REsp 2006510 - DECISAO
O agravo não foi conhecido por insuficiência da impugnação específica e dialética dos fundamentos que levaram à inadmissibilidade do recurso especial na origem; o agravante não demonstrou ter prequestionado as matérias (Súmula 282/STF), não atacou todos os fundamentos autônomos do acórdão recorrido (Súmula 283/STF)...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: FÁBIO ALVES; Órgão Julgador Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 December 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade (agravo Regimental)
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Prequestionamento, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Súmula 282/stf, Súmula 283/stf, Cadeia De Custódia, Busca E Apreensão
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
FÁBIO ALVES
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ
Órgão Julgador Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade (agravo Regimental)
Legal Issues
- 1 nulidade da busca e apreensão por ausência de prévia averiguação de denúncias anônimas
- 2 quebra da cadeia de custódia e dúvida sobre a materialidade
- 3 absolvição por insuficiência de provas
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido por insuficiência da impugnação específica e dialética dos fundamentos que levaram à inadmissibilidade do recurso especial na origem; o agravante não demonstrou ter prequestionado as matérias (Súmula 282/STF), não atacou todos os fundamentos autônomos do acórdão recorrido (Súmula 283/STF) e não comprovou, mediante cotejo analítico, que sua pretensão dispensaria reexame do substrato fático-probatório (Súmula 7/STJ), de modo que incide a Súmula 182 do STJ e o art. 932, III, do CPC, aplicável por força do art. 3º do CPP.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Com fundamento no art. 34, inciso XVIII, alínea "a", do RISTJ, não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por FÁBIO ALVES contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ que não admitiu o recurso especial interposto contra acórdão proferido na Apelação Criminal n. 003102-61.2020.8.16.0146. Consta dos autos que o agravante foi condenado, em primeiro grau, às penas de 7 (sete) anos, 3 (três) meses e 15 (quinze) dias de reclusão, em regime inicial fechado, e 728 (setecentos e vinte e oito) dias-multa, pela prática do crime previsto no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006. Em seguida, o Tribunal de origem negou provimento à apelação defensiva. Nas razões do apelo nobre, o recorrente alegou violação dos arts. 240, § 1º, e 386, incisos II e VII, do Código de Processo Penal, sustentando: i) nulidade da busca e apreensão por ausência de prévia averiguação das denúncias anônimas; ii) quebra da cadeia de custódia e ausência de certeza quanto à materialidade delitiva; e iii) absolvição por insuficiência probatória (fls. 1128-1150). A Vice-Presidência do Tribunal a quo inadmitiu o recurso especial ao fundamento de: i) ausência de prequestionamento quanto à tese de nulidade da busca domiciliar (Súmula n. 282/STF); ii) manutenção por fundamento autônomo não impugnado acerca da quebra da cadeia de custódia da prova (Súmula n. 283/STF); iii) necessidade de revolvimento fático-probatório para infirmar a condenação (Súmula n. 7/STJ) (fls. 1169-1180). No agravo, o recorrente sustenta, em síntese, que as matérias são de ordem pública e não exigem prequestionamento; que, ao contrário do consignado no acórdão impugnado, não houve mero erro material, mas quebra da cadeia de custódia; e que a Súmula n. 7/STJ não impede cognição horizontal para constatar a inexistência de provas, requerendo o processamento do recurso especial (fls. 1189-1209). É o relatório. Decido. O conhecimento do agravo pressupõe o integral cumprimento do ônus da impugnação específica dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial na origem. Conforme o princípio da dialeticidade, se o agravante não refuta, de maneira pontual e suficiente, cada um dos óbices aplicados, o agravo não supera seu próprio juízo de admissibilidade, o que impede a análise do recurso especial. No caso concreto, o agravante não observou tal requisito processual. A decisão de inadmissibilidade fundamentou-se na incidência das Súmulas n. 282/STF, por ausência de prequestionamento; e n. 283/STF, por ausência de ataque a todos os fundamentos autônomos do acórdão; bem como na vedação ao reexame de provas, conforme a Súmula n. 7/STJ (fls. 1169-1180). A argumentação do agravo, contudo, falhou em infirmar adequadamente a aplicação dos referidos óbices. Quanto à aplicação da Súmula n. 282/STF, conforme já se decidiu, a ausência de demonstração clara e articulada de que os dispositivos foram prequestionados de forma adequada configura deficiência na fundamentação, atraindo o óbice da Súmula 182 n. do STJ, veja-se: AgRg no AREsp n. 2.551.265/SC, relator Ministro Carlos Pires Brandão, Sexta Turma, julgado em 11/11/2025, DJEN de 18/11/2025. Além disso, a superação da incidência da Súmula n. 283 do Supremo Tribunal Federal exige que a parte agravante demonstre que todos os fu ndamentos em que se apoia o acórdão recorrido foram devidamente impugnados nas razões do recurso especial. No entanto, tal providência não foi observada no agravo em recurso especial defensivo. Em sentido similar, confira-se: (..) 