AREsp 2721681 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou de modo específico e concreto o fundamento da decisão agravada que adotou a Súmula 7/STJ; em razão da Súmula 182/STJ, não se pode passar ao exame do mérito do recurso especial quando inexistir impugnação específica dos fundamentos de inadmissão, impondo o...
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- Parties
- Recorrente: RENAN FREITAS DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (admissibilidade)
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Agravo Em Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Princípio in Dubio Pro Societate, Julgamento Pelo Júri, Impronúncia, Desclassificação, Legítima Defesa
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Parties
RENAN FREITAS DA SILVA
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (admissibilidade)
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por aplicação da Súmula 7/STJ
- 2 necessidade de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada (Súmula 182/STJ)
- 3 manutenção da pronúncia diante de prova material e indícios de autoria
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou de modo específico e concreto o fundamento da decisão agravada que adotou a Súmula 7/STJ; em razão da Súmula 182/STJ, não se pode passar ao exame do mérito do recurso especial quando inexistir impugnação específica dos fundamentos de inadmissão, impondo o não conhecimento do agravo.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial, com fundamento no art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do STJ
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra a decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por RENAN FREITAS DA SILVA, com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, em oposição a acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ACRE, assim ementado (fls. 48-53): "RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. JÚRI. HOMICÍDIO NA MODALIDADE TENTADA. PRONÚNCIA. PRETENSÃO DE ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA. ALEGAÇÃO DE LEGÍTIMA DEFESA. EXCLUDENTE DE ILICITUDE NÃO DEMONSTRADA. IMPRONÚNCIA OU DESCLASSIFICAÇÃO DA CONDUTA. PROVA MATERIAL DO CRIME E INDICATIVOS SUFICIENTES DE AUTORIA. MANUTENÇÃO DA DECISÃO. IMPROVIMENTO DO RECURSO. 1. A decisão de pronúncia, na primeira fase do procedimento do Júri, encerra mero juízo de admissibilidade da acusação, bastando, para tanto, prova material do crime e indicativos suficientes de autoria (Art. 413, do CPP). No caso concreto, havendo prova material do crime e indícios suficientes de autoria de autoria, inadmissível a absolvição sumária (sob a tese de legítima defesa própria), despronúncia ou desclassificação da conduta, devendo eventuais dúvidas serem dirimidas pelo Conselho de Sentença, que é o juiz natural para o julgamento do feito, à luz do princípio in dubio pro societate. 2. Recurso conhecido e desprovido. Em suas razões recursais, a parte recorrente aponta violação do art. 155 do Código de Processo Penal." Em suas razões recursais, a parte recorrente aponta violação do art. 41 e 414 do Código de Processo Penal. A tese principal defende a impronúncia do acusado, argumentando a inexistência de provas concretas de materialidade e autoria, conforme exigido pelo art. 414 do CPP. O recorrente sustenta que a denúncia carece de elementos suficientes, baseando-se apenas na palavra da vítima e testemunhos indiretos, sem evidências materiais que corroborem a acusação. Além disso, o recurso pleiteia a desclassificação do crime de tentativa de homicídio para disparo de arma de fogo em via pública, citando a ausência de animus necandi e violação do art. 121, §2º, I c/c art. 14, II do Código Penal e art. 15 do Estatuto do Desarmamento. Alega-se também legítima defesa, com base no art. 25 do Código Penal, justificando os disparos como reação a uma agressão sofrida. Com contrarrazões (fls. 87-95), o recurso especial foi inadmitido na origem (fls. 96-98), ao que se seguiu a interposição de agravo. Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo não conhecimento do agravo em recurso especial (fls. 159-162). É o relatório. Decido. A decisão que inadmitiu o recurso especial na origem pautou-se na incidência da Súmula 7/STJ; no agravo, todavia, a parte ora agravante não combateu especificamente este fundamento da decisão agravada. Afinal, para que se considere adequadamente impugnada a Súmula 7/STJ, o agravo precisa empreender um cotejo entre os fatos estabelecidos no acórdão e as teses recursais, mostrando em que medida estas não exigem a alteração do quadro fático delineado pelo Tribunal local, o que não acon. Nesse sentido: " .. 1. Nas razões do agravo em recurso especial, não foram rebatidos, de modo específico e concreto, os fundamentos da decisão agravada relativos à aplicação das Súmulas n. 7 e 83, ambas do Superior Tribunal de Justiça, atraindo, à espécie, a incidência da Súmula n. 182 do Superior Tribunal de Justiça. 2. No tocante à incidência da Súmula n. 7/STJ, a Agravante limitou-se a sustentar, genericamente, que as pretensões elencadas no apelo nobre envolvem mero debate jurídico, não demandando, assim, reexame de provas, sem explicitar, contudo, à luz da tese recursal trazida no recurso especial, de que maneira a análise não dependeria do reexame de provas. Assim, não houve a observância da dialeticidade recursal, motivo pelo qual careceu de pressuposto de admissibilidade, qual seja, a impugnação efetiva e concreta aos fundamentos utilizados para inadmitir o recurso especial, no caso, a incidência da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça. .. 6. Agravo regimental desprovido". (AgRg no AREsp n. 1.789.363/SP, relator Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 2/2/2021, DJe de 17/2/2021.) Ademais, a Corte Especial do STJ manteve o entendimento da necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, sob pena de incidência da Súmula 182/STJ. Eis a ementa do aresto paradigma: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos". (EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ Acórdão Ministro Luís Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018.) Por conseguinte, a Súmula 182/STJ impede que se passe ao mérito do recurso do art. 1.042 do CPC, o qual não supera o juízo de admissibilidade. Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do STJ, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA