AREsp 2676476 - ACORDAO
Conheceu-se em parte do agravo em recurso especial e negou-se provimento porque o Tribunal de origem examinou as alegações de omissão e ausência de fundamentação, concluindo pela inexistência de vício nos termos dos arts. 1.022 e 489 do CPC, e porque acolher a tese recursal demandaria reexame de premissas...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: BANCO DO BRASIL S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 March 2026
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Acórdão (quarta Turma, Sessão Virtual)
- Outcome
- Agravo em recurso especial conhecido em parte e desprovido (negado provimento).
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Negativa De Prestação Jurisdicional, Súmula N. 7 Do STJ, Agravo De Instrumento, Perícia, Arts. 1.022 E 489 Do CPC, Art. 1.015 Do CPC, Tema 988 Do STJ, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
BANCO DO BRASIL S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Acórdão (quarta Turma, Sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Houve negativa de prestação jurisdicional e ausência de fundamentação, com suposta violação dos arts. 1.022, I e II, e 489, § 1º, IV, do CPC?
- 2 É cabível o agravo de instrumento à luz dos arts. 1.001 e 1.015, II, VI e XI, do CPC, diante da alegada taxatividade mitigada do Tema n. 988 do STJ e da urgência/lesividade?
Ratio Decidendi
Conheceu-se em parte do agravo em recurso especial e negou-se provimento porque o Tribunal de origem examinou as alegações de omissão e ausência de fundamentação, concluindo pela inexistência de vício nos termos dos arts. 1.022 e 489 do CPC, e porque acolher a tese recursal demandaria reexame de premissas fático-probatórias, atraindo o óbice da Súmula n. 7 do STJ.
Court Disposition
Agravo em recurso especial conhecido em parte e desprovido (negado provimento).
Orders
- Conhecer em parte do recurso especial e negar-lhe provimento.
- Deixar de majorar os honorários recursais nos termos do § 11 do art. 85 do CPC, por inexistência de prévia fixação na origem.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 24/02/2026 a 02/03/2026, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso, mas lhe negar provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro João Otávio de Noronha. Os Srs. Ministros Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Luís Carlos Gambogi (Desembargador Convocado do TJMG) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. Licenciado o Sr. Ministro Marco Buzzi. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE RECURSAL E NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL CONHECIDO PARA CONHECER EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL E NEGAR-LHE PROVIMENTO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão de inadmissibilidade fundada na ausência de negativa de prestação jurisdicional e na incidência da Súmula n. 7 do STJ. 2. A controvérsia diz respeito a agravo de instrumento, manejado em ação ordinária que determinou o prosseguimento da perícia por já delimitado o seu objeto, com determinação de análise das demais questões na sentença. O valor da causa foi fixado em R$ 15.000,00. 3. A Corte de origem manteve decisão monocrática que não conheceu do agravo de instrumento por atacar despacho sem cunho decisório, irrecorrível à luz do art. 1.001 do CPC, e por não se enquadrar no rol do art. 1.015 do CPC. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 4. Há duas questões em discussão: (i) saber se houve negativa de prestação jurisdicional e ausência de fundamentação, com violação dos arts. 1.022, I e II, e 489, § 1º, IV, do CPC; e (ii) saber se é cabível o agravo de instrumento, à luz do art. 1.001 e do art. 1.015, II, VI e XI, do CPC, diante da taxatividade mitigada do Tema n. 988 do STJ e da alegada urgência. III. RAZÕES DE DECIDIR 5. Não há negativa de prestação jurisdicional nem ausência de fundamentação. O Tribunal estadual examinou a matéria e rejeitou os embargos de declaração por inexistência dos vícios do art. 1.022 do CPC, afirmando a adequação da decisão que não conheceu do agravo de instrumento. 6. A revisão das premissas fático-probatórias fixadas pela Corte local atrai o óbice da Súmula n. 7 do STJ. IV. DISPOSITIVO E TESE 7. Agravo em recurso especial conhecido para conhecer em parte do recurso especial e negar-lhe provimento. Tese de julgamento: "1. A inexistência de omissão, contradição ou ausência de fundamentação afasta a violação dos arts. 1.022, I e II, e 489, § 1º, IV, do CPC. 2. Incide a Súmula n. 7 do STJ quando o acolhimento da tese recursal demanda reexame de premissas fático-probatórias". Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.022, 489 § 1º, IV, 1.001, 1.015 II, VI, XI. Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmula n. 7.