6. O reproche da Súmula n. 283/STF, quando aplicada no contexto de ausência de impugnação de todos os fundamentos do acórdão recorrido, exige da parte que proceda ao cotejo analítico entre os fundamentos do acórdão recorrido e as razões do recurso especial, de modo a comprovar que os pontos esteares do julgado guerreado foram integralmente atacados, ônus impugnativo que não resulta cumprido com a mera alegação genérica de não incidência do aludido verbete sumular. 7. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 2.659.042/SP, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, julgado em 10/12/2024, DJEN de 16/12/2024.) No mais, para afastar o impedimento da Súmula n. 7/STJ, seria imperativo que o recorrente, por meio de um cotejo analítico, demonstrasse que a sua pretensão recursal não demanda a reavaliação do substrato fático-probatório, mas apenas a revaloração jurídica dos fatos já soberanamente delineados no acórdão recorrido. A ausência dessa demonstração técnica, limitando-se a alegações genéricas, torna a impugnação ineficaz e mantém hígido o fundamento da decisão agravada. A jurisprudência deste Tribunal é pacífica ao exigir, para o afastamento da Súmula n. 7, que a parte demonstre, com base nas premissas fáticas do próprio acórdão, que a questão é puramente de direito, não bastando a mera assertiva de que não se pretende o reexame de provas (AgRg no AREsp n. 2.183.499/MG, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti, Desembargador Convocado do TJRS, Quinta Turma, julgado em 20/03/2025, DJEN de 26/03/2025). Sob a mesma perspectiva: (..) 2. Nos termos da orientação jurisprudencial deste Superior Tribunal, "para que se considere adequadamente impugnada a Súmula 7/STJ, o agravo precisa empreender um cotejo entre os fatos estabelecidos no acórdão e as teses recursais, mostrando em que medida estas não exigem a alteração do quadro fático delineado pelo Tribunal local, o que não se observa na alegação genérica de ser prescindível reexame de fatos e provas" (AgRg no AREsp n. 2.060.997/SC, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/8/2022, DJe 10/8/2022). 3. A falta de impugnação específica de todos os fundamentos utilizados na decisão agravada (despacho de inadmissibilidade do recurso especial) atrai a incidência da Súmula n. 182 desta Corte Superior. (..) (AREsp n. 2.548.204/RN, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 5/8/2025, DJEN de 22/8/2025.) No caso concreto, nas razões recursais, o agravante, de forma genérica, alega que a Súmula 7 não impede o juízo de cognição horizontal, que verifica a constatação da prova (fl. 1206). Consoante a jurisprudência pacífica desta Corte Superior, é dever do recorrente indicar, objetivamente, os elementos contidos no próprio acórdão que viabilizariam uma nova qualificação jurídica dos fatos, o que não ocorreu no presente caso. Dessa forma, conclui-se que o agravo não preenche os requisitos de admissibilidade. A parte recorrente não impugnou, de forma específica e dialética, todos os fundamentos da decisão que, na origem, inadmitiu o recurso especial. Incide, portanto, a Súmula n. 182 do STJ, bem como a regra do art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil, aplicável ao processo penal por força do art. 3º do Código de Processo Penal. Sobre a matéria: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO NÃO CONHECIDO POR INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO STJ. ÓBICE DA SÚMULA N. 7 DO STJ NÃO INFIRMADO PELO AGRAVANTE. DECISÃO MANTIDA. 1. A ausência de impugnação de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, ônus da parte recorrente, obsta o conhecimento do agravo, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015; art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ; e da Súmula n. 182 do STJ, aplicável por analogia. 2. "O momento processual adequado para a impugnação completa dos termos da decisão de inadmissibilidade é o agravo em recurso especial, e não o agravo regimental oposto contra a decisão que aplicou o mencionado óbice sumular" (AgRg no REsp n. 1.991.029/PR, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 20/9/2023). 3 . Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp n. 2.400.759/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 5/3/2024, DJe de 11/3/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 34, inciso XVIII, alínea "a", do RISTJ, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA