AREsp 2845247 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou especificamente o fundamento decisório segundo o qual inexistia interesse de agir, de modo que, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015 e da Súmula nº 182/STJ, o relator deve não conhecer do recurso inadmissível que não tenha atacado especificamente os...
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- Parties
- Agravante: ALEXANDRE RODRIGO CORREA NORONHA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- agravo não conhecido
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Impugnação Específica De Fundamentos, Súmula 284/stf, Súmula 182/stj, Art. 932, III, Cpc/2015, Honorários Sucumbenciais, Cotejo Analítico, Art. 1.022, II, CPC
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Parties
ALEXANDRE RODRIGO CORREA NORONHA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 aplicação do art. 932, III, do CPC/2015
- 3 possibilidade de aplicação da Súmula 284/STF
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou especificamente o fundamento decisório segundo o qual inexistia interesse de agir, de modo que, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015 e da Súmula nº 182/STJ, o relator deve não conhecer do recurso inadmissível que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada.
Court Disposition
agravo não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo (art. 932, III, CPC/2015).
- Manutenção dos honorários sucumbenciais fixados em 20% sobre o valor da causa, não cabendo majoração nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por ALEXANDRE RODRIGO CORREA NORONHA contra decisão que não admitiu recurso especial, em virtude da aplicação da Súmula nº 284/STF, tanto no que diz respeito aos arts. 4º, I, 6º, III, 30, 31, 46 e 54 do CDC (razões dissociadas) como no que toca ao dissídio interpretativo (falta de cotejo analítico); falta de interesse de agir; ausência de violação do art. 1.022, II, do CPC; a suposta contrariedade ao art. 93, IX, da CF/88 é de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal (e-STJ fl. 718/720). Em suas razões (e-STJ fls. 728/731), o agravante aduz, em síntese, que o dispositivo constitucional foi utilizado apenas de maneira acessória, não constituindo a essência do recurso especial. Além disso, afirma que não há falar em aplicação da Súmula nº 284/STF, haja vista que, no recurso especial, demonstrou que o acórdão se limitou a reconhecer a aplicabilidade do CDC de forma genérica, sem analisar a efetivação dos direitos consumeristas. Alega que realizou o cotejo analítico, conforme preceituam os artigos 1.029, § 1o, do CPC e 255, § 1o, do RISTJ e que esta Corte possui entendimento pacífico de que a ausência de enfrentamento detalhado de questões relevantes configura violação ao artigo 1.022 do CPC, sendo cabível o recurso especial para sanar tais omissões. Contraminuta (e-STJ fls. 735/744). É o relatório. DECIDO. O agravo não comporta conhecimento. Constata-se que as razões do agravo deixaram de impugnar de modo específico o fundamento da decisão denegatória, segundo o qual "no presente caso, não vislumbro a existência de interesse de agir" (e-STJ fl. 719), atraindo, portanto, a aplicação do disposto no art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015, que impõe ao relator "não conhecer do recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida". De fato, é dever do agravante demonstrar o desacerto da decisão atacada a justificar o cabimento do recurso especial interposto, sob pena de não ser conhecido o agravo, consoante determinam o art. 932, III, do CPC/2015 e a Súmula nº 182/STJ. A propósito: AgInt no AREsp 856.456/AL, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 16/5/2016; AgRg no AREsp 619.952/SP, Rel. Desembargador convocado Leopoldo de Arruda Raposo, Quinta Turma, DJe de 17/8/2015; AgRg nos EREsp 1.387.734/RJ, Rel. Ministro Jorge Mussi, Corte Especial, DJe de 9/9/2014, e AgRg nos EDcl nos EAREsp 402.929/SC, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Corte Especial, DJe de 27/8/2014. Cumpre consignar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EAREsp 746.775/PR, manteve o entendimento de que necessária a impugnação específica de todos os fundamento de decisão agravada, sob pena de incidência da Súmula nº 182/STJ. Confira-se: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos" (EAREsp 746.775/PR, Rel. p/ acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/9/2018, DJe 30/11/2018, grifou-se). Convém ressaltar que, "Não basta para considerar "especificamente impugnados" os fundamentos da decisão recorrida a mera transcrição de súmulas ou reprodução de dispositivos legais violados. Necessário, além das indicações expressas e claras, a sua vinculação aos fatos tal como analisados pelo acórdão ou decisão para então, mediante enfrentamento dialético desse conjunto de permissivos constitucionais em face do exame soberano do material de cognição pela Corte estadual, se chegar ao almejado entendimento de que a classificação jurídica concluída não espelha o melhor direito ao caso." (AgInt no AREsp 1.925.017/SC, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, Terceira Turma, julgado em 5/9/2022, DJe de 8/9/2022- grifou-se). Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Na origem, os honorários sucumbenciais foram fixados em 20% (vinte por cento) sobre o valor da causa, não cabendo a majoração prevista no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil por já estar no limite máximo estabelecido no § 2º do mesmo dispositivo legal. Publique-se. Intime -se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. DECISÃO AGRAVADA. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. ART. 932, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. AGRAVO NÃO CONHECIDO. 1. Incumbe ao agravante infirmar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, demonstrando o seu desacerto, de modo a justificar o cabimento do recurso especial interposto, sob pena de não ser conhecido o agravo (art. 932, III, do Código de Processo Civil). 2. Agravo não conhecido.