AREsp 2523929 - DECISAO
Porquanto o acórdão recorrido enfrentou expressamente as questões suscitadas (unirrecorribilidade, preclusão lógica e requisitos da tutela de urgência), não houve omissão nem falta de fundamentação nos termos dos arts. 489 e 1.022 do NCPC; assim, conheceu-se do agravo, conheceu-se em parte do recurso especial e,...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MOHALLEM ENGENHARIA LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Exame Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo; conheço em parte do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Tutela Provisória De Urgência, Princípio Da Unirrecorribilidade, Preclusão Consumativa, Fundamentação Judicial, Negativa De Prestação Jurisdicional, Omissão
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MOHALLEM ENGENHARIA LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Exame Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 alegada violação dos arts. 489 e 1.022 do NCPC
- 2 omissão quanto à existência de duas decisões distintas
- 3 princípio da unirrecorribilidade da preclusão
Ratio Decidendi
Porquanto o acórdão recorrido enfrentou expressamente as questões suscitadas (unirrecorribilidade, preclusão lógica e requisitos da tutela de urgência), não houve omissão nem falta de fundamentação nos termos dos arts. 489 e 1.022 do NCPC; assim, conheceu-se do agravo, conheceu-se em parte do recurso especial e, nessa extensão, negou-lhe provimento.
Court Disposition
Conheço do agravo; conheço em parte do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por MOHALLEM ENGENHARIA LTDA. (MOHALLEM) contra decisão que negou seguimento ao seu apelo nobre. Foi apresentada contraminuta. É o relatório. Decido. O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, o agravo e passo ao exame do recurso especial. O inconformismo, no entanto, não merece prosperar. Nas razões de seu apelo nobre, interposto com base no art. 105, III, alínea a, da CF, alegou violação dos arts. 489, § 1º, III e IV e 1.022, II do NCPC sustentando omissão, em relação a existência de duas decisões distintas, a inexistência de violação ao princípio da unirrecorribilidade da preclusão e a análise quanto a inexistência dos requisitos necessários a concessão da tutela de urgência. (1) Da ausência de omissão ou fundamentação Não merece respaldo a assertiva de que o v. acórdão não teria se manifestado sobre as decisões distintas, o princípio da unirrecorribilidade da preclusão e a análise quanto a inexistência dos requisitos necessários a concessão da tutela de urgência, uma vez que o Tribunal local, expressamente, no julgamento dos aclaratórios: Isso porque o acórdão foi claro ao expor as razões pelas quais deixou de conhecer parte do recurso, em razão do princípio da unirrecorribilidade, assim como as razões que formaram o convencimento do juízo quanto a preclusão lógica dos argumentos utilizados pela embargante para a revogação da tutela de urgência concedida em primeiro grau. Colhe-se do julgado: .. (e-STJ, fl. 4.054). Por oportuno transcrevo trecho do v. acórdão recorrido: No caso em exame, a agravante pretende a reforma da decisão que indeferiu pedido de revogação de tutela provisória de urgência, consistente em ordem de imissão na posse, concedida à agravada. Conforme exposto pela própria recorrente, a revogação da tutela provisória depende de demonstração clara da inexistência dos pressupostos para concessão da medida, o que somente se admite em sede recursal. Há, em trâmite, agravo de instrumento contra a decisão que concedeu à agravada a liminar de manutenção de posse, distribuído sob o n. 1.0000.21.095965-6/001. Portanto, a discussão sobre a ausência dos pressupostos que embasaram aquela decisão deverá ser objeto de enfrentamento naquele recurso. Aplica-se neste caso o princípio da unirrecorribilidade, o qual preceitua que somente é admissível um recurso para cada decisão. .. Destarte, já tendo a agravante praticado o ato quando teve oportunidade, não pode ingressar com novo recurso, impugnando a mesma decisão. .. Posto isso, em razão da preclusão consumativa e da unirrecorribilidade, não conheço da parte do recurso que versa sobre os pressupostos que embasaram a decisão que deferiu a liminar de manutenção na posse. .. Repito, para fins de compreensão do caso, que a agravante pretende a reforma da decisão que indeferiu pedido de revogação de tutela provisória de urgência, consistente em ordem de imissão na posse, concedida à agravada. A teor da norma insculpida no art. 300 do Código de Processo Civil, a tutela provisória de urgência será concedida sempre que houver nos autos elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo. Esses requisitos são imperiosos para que se demonstre a plausibilidade do direito postulado existir e o perigo de dano a ensejar provimento imediato, ante a impossibilidade de espera da concessão da