EAREsp 2932157 - DECISAO
Os embargos de divergência são inadmissíveis porque pretendem discutir aplicação de regra técnica de admissibilidade do recurso especial (incidência das Súmulas 7, 182 e 315/STJ) e o mérito do recurso especial não foi apreciado, o que impede o processamento dos embargos de divergência por ausência de demonstração...
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- Parties
- Embargante: EDUARDO BRAUN WELTER
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 April 2026
- Procedural Posture
- Embargos De Divergência Em Agravo Em Recurso Especial / Não Admitidos
- Outcome
- embargos de divergência não admitidos
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Embargos De Divergência, Súmula 7/stj, Súmula 315/stj, Súmula 182/stj, Agravo Em Recurso Especial, Competência Do Tribunal Do Júri, Dolo Eventual
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Parties
EDUARDO BRAUN WELTER
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Divergência Em Agravo Em Recurso Especial / Não Admitidos
Legal Issues
- 1 admissibilidade de embargos de divergência quando o mérito do recurso especial não foi analisado
- 2 aplicação da Súmula 7/STJ e impossibilidade de reexame do contexto fático-probatório
- 3 incidência da Súmula 315/STJ que veda embargos de divergência no agravo que não admite recurso especial
Ratio Decidendi
Os embargos de divergência são inadmissíveis porque pretendem discutir aplicação de regra técnica de admissibilidade do recurso especial (incidência das Súmulas 7, 182 e 315/STJ) e o mérito do recurso especial não foi apreciado, o que impede o processamento dos embargos de divergência por ausência de demonstração analítica do dissídio jurisprudencial e similitude fática.
Court Disposition
embargos de divergência não admitidos
Orders
- Não admito os embargos de divergência.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de divergência interpostos por EDUARDO BRAUN WELTER contra acórdão da Sexta Turma, da relatoria do Ministro Sebastião Reis Júnior, que manteve a decisão monocrática, que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial, nos termos da seguinte ementa (e-STJ fls. 1.022): DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO DOLOSO. DOLO EVENTUAL. COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI. 1. A decisão agravada não apresentou omissão, contradição ou erro material, tendo enfrentado as questões suscitadas nos embargos de declaração. 2. A mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional de demonstração específica da violação legal alegada. 3. A pretensão de desclassificação dos fatos para a modalidade culposa e afastamento do dolo eventual esbarra na que veda o Súmula 7/STJ, reexame do contexto fático-probatório. 4. O Tribunal de origem, soberano na análise das provas, fundamentou a sentença de pronúncia nos elementos de prova produzidos ao longo da instrução, indicando a prática de homicídios dolosos contra a vida. 5. A reversão do entendimento das instâncias ordinárias demandaria revolvimento do contexto fático-probatório, o que é inviabilizado pela Súmula 7/STJ. 6. A sentença de pronúncia encerra mero juízo de admissibilidade, sendo as teses levantadas pela defesa, não comprovadas de forma inequívoca, de competência do Tribunal do Júri. 7. Agravo regimental improvido. Nos presentes embargos, o recorrente aponta, em síntese, divergência com relação ao elemento subjetivo da conduta, alegando que o acórdão embargado, que considerou não ser possível sua análise em razão do óbice do enunciado n. 7 da Súmula desta Corte Superior, é contrário ao acórdão proferido no Recurso Especial n. 1.848.945/PR. Pugna, assim, pela prevalência do entendimento do acórdão paradigma. É o relatório. Decido. Não é possível admitir os presentes embargos. Com efeito, "é imprópria a discussão, em sede de embargos de divergência, acerca da aplicação de regra técnica relativa ao conhecimento do recurso especial, no caso, a Súmula n. 7 /STJ". Ademais, consoante o disposto no enunciado n. 315 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, "não cabem embargos de divergência no âmbito do agravo de instrumento que não admite recurso especial". Dessa forma, por qualquer viés que se analise o presente recurso, constata-se a impossibilidade de seu conhecimento. Nesse sentido: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 315/STJ. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que indeferiu liminarmente embargos de divergência opostos em face de acórdão da Quinta Turma do STJ, nos termos do art. 21-E, V, do Regimento Interno do STJ, c/c art. 266-C do mesmo diploma. 2. A parte agravante sustenta que houve apreciação indireta do mérito do recurso especial pela Quinta Turma, inclusive com concessão de habeas corpus de ofício, o que afastaria a aplicação da Súmula 315/STJ e permitiria o processamento dos embargos de divergência. 3. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do recurso. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 4. A questão em discussão consiste em saber se os embargos de divergência podem ser admitidos quando o mérito do recurso especial não foi analisado, em razão da incidência da Súmula 182/STJ. III. RAZÕES DE DECIDIR 5. Os embargos de divergência são inadmissíveis quando o mérito do recurso especial não foi analisado, conforme disposto na Súmula 315/STJ, que estabelece que "não cabem embargos de divergência no âmbito do agravo de instrumento que não admite recurso especial". 6. A incidência da Súmula 182/STJ, que trata da ausência de impugnação específica, impede a análise do mérito do recurso especial, inviabilizando o juízo de admissibilidade dos embargos de divergência. 7. A jurisprudência consolidada do STJ confirma que os embargos de divergência não podem ser utilizados para discutir regras técnicas de admissibilidade do recurso especial. IV. DISPOSITIVO 8. Agravo regimental desprovido. (AgRg nos EAREsp n. 2.751.506/SP, relatora Ministra Maria Marluce Caldas, Terceira Seção, julgado em 8/10/2025, DJEN de 14/10/2025.) AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DO DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL ALEGADO. SÃO INCABÍVEIS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PARA DISCUTIR ACERTO NA APLICAÇÃO DE REGRA TÉCNICA DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Os embargos de divergência têm o escopo de pacificar a jurisprudência entre turmas ou entre seções e, por consequência, reclamam um julgamento prolatado por órgãos diversos. Assim, são inadmissíveis quando interpostos contra acórdãos proferidos pela mesma turma que apreciou o acórdão paradigma, como no caso. Ressalte-se que, entre a data do julgamento do acórdão embargado e a do paradigma, não houve alteração da composição do órgão em mais da metade de seus membros (art. 266, § 3º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça). 2. Nos embargos de divergência, para apreciação e comprovação do dissídio pretoriano, não basta a transcrição de ementas e excertos dos julgados; devem-se expor as circunstâncias que identificam os casos confrontados, impondo-se a demonstração da similitude fática entre o acórdão embargado e os paradigmas com tratamento jurídico diverso, o que, contudo, não configura a hipótese dos autos. 3. Nos termos do art. 266, I e II, do RISTJ, não são cabíveis embargos de divergência amparados em eventual inobservância de regras técnicas alusivas ao conhecimento do recurso especial, como pretende o embargante ao defender que o julgamento do recurso especial não demandaria o revolvimento de provas, ao contrário da conclusão a que chegou o acórdão embargado. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg nos EAREsp n. 2.777.010/RN, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Terceira Seção, julgado em 18/3/2025, DJEN de 21/3/2025.) Pelo exposto, não admito os embargos de divergência. Publique-se. EMENTA