AREsp 1842563 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou especificamente os fundamentos que motivaram a decisão de inadmissão do recurso especial (notadamente a aplicação das Súmulas 7 e 83 do STJ), violando o princípio da dialeticidade e atraindo a incidência da Súmula 182/STJ, razão pela qual, com apoio no art....
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Município de Curitiba
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 April 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Súmula 83/stj, Ônus Da Impugnação, Princípio Da Dialeticidade
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Município de Curitiba
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 incidência da Súmula 7/STJ e necessidade de demonstrar que a análise não depende do reexame de provas
- 2 ônus da dialeticidade e da impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 3 incidência analógica da Súmula 182/STJ por falta de impugnação específica
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou especificamente os fundamentos que motivaram a decisão de inadmissão do recurso especial (notadamente a aplicação das Súmulas 7 e 83 do STJ), violando o princípio da dialeticidade e atraindo a incidência da Súmula 182/STJ, razão pela qual, com apoio no art. 932, III, do CPC e art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, não se conhece do agravo.
Court Disposition
não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos, etc. Trata-se agravo interposto pelo Município de Curitiba contra decisão que não admitiu o recurso especial, com amparo no óbice da Súmula 7 do STJ (e-STJ, fls.126-133). É o relatório. O insurgente não infirmou especificamente o pressuposto utilizado pelo Tribunal de origem para negar o acesso à via especial, trazendo apenas argumentos genéricos, não demonstrando como seria possível a análise do recurso sem que implique o revolvimento do conjunto fático-probatório. Nesse aspecto, "em atenção ao princípio da dialeticidade, cumpre à parte recorrente o ônus de evidenciar, nas razões do agravo em recurso especial, o desacerto da decisão recorrida" (AgInt no AREsp 1.360.316/DF, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe 7/8/2019), o que não ocorreu no caso em tela. Acrescento que, quanto à aplicação da Súmula 7/STJ, não basta a assertiva genérica de que a pretensão recursal não requer o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que possa justificar o afastamento do referido empecilho processual. Tal circunstância atrai, por analogia, a incidência da Súmula 182/STJ, segundo a qual "é inviável o agravo do art. 545 do CPC/1973 que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". A propósito: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENAL. TRÁFICO DE DROGAS (14 PORÇÕES DE COCAÍNA, PESANDO 26,30G E 1 PEDRA DA MESMA SUBSTÂNCIA COM PESO DE 1G). MINUTA DE AGRAVO QUE NÃO INFIRMA ESPECIFICAMENTE OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.º 182 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SÚMULAS N.º 7 E 83 DO STJ. RAZÕES RECURSAIS. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Nas razões do agravo em recurso especial, não foram rebatidos, especificamente, os fundamentos da decisão agravada relativos à incidência das Súmulas 7 e 83 do Superior Tribunal de Justiça. 2. No tocante à incidência da Súmula 7/STJ, o Agravante se limitou a sustentar genericamente que a matéria seria apenas jurídica, sem explicitar, à luz da tese recursal trazida no recurso especial, de que maneira a análise não dependeria do reexame de provas. Assim, não houve a observância da dialeticidade recursal, motivo pelo qual careceu o referido recurso de pressuposto de admissibilidade, qual seja, a impugnação efetiva e concreta aos fundamentos utilizados para inadmitir o recurso especial, no caso, a incidência da Súmula n.º 7 do Superior Tribunal de Justiça. 3. No que diz respeito à Súmula 83/STJ, não foi demonstrado o desacerto da decisão agravada, indicando eventual superação do entendimento do STJ, no qual a Corte local se orientou ou, ainda, eventual distinção com o caso dos autos. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 1.677.886/MS, Rel. Min. LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 19/5/2020, DJe 3/6/2020). Por fim, cumpre destacar que o não conhecimento do agravo em recurso especial, em virtude da aplicação da Súmula 182/STJ, impede a análise das teses a respeito do mérito discutido no apelo nobre, porque não ultrapassada a admissibilidade recursal. Ante o exposto, com fulcro no art. 932, III, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se.