tutela definitiva. .. Compulsando os autos, verifica-se que o Juízo de primeiro grau deferiu, em favor da agravada, liminar de imissão na posse (ordem 108). A agravante, ao contestar o feito (ordem 149), formulou, em sede de tutela provisória, pedido de revogação da liminar Não há como admitir, entretanto, os fatos alegados pela recorrente como inéditos, para fins de revogação da tutela provisória outrora concedida (e-STJ, fls. 3.671/3.680 - sem destaque no original). Desta forma, não há que se falar em negativa de prestação jurisdicional, pois o tribunal de origem decidiu a matéria controvertida de forma fundamentada, ainda que contrariamente aos interesses da parte. Assim, constata-se que não há quaisquer dos vícios elencados no art. 1.022 do NCPC. Ademais, constata-se que o acórdão recorrido foi devidamente fundamentado, não se podendo falar em violação dos arts. 489, § 1º, e 1.022 do NCPC, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou de forma fundamentada sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR. ART. 1.638 DO CC. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Não há falar em violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 quando a decisão está clara e suficientemente fundamentada, resolvendo integralmente a controvérsia. 3. A perda do poder familiar ocorrerá quando presentes quaisquer das hipóteses previstas no art. 1.638 do CC. 4. Para prevalecer a pretensão em sentido contrário à conclusão do tribunal de origem, que manteve a sentença que decretou a destituição do poder familiar, mister se faz a revisão do conjunto fático-probatório dos autos, procedimento inviabilizado, nesta instância superior, pelo óbice da Súmula nº 7/STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.237.833/MS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, j. 8/10/2018, DJe 15/10/2018 - sem destaque no original) CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. RECURSOS MANEJADOS SOB A ÉGIDE DO NCPC. COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA. IMÓVEL NA PLANTA. RESTITUIÇÃO DOS VALORES PAGOS PELA INTERMEDIAÇÃO. VIOLAÇÃO DOS ART. 489, § 1º, VI, E § 3º, E 1.022 DO NCPC QUE NÃO SE VERIFICA. OFENSA AO ART. 927, III, DO NCPC. NÃO OCORRÊNCIA. ARTS. 141 E 492 DO NCPC E 884 DO CC/02. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211 DO STJ. PREQUESTIONAMENTO FICTO (ART. 1.025 DO NCPC). NECESSIDADE DE APONTAMENTO DE CONTRARIEDADE AO ART. 1.022 DO NCPC. PRESCRIÇÃO TRIENAL. TERMO INICIAL. DATA DO EFETIVO PAGAMENTO. 1. Os recursos especiais foram interpostos contra decisão publicada na vigência do novo Código de Processo Civil, razão pela qual devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista, nos termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Não procede a arguição de ofensa aos art. 489, § 1º, VI, e § 3º, e 1.022 do NCPC, quando o Tribunal a quo se pronuncia de forma motivada e suficiente, sobre os pontos relevantes e necessários ao deslinde da controvérsia. 3. O julgador não está obrigado a aplicar a tese fixada no julgamento de recurso especial repetitivo como determinado pelo art. 927, III, do NCPC quando realiza a separação do joio do trigo. 4. Ausente o debate pela Corte de origem acerca de preceito legal dito violado, incide a Súmula nº 211 do STJ. 5. A admissão de prequestionamento ficto (art. 1.025 do CPC/15), em recurso especial, exige que seja indicada ofensa ao art. 1.022, para que se possibilite ao órgão julgador verificar a existência do vício inquinado no acórdão, que uma vez constatado, poderá dar ensejo à supressão de grau de jurisdição facultada pelo dispositivo de lei. 6. O termo inicial da prescrição da pretensão de restituição dos valores pagos parceladamente a título de comissão de corretagem é a data do efetivo pagamento (desembolso total). 7. Recurso especial da PROJETO FOX conhecido em parte e, nessa extensão, não provido. Recurso especial da LPS não provido. (REsp 1.724.544/SP, de minha relatoria, Terceira Turma, j. 2/10/2018, DJe 8/10/2018 - sem destaque no original) Nessas condições, CONHEÇO do agravo para CONHECER EM PARTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Inaplicável ao caso a majoração de honorários advocatícios. Por fim, advirta-se que eventual recurso interposto contra este julgado estará sujeito às normas do NCPC, inclusive no que tange ao cabimento de multa (arts. 1.021, § 4º e 1.026, § 2º). Publique-se. Intimem-se. EMENTA CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL E RECURSO ESPECIAL MANEJADOS SOB A ÉGIDE DO NCPC. AGRAVO DE INSTRUMENTO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 1.022 E 489, § 1º, DO NCPC. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL E FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO NÃO CONFIGURADAS. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO, EM PARTE, E, NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO.