AREsp 1801042 - DECISAO
Rejeitaram-se os embargos porque a parte foi regularmente intimada, nos termos do art. 76 c/c art. 932, parágrafo único, do CPC/2015, para regularizar a representação no prazo improrrogável de 5 dias e não o fez, operando-se a preclusão temporal que impede a aceitação da juntada posterior do mandato; além disso, não...
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- Parties
- Embargante: OAS S.A. - EM RECUPERACAO JUDICIAL E OUTROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 March 2021
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração (rejeição)
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Representação Processual, Preclusão Temporal, Instrumentalidade Das Formas, Fungibilidade, Embargos De Declaração, Tempus Regit Actum
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Parties
OAS S.A. - EM RECUPERACAO JUDICIAL E OUTROS
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração (rejeição)
Legal Issues
- 1 ausência de juntada da cadeia de procuração e possibilidade de saneamento
- 2 qual é o marco temporal de aplicação do CPC/2015 e seus efeitos sobre requisitos de admissibilidade recursal
- 3 preclusão temporal pela não regularização dentro do prazo peremptório
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos porque a parte foi regularmente intimada, nos termos do art. 76 c/c art. 932, parágrafo único, do CPC/2015, para regularizar a representação no prazo improrrogável de 5 dias e não o fez, operando-se a preclusão temporal que impede a aceitação da juntada posterior do mandato; além disso, não houve demonstração de obscuridade, contradição, omissão ou erro material no decisum embargado que justificasse acolhimento dos aclaratórios.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- Rejeitam-se os embargos de declaração.
- Advirte-se a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, por serem os próximos embargos sobre o mesmo assunto considerados manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do CPC).
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de embargos de declaração opostos por OAS S.A. - EM RECUPERACAO JUDICIAL E OUTROS, à decisão de fls. 222/223, que não conheceu do recurso. Sustenta a parte embargante que: 4. Analisando os autos, verifica-se que Recurso Especial interposto pelas Recuperandas (e-STJ fls.125/137) foi inadmitido, razão pela qual houve a interposição de Agravo contra o r. despacho denegatório (e-STJ fls. 180/194). Contudo por um lapso as Embargantes deixaram de acostar a cadeia de procuração, sendo certo que tal equívoco se trata de erro escusável. 5. De fato, a inadmissão do recurso por esse fator representaria indevido e indesejado excesso de rigorismo, em manifesto desrespeito ao princípio da instrumentalidade das formas . 6. Neste contexto, a conclusão que se alcança é no sentido de que a ausência da juntada da cadeia de procurações, desde que sanada, não impede o recebimento do recurso, tendo em vista que fora tempestivamente interposto, com a correta indicação das partes, além de ter abordado as questões pertinentes à lide e foi acompanhado da guia de preparo com a correta identificação do feito. Inclusive, vale destacar que não se verifica qualquer má-fé na interposição do recurso, devendo o mesmo ser recebido em observância aos princípios da fungibilidade e da instrumentalidade das formas (fls. 227/228). Requer o conhecimento e acolhimento dos embargos declaratórios para que seja sanado o vício apontado. A parte embargada foi devidamente intimada para contra-arrazoar estes aclaratórios. É, no essencial, o relatório. Decido. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica na hipótese. No caso, a parte recorrente, no momento da interposição dos recursos, não procedeu à juntada da cadeia completa de procuração e/ou substabelecimento conferindo poderes ao subscritor do recurso especial e do agravo, Dr. Luiz José Martins Servantes. Entretanto, o marco temporal de aplicação do Código de Processo Civil de 2015 é a intimação do decisum recorrido que, no presente caso, foi realizada após 18/3/2016, já sob a égide do novo codex processual. Assim, nos termos do Enunciado Administrativo n. 3 do STJ, "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC", em observância ao princípio do tempus regit actum, ou seja, no presente caso aplicam-se as regras do Código de Processo Civil de 2015. Dessa forma, nos termos do art. 76, c/c o art. 932, parágrafo único, ambos do Código de Processo Civil, foi intimada a parte recorrente para regularizar a representação processual, no prazo improrrogável de 5 (cinco) dias, sob pena de não conhecimento do recurso. Mesmo diante da intimação da parte para sanear o vício, não houve a devida regularização, uma vez que se quedou inerte. Somente agora, em sede destes aclaratórios, a parte trouxe o instrumento de mandato com o fim de regularizar a representação, no entanto, não pode ser aceito, em razão da preclusão. (AgInt no AREsp 1520555/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 30/6/2020; AgInt no REsp 1788526/TO, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; e AgInt no REsp 1830797/SE, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 18/3/2020.) O processo deve ser uma sequência de atos ordenados, com o propósito de servir à prestação jurisdicional. Por outro lado, a prestação jurisdicional não pode durar para sempre. O processo nasce direcionado a um fim e ao seu próprio fim. Não pode ser um instrumento de perseguição infinita do direito material. Nesse sentido, a observância dos prazos constitui direito das partes, representa a garantia de segurança jurídica, bem como garante a característica temporal do processo. Nesse sentido, o prazo para a parte comprovar a regularidade da representação era peremptório e não houve apresentação de justa causa para a sua reabertura. Assim, tendo sido encerrado o prazo sem a prática do ato, desaparece a possibilidade de praticá-lo. É o que se chama de preclusão e, no caso, temporal. Por fim, a pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no decisum embargado evidencia mera insatisfação com o resultado do julgamento, não sendo a via eleita apropriada para tanto. Nesse sentido: EDcl no AgInt nos EDcl nos EAREsp 1202915/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe de 28/8/2019. Assim, não há irregularidade sanável por meio dos presentes embargos, porquanto toda a matéria submetida à apreciação do STJ foi julgada, não havendo, na decisão embargada, os vícios que autorizariam a utilização do recurso - obscuridade, contradição, omissão ou erro material. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração e advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, porque os próximos embargos que tratem do mesmo assunto serão considerados manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do CPC). Publique-se. Intimem-se,