RELATÓRIO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por BANCO DO BRASIL S.A. contra a decisão que inadmitiu o recurso especial em razão da ausência de negativa de prestação jurisdicional e pela incidência da Súmula n. 7 do STJ. Alega a parte agravante que os pressupostos de admissibilidade do recurso especial foram atendidos. Contraminuta às fls. 293-305. O recurso especial foi interposto, com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina em agravo interno em agravo de instrumento, nos autos de ação de cobrança de honorários advocatícios. O julgado foi assim ementado (fl. 124): AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DO RÉU/AGRAVANTE CONTRA DECISÃO UNIPESSOAL QUE NÃO CONHECEU DO AGRAVO DE INSTRUMENTO, PORQUANTO INADMISSÍVEL. DECISÃO DE ORIGEM QUE NÃO EXAMINOU TESES ARGUIDAS PELA PARTE. AUSÊNCIA DE CUNHO DECISÓRIO. DECISÃO IRRECORRÍVEL, A TEOR DO ART. 1.001 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ADEMAIS, COMANDO QUE JÁ HAVIA SIDO INDICADO POR ESSE ÓRGÃO FRACIONÁRIO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO PRETÉRITO. INADMISSIBILIDADE MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Os embargos de declaração opostos foram decididos nestes termos (fl. 179): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DO RÉU CONTRA DECISÃO UNIPESSOAL QUE NÃO CONHECEU DO AGRAVO DE INSTRUMENTO, PORQUANTO INADMISSÍVEL. DECISÃO DE ORIGEM QUE NÃO EXAMINOU TESES ARGUIDAS PELA PARTE. AUSÊNCIA DE CUNHO DECISÓRIO. DECISÃO MANTIDA EM SEDE DE AGRAVO INTERNO. INCONFORMISMO DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ALEGADA OCORRÊNCIA DE OMISSÕES. INSUBSISTÊNCIA. MATÉRIA DEVIDAMENTE ANALISADA QUANTO A IMPOSSIBILIDADE DO CONHECIMENTO DO AGRAVO DE INSTRUMENTO. NÍTIDO CARÁTER DE REDISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. VÍCIOS ELENCADOS NO ART. 1.022 DO CPC/2015 INEXISTENTES. PREQUESTIONAMENTO. RAZÕES RECURSAIS QUE NÃO INDICAM QUAISQUER DOS VÍCIOS ELENCADOS NO ART. 1.022 DO CPC. TUTELA JURISDICIONAL QUE NÃO COMPORTA REPARO. PLEITO FORMULADO EM SEDE DE CONTRARRAZÕES PARA CONDENAÇÃO DO EMBARGANTE EM MULTA. INSUBSISTÊNCIA. NÃO CONSTATADO INTENTO PROTELATÓRIO. INAPLICABILIDADE DO ART. 1.026, § 2º, DO CPC. ACLARATÓRIOS REJEITADOS. No recurso especial, a parte aponta violação dos seguintes artigos: a) 1.022, I e II, e 489, § 1º, IV, do Código de Processo Civil, porque o acórdão recorrido não apreciou as alegações de nulidade da decisão agravada por negativa de prestação jurisdicional, duração razoável do processo, cooperação e boa-fé, e a necessidade de apreciação prévia de questões de ordem pública antes da perícia; b) 1.001 e 1.015, II, VI e XI, do Código de Processo Civil, pois o Tribunal teria afastado o cabimento do agravo de instrumento, apesar da taxatividade mitigada reconhecida pelo Tema n. 988 do STJ e do evidente prejuízo que a decisão agravada traz ao banco recorrente. Defende existir matérias de ordem pública que devem ser apreciadas antes da realização da perícia técnica. Requer o conhecimento e o provimento do recurso. Contrarrazões às fls. 237-245. É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE RECURSAL E NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL CONHECIDO PARA CONHECER EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL E NEGAR-LHE PROVIMENTO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão de inadmissibilidade fundada na ausência de negativa de prestação jurisdicional e na incidência da Súmula n. 7 do STJ. 2. A controvérsia diz respeito a agravo de instrumento, manejado em ação ordinária que determinou o prosseguimento da perícia por já delimitado o seu objeto, com determinação de análise das demais questões na sentença. O valor da causa foi fixado em R$ 15.000,00. 3. A Corte de origem manteve decisão monocrática que não conheceu do agravo de instrumento por atacar despacho sem cunho decisório, irrecorrível à luz do art. 1.001 do CPC, e por não se enquadrar no rol do art. 1.015 do CPC. