AREsp 1748019 - DECISAO
Não conheço do agravo em recurso especial porque o agravante não impugnou, de forma específica e suficiente, todos os fundamentos da decisão agravada que indeferiu a admissibilidade do recurso especial, nos termos do art. 932, inciso III, do CPC/2015, sendo insuficientes alegações genéricas ou remissões a...
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- Parties
- Agravante: MARIO GOLOMBEK
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 March 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade Não Conhecido
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Agravo Em Recurso Especial, Impugnação Específica, Bem De Família, Penhora, Cerceamento De Defesa, Perícia, Dissídio Jurisprudencial
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Parties
MARIO GOLOMBEK
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade Não Conhecido
Legal Issues
- 1 impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 admissibilidade do recurso especial
- 3 aplicação do art. 932, inciso III, do CPC/2015
Ratio Decidendi
Não conheço do agravo em recurso especial porque o agravante não impugnou, de forma específica e suficiente, todos os fundamentos da decisão agravada que indeferiu a admissibilidade do recurso especial, nos termos do art. 932, inciso III, do CPC/2015, sendo insuficientes alegações genéricas ou remissões a fundamentos anteriores.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos etc. Trata-se de agravo em recurso especial, manejado por MARIO GOLOMBEK, contra decisão que deixou de admitir recurso especial, aviado pelas alíneas"a" e "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, ao fundamento de que "a assertiva de ofensa a dispositivos constitucionais não serve de suporte à interposição de recurso especial", de inexistência de demonstração da ofensa ao art. 1.022, inciso II,do CPC/2015, de ausência de demonstração da ofensa aos arts. 1ºe 5º, ambos da lei 8.009/90, e aos arts. 278, 281, 465, §§ 1º, 2º e 3º, incisos I, II e III, 840, inciso II e §1º, 842, 843 e 937, inciso VIII, todos do Código de Processo Civil, bem como de que "não ficou demonstrada na peça recursal a similitude de situações com soluções jurídicas diversas entre o entendimento esposado pelos doutos julgadores e o paradigma colacionado para confronto"(e-STJ fls. 391-394). É o breve relatório. Passo a decidir. O presente recurso não merece ser conhecido em virtude da ausência de impugnação aofundamentoda decisão agravada. Com efeito, o recurso especial foi inadmitido em razão de que "a assertiva de ofensa a dispositivos constitucionais não serve de suporte à interposição de recurso especial"; da inexistência de demonstração da ofensa ao art. 1.022, inciso II, do CPC/2015; da ausência de demonstração da ofensa aos arts. 1º e 5º, ambos da lei 8.009/90, e aos arts. 278, 281, 465, §§ 1º, 2º e 3º, incisos I, II e III, 840, inciso II e §1º, 842, 843 e 937, inciso VIII, todos do Código de Processo Civil; bem como de que "não ficou demonstrada na peça recursal a similitude de situações com soluções jurídicas diversas entre o entendimento esposado pelos doutos julgadores e o paradigma colacionado para confronto". A parte agravante, no entanto, limitou-se a alegar, em suma, que restou "demasiadamente demonstrada a afronta a artigos do Código de Processo Civil", e "ao entendimento jurisprudencial deste Superior Tribunal de Justiça de caso semelhante";que "as razões do recurso especial demonstraram que os v. acórdãos recorridos, proferidos pela 36 Câmara de Direito Privado do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não enfrentaram toda a matéria alegada e discutida nos recursos"; que a ofensa ao art. 1.022, inciso II, do CPC/2015 está cristalina no bojo do recurso especial; que houve inequívoco cerceamento de defesa,haja vista que não foi oportunizada a manifestação de sua advogada, a qual havia solicitado sustentação oral no julgamento do agravo de instrumento; que são patentes os vícios ocorridos quando da realização da perícia;que a penhora e todos os atos posteriores a ela devem ser nulos, dada a ausência de intimação da co-proprietária acerca da penhora;que o imóvel discutido é o único bem e sempre foi usado como moradia da entidade familiar, devendo ser considerado bem de família; bem como que o dissídio jurisprudencial se mostra expresso e claro, sendo devidamente atendido o requisito do art. 1.029, §1º, do CPC/2015. Desta forma, vislumbra-se que não houve impugnação, de forma específica e suficiente, aofundamento utilizado pelo Tribunal de origem para não admitir o recurso especial, relativo ao fato de que "a assertiva de ofensa a dispositivos constitucionais não serve de suporte à interposição de recurso especial", notadamente evidenciando o seu desacerto. Saliente-se, ademais, que alegações genéricas são insuficientes à impugnação da decisão de inadmissão. Nessa esteira, para viabilizar o prosseguimento do recurso interposto, a irresignação há de ser total, objetiva e pormenorizada. Não basta a impugnação genérica ou a remissão a fundamentos anteriores. Veja-se o entendimento desta Corte quanto ao tema: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/09/2018, DJe 30/11/2018) - g.n. Destarte, a falta de ataque específico à decisão agravada acarreta o não conhecimento do recurso, a teor do que dispõe o art. 932, inciso III, do CPC/2015 (art. 544 do CPC/1973), in verbis: "Art. 932. Incumbe ao relator: (..) III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida". Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. ADMISSIBILIDADE. DECISÃO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. ART. 932, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL/2015 (ART. 544, § 4º, INCISO I, DO CPC/1973). 1. Incumbe ao agravante infirmar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, demonstrando o seu desacerto, de modo a justificar o cabimento do recurso especial interposto, sob pena de não ser conhecido o agravo (arts. 932, III, do CPC/2015 e 544, § 4º, inciso I, do CPC/1973). 2. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 906.849/RS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 01/09/2016, DJe 16/09/2016) - g.n. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. ART. 932, III, DO CPC. 2. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Cabe ao agravante, nas razões do agravo, trazer argumentos suficientes para contestar a decisão de inadmissibilidade do recurso especial proferida pelo Tribunal de origem. A ausência de impugnação de todos os fundamentos da decisão agravada enseja o não conhecimento do agravo, nos termos do art. 932, III, do CPC. 2. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 821.544/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 24/05/2016, DJe 06/06/2016) - g.n. Inviável, pois, a pretensão da parteagravante. Ante o exposto,NÃO CONHEÇO do agravo em recurso especial. Intimem-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL (CPC/2015). AGRAVO DE INSTRUMENTO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOFUNDAMENTODA DECISÃO AGRAVADA. ART. 932, INCISO III, DO CPC/2015. AGRAVO NÃO CONHECIDO.