AREsp 1722355 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque a inadmissão do recurso especial pela Corte de origem se fundamentou em entendimentos firmados em recursos repetitivos (incidindo o art. 1.030, I, "b", §2º e art. 1.042 do CPC/2015), e porque as razões do agravo não impugnaram especificamente as demais fundamentações (aplicação das...
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- Parties
- Agravante: MZ PLUMASUL LTDA. EPP.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 February 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Pelo Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Recursos Repetitivos, Juros Remuneratórios, Capitalização De Juros, Comissão De Permanência, TJLP, Mora, Honorários Advocatícios, Súmulas
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Parties
MZ PLUMASUL LTDA. EPP.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Pelo Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 incidência de entendimentos em recursos repetitivos quanto a juros remuneratórios e capitalização
- 2 aplicação das Súmulas nºs 283 e 284/STF e Súmula nº 83/STJ
- 3 cabimento de agravo em recurso especial quando o recurso especial foi inadmitido por causa de repercussão de recursos repetitivos
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque a inadmissão do recurso especial pela Corte de origem se fundamentou em entendimentos firmados em recursos repetitivos (incidindo o art. 1.030, I, "b", §2º e art. 1.042 do CPC/2015), e porque as razões do agravo não impugnaram especificamente as demais fundamentações (aplicação das Súmulas 283 e 284/STF e Súmula 83/STJ), nos termos do art. 932, III, do CPC/2015; por fim, houve majoração dos honorários sucumbenciais ao patamar de R$ 12.500,00.
Court Disposition
não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Honrários sucumbenciais majorados de R$ 10.000,00 para R$ 12.500,00 em favor do advogado da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observado o benefício da gratuidade da justiça, se for o caso.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por MZ PLUMASUL LTDA. EPP. contra a decisão que inadmitiu o recurso especial. A denegação deu-se pelos seguintes fundamentos: (i) as questões relativas aos juros remuneratórios, capitalização de juros e caracterização da mora já foram objeto de exame em demandas repetitivas nos Recursos Especiais 1.061.530/RS (Temas 24, 25, 26 e 27), 973.827/RS (Temas 246 e 247) e 1.061.530/RS (Tema 28), motivo por que incide ao caso o artigo 1.030, I, "b", do Código de Processo Civil de 2015; (ii) aplicação das Súmulas nºs 283 e 284/STF em relação à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e comissão de permanência, e (iii) atração da Súmula nº 83/STJ quanto à legalidade da cobrança extrajudicial da verba honorária. Nas razões do presente recurso, os agravantes defendem, em síntese, que: (i) os juros remuneratórios não estão sendo cobrados em conformidade com o patamar legal de 12% (doze por cento) ao ano ou da Taxa Selic; (ii) é ilegal a cobrança de capitalização mensal de juros, mesmo que contratada, e de comissão de permanência; (iii) a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) é abusiva; (iv) o devedor não incorreu em mora, e (v) a cobrança extrajudicial dos honorários advocatícios fere o princípio da equidade e o equilíbrio contratual previsto no Código de Defesa do Consumidor. É o relatório. DECIDO. Acórdão impugnado pelo presente recurso especial publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). A irresignação não merece prosperar. Inicialmente, observa-se que a decisão de inadmissibilidade do recurso especial foi publicada no DJ em 8/4/2020 (e-STJ fl. 594), ocasião em que já se encontrava em vigor o Código de Processo Civil de 2015, que prevê, expressamente, em seu art. 1.030, I, "b", § 2º, que o recurso admissível em tal hipótese é o de agravo interno: "Art. 1.030. Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, que deverá: I - negar seguimento: (..) b) a recurso extraordinário ou a recurso especial interposto contra acórdão que esteja em conformidade com entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, respectivamente, exarado no regime de julgamento de recursos repetitivos; II - encaminhar o processo ao órgão julgador para realização do juízo de retratação, se o acórdão recorrido divergir do entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça exarado, conforme o caso, nos regimes de repercussão geral ou de recursos repetitivos§ 2º Da decisão proferida com fundamento nos incisos I e III caberá agravo interno, nos termos do art. 1.021"- grifou-se. A propósito, a Terceira Turma deste Superior Tribunal, quando do julgamento do AREsp nº 959.991/RS, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, em 16/8/2016, firmou o entendimento de que, quando a Corte de origem inadmitir o recurso especial com base em recurso repetitivo, a interposição de agravo em recurso especial constitui erro grosseiro. Eis a ementa: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INTERPOSIÇÃO CONTRA DECISÃO PUBLICADA NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. 1. IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA (CPC/2015, ART 932, III). NECESSIDADE. 2. PARTE DO RECURSO ESPECIAL NÃO ADMITIDA NA ORIGEM PORQUE AS MATÉRIAS FORAM JULGADAS SEGUNDO O RITO DO ART. 543-C DO CPC: TAXA DE JUROS REMUNERATÓRIOS CONTRATADOS. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DE JUROS. NÃO CABIMENTO DO AGRAVO NESSES PONTOS (CPC/2015, ART. 1.042). 3. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. ERRO GROSSEIRO. CARACTERIZAÇÃO. 4. RECURSO CONHECIDO APENAS QUANTO À ALEGADA VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/73. MÉRITO. AFASTAMENTO. 5. AGRAVO PARCIALMENTE CONHECIDO PARA, NESSA EXTENSÃO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 85, §§ 8º E 11, DO CPC/2015. 1. Com o advento do Código de Processo Civil de 2015 passou a existir expressa previsão legal no sentido do não cabimento de agravo contra decisão que não admite recurso especial quando a matéria nele veiculada já houver sido decidida pela Corte de origem em conformidade com recurso repetitivo (art. 1.042, caput). Tal disposição legal aplica-se aos agravos apresentados contra decisão publicada após a entrada em vigor do Novo CPC, em conformidade com o princípio tempus regit actum. 2. A interposição do agravo previsto no art. 1.042, caput, do CPC/2015 quando a Corte de origem o inadmitir com base em recurso repetitivo constitui erro grosseiro, não sendo mais devida a determinação de outrora de retorno dos autos ao Tribunal a quo para que o aprecie como agravo interno. 3. Não se configura ofensa ao art. 535 do CPC/73 quando o Tribunal de origem, embora rejeite os embargos de declaração opostos, manifesta-se acerca de todas as questões devolvidas com o recurso e consideradas necessárias à solução da controvérsia, sendo desnecessária a manifestação pontual sobre todos os artigos de lei indicados como violados pela parte vencida. 4. Agravo parcialmente conhecido para, nessa extensão, negar provimento ao recurso especial, com majoração dos honorários advocatícios, na forma do art. 85, §§ 8º e 11, do CPC/2015." Por tais razões, entende-se incabível o agravo interposto contra decisão de admissibilidade na parte que aplicou a orientação firmada nos Recursos Especiais 1.061.530/RS (Temas 24, 25, 26 e 27), 973.827/RS (Temas 246 e 247) e 1.061.530/RS (Tema 28). No mais, constata-se que as razões do agravo deixaram de impugnar de modo específico a incidência das Súmulas nºs 283 e 284/STF e Súmula nº 83/STJ, atraindo, portanto, a aplicação do disposto no art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015, que impõe ao relator "não conhecer do recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida". A propósito, o seguinte precedente da Corte Especial deste Superior Tribunal de Justiça: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos" (EAREsp 746.775/PR, Rel. p/ acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/9/2018, DJe 30/11/2018). Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Na origem, os honorários sucumbenciais foram fixados em R$ 10.000,00 (dez mil reais), os quais devem ser majorados para o patamar de R$ 12.500,00 (doze mil e quinhentos reais) em favor do advogado da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observado o benefício da gratuidade da justiça, se for o caso. Publique-se. Intimem-se.