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 4. Há duas questões em discussão: (i) saber se houve negativa de prestação jurisdicional e ausência de fundamentação, com violação dos arts. 1.022, I e II, e 489, § 1º, IV, do CPC; e (ii) saber se é cabível o agravo de instrumento, à luz do art. 1.001 e do art. 1.015, II, VI e XI, do CPC, diante da taxatividade mitigada do Tema n. 988 do STJ e da alegada urgência. III. RAZÕES DE DECIDIR 5. Não há negativa de prestação jurisdicional nem ausência de fundamentação. O Tribunal estadual examinou a matéria e rejeitou os embargos de declaração por inexistência dos vícios do art. 1.022 do CPC, afirmando a adequação da decisão que não conheceu do agravo de instrumento. 6. A revisão das premissas fático-probatórias fixadas pela Corte local atrai o óbice da Súmula n. 7 do STJ. IV. DISPOSITIVO E TESE 7. Agravo em recurso especial conhecido para conhecer em parte do recurso especial e negar-lhe provimento. Tese de julgamento: "1. A inexistência de omissão, contradição ou ausência de fundamentação afasta a violação dos arts. 1.022, I e II, e 489, § 1º, IV, do CPC. 2. Incide a Súmula n. 7 do STJ quando o acolhimento da tese recursal demanda reexame de premissas fático-probatórias". Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.022, 489 § 1º, IV, 1.001, 1.015 II, VI, XI. Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmula n. 7. VOTO A controvérsia diz respeito a agravo de instrumento interposto contra decisão, proferida em ação ordinária cujo valor da causa é de R$ 15.000,00 que determinou o prosseguimento da perícia, por já delimitado o seu objeto, consignando que as demais questões alegadas, por envolver o mérito, serão analisadas na sentença. O Tribunal estadual negou provimento ao agravo interno em agravo de instrumento, mantendo a decisão monocrática que não conheceu do recurso, por entender ter atacado despacho e por não se enquadrar no rol do art. 1.015 do Código de Processo Civil. I - Arts. 1.022, I e II, e 489, § 1º, IV, do CPC No recurso especial, a parte recorrente alega negativa de prestação jurisdicional por omissões quanto à nulidade da decisão por falta de prestação, ao acesso à justiça, à duração razoável do processo, aos deveres de cooperação e boa-fé, e à análise prévia de questões de ordem pública antes da perícia. O acórdão dos embargos concluiu inexistirem vícios do art. 1.022 e registrou que a decisão impugnada examinou adequadamente o caso, não conhecendo do agravo de instrumento ante a natureza de despacho e a ausência de prejuízo imediato. Não se verifica a alegada ofensa aos artigos, pois a questão referente à omissão, contradição ou falta de fundamentação quanto aos pontos elencados foi devidamente analisada pela Corte estadual que concluiu pela inexistência de vício integrativo, não havendo vício que possa nulificar o acórdão recorrido. Confira-se trecho do acórdão recorrido (fl. 177): No que concerne à alegação de omissões no acórdão proferido quanto a suposta negativa da prestação jurisdicional, resta claro que a embargante deseja rediscutir a matéria analisada. Isto porque, a decisão impugnada examinou adequadamente o caso em comento, na qual se concluiu pelo não conhecimento do Agravo de Instrumento, uma vez que a decisão de origem "não se encontra inserida no art. 1.015 do CPC, além do que não não trará prejuízo as partes nesse momento, uma vez que a temática será examinada pelo juiz singular no momento cabível e com maiores subsídios". II - Arts. 1.001 e 1.015, II, VI e XI, do CPC O recorrente afirma má aplicação do art. 1.001 e negativa de vigência do art. 1.015, sustentando a taxatividade mitigada do rol, urgência e lesividade. O acórdão recorrido manteve a inadmissibilidade do agravo por ausência de cunho decisório e por não se reconhecer urgência apta a mitigar o art. 1.015, esclarecendo que as demais matérias seriam examinadas no momento cabível. No caso, o Tribunal de origem, ao analisar as peculiaridades fáticas e reconhecer a ausência de urgência e de prejuízo imediato, firmou premissas fático-probatórias. Rever tal entendimento demandaria o reexame de provas, o que é incabível em recurso especial ante o óbice da Súmula n. 7 do STJ. III - Conclusão Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial para negar-lhe provimento. Deixo de majorar os honorários recursais nos termos do § 11 do art. 85 do Código de Processo Civil, em razão da inexistência de prévia fixação na origem. É o voto.