pedido de aplicação da multa prevista no § 4º do artigo 1.021 do CPC, requerida em contrarrazões, esta Corte já decidiu que tal penalidade não é automática, haja vista não se tratar de mera decorrência lógica do não provimento do agravo interno em votação unânime. A condenação da agravante ao pagamento da aludida multa, a ser analisada em cada caso concreto, em decisão fundamentada, pressupõe que o agravo interno se mostre manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano, como abusiva ou protelatória, o que, contudo, não ocorreu na hipótese examinada. Além disso, por não se verificar, neste momento, o caráter protelatório do recurso, torna-se desnecessária a aplicação da reprimenda por litigância de má-fé. Desse modo, não prosperam as alegações postas no presente recurso, incapazes de alterar os fundamentos da decisão impugnada. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.