AREsp 2585385 - ACORDAO
Por não ter o recurso especial indicado de forma expressa o dispositivo de lei federal que supostamente foi violado ou sobre o qual haveria divergência interpretativa, houve deficiência insanável na fundamentação, o que impede o conhecimento do recurso especial, sendo aplicável a Súmula n. 284 do STF; por isso,...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual (18/06/2024 a 24/06/2024)
- Outcome
- Agravo interno não provido (negado provimento ao agravo interno)
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Fundamentação Do Recurso Especial, Súmula 284/stf, Indicação De Dispositivo De Lei Federal, Enunciado Administrativo N. 3/2016/stj
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Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual (18/06/2024 a 24/06/2024)
Legal Issues
- 1 ausência de indicação do dispositivo legal federal supostamente violado ou objeto de divergência interpretativa
- 2 aplicação da Súmula n. 284/STF por deficiência de fundamentação
- 3 exigência dos requisitos de admissibilidade conforme o CPC/Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ
Ratio Decidendi
Por não ter o recurso especial indicado de forma expressa o dispositivo de lei federal que supostamente foi violado ou sobre o qual haveria divergência interpretativa, houve deficiência insanável na fundamentação, o que impede o conhecimento do recurso especial, sendo aplicável a Súmula n. 284 do STF; por isso, negou-se provimento ao agravo interno e manteve-se o não conhecimento do recurso especial.
Court Disposition
Agravo interno não provido (negado provimento ao agravo interno)
Orders
- Negado provimento ao agravo interno.
- Mantido o não conhecimento do recurso especial com fundamento na Súmula n. 284/STF.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 18/06/2024 a 24/06/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL SOBRE O QUAL SE ALEGA VIOLAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA N. 284 DO STF. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que a ausência de indicação do dispositivo legal tido por violado e/ou objeto de interpretação divergente, configura deficiência na fundamentação recursal, o que impede o conhecimento do apelo nobre interposto com fundamento no artigo 105, III, "a" e/ou "c", da Constituição Federal. Incidência da Súmula n. 284/STF. Nesse sentido: AgInt no REsp 1.824.052/SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 18/11/2019; AgInt no REsp 1.417.987/PE, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 28/3/2019. 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Trata-se de agravo interno interposto contra decisão de f. 176-177 proferida pela Presidência desta Corte, a qual conheceu do agravo, para não conhecer do recurso especial. A decisão agravada teve por fundamento a incidência da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. A parte agravante alega que "a matéria colocada em análise versa sobre a impossibilidade de se exercer posse (por particular) de bem público (art. 99, II, CC; art. 1.208, CPC), ainda que inexistente o registro imobiliário do bem (art. 1.227, CC), conforme amplamente discorrido no Recurso Especial interposto, de modo a não se cogitar de falta de fundamentação" (f. 184). Prossegue no sentido de que, "em sua peça recursal a agravante destacou tópico nomeado de "B) Da divergência jurisprudencial e do Cotejo Analítico dos Acórdãos", no qual destacou além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, de modo a atender satisfatoriamente o requisito recursal" (f. 186). Sem impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL SOBRE O QUAL SE ALEGA VIOLAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA N. 284 DO STF. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que a ausência de indicação do dispositivo legal tido por violado e/ou objeto de interpretação divergente, configura deficiência na fundamentação recursal, o que impede o conhecimento do apelo nobre interposto com fundamento no artigo 105, III, "a" e/ou "c", da Constituição Federal. Incidência da Súmula n. 284/STF. Nesse sentido: AgInt no REsp 1.824.052/SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 18/11/2019; AgInt no REsp 1.417.987/PE, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 28/3/2019. 3. Agravo interno não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. Dito isso, observa-se que o presente recurso não merece prosperar, tendo em vista que dos argumentos apresentados no agravo interno não se vislumbram razões para reformar a decisão agravada. Isso porque o recurso especial foi interposto com fulcro na alínea "c" do permissivo constitucional (f. 99) e não há nas razões do recurso especial indicação expressa do dispositivo legal violado ou sobre o qual pende divergência interpretativa. E, neste momento, a parte agravante sustenta não ser hipótese para a aplicação do enunciado da Súmula n. 284/STF. Ocorre que a jurisprudência pacífica desta Corte Superior é no sentido de que a ausência de particularização do dispositivo legal violado ou sobre o qual pende divergência interpretativa consubstancia deficiência insanável da fundamentação recursal, e impede o conhecimento do especial, caso dos autos. Incide à hipótese o óbice da Súmula n. 284 do STF. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FALTA DE PARTICULARIZAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL SUPOSTAMENTE VIOLADO. ARTIGOS DE LEI CITADOS A TÍTULO DE REFORÇO ARGUMENTATIVO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. PRECEDENTES. 1. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a não particularização, de forma inequívoca, pelo recorrente dos dispositivos legais que entenda tenham sido contrariados ou aos quais tenha sido conferida interpretação divergente configura deficiência insanável e inviabiliza o conhecimento do recurso especial, ensejando a incidência da Sumula 284/STF. A propósito: AgInt no REsp 1.824.052/SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 18/11/2019; AgInt no REsp 1.417.987/PE, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 28/3/2019; AgRg nos EDcl no AREsp 25.735/RJ, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 4/3/2016. .. (AgInt no REsp 1.400.421/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/3/2020, DJe 25/3/2020) (grifei) PROCESSUAL CIVIL. .. NÃO INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL VIOLADO. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N. 284/STF. .. .. III - A jurisprudência desta Corte considera deficiente a fundamentação do recurso que não aponta o dispositivo de lei federal violado pelo acórdão recorrido, circunstância que atrai, por analogia, a incidência do entendimento da Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal. .. (AgInt no REsp 1.824.052/SP, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2019, DJe 18/11/2019) (grifei) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. .. DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. INDICAÇÃO. AUSÊNCIA. .. .. 5. Não se conhece de recurso especial que não aponta o dispositivo legal violado no acórdão recorrido. Aplicação da Súmula 284 do STF. .. (AgInt no REsp 1.417.987/PE, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 12/3/2019, DJe 28/3/2019) (grifei) Imperioso registrar que é defeso à parte, nas razões de agravo interno, impugnar tardiamente os fundamentos do acórdão recorrido, seja para retificar os termos do REsp, seja para aditar-lhe fundamento. Assim, a falta ou a insurgência genérica contra o julgado recorrido, no tempo e modo oportunos, obsta o conhecimento do recurso especial. Desse modo, mantém-se o não conhecimento do recurso especial com fundamento na Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.