AREsp 1742701 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque a agravante não impugnou especificamente o fundamento único apontado para a inadmissão do recurso especial (óbice da Súmula 7/STJ), nos termos do art. 932, inc. III, do CPC/15; em razão disso, o recurso é manifestamente não conhecido e foram majorados os honorários sucumbenciais em...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: KLANIZE GONCALVES SANTOS LEMOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 31 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade
- Outcome
- Não conhecido o agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Súmula 7/stj, Dano Moral, Admissibilidade Recursal, Honorários Sucumbenciais
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
KLANIZE GONCALVES SANTOS LEMOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade por não impugnação específica dos fundamentos da decisão recorrida
- 2 aplicação da Súmula 7/STJ como óbice à admissão do recurso especial
- 3 possibilidade de majoração dos honorários sucumbenciais
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque a agravante não impugnou especificamente o fundamento único apontado para a inadmissão do recurso especial (óbice da Súmula 7/STJ), nos termos do art. 932, inc. III, do CPC/15; em razão disso, o recurso é manifestamente não conhecido e foram majorados os honorários sucumbenciais em 10% nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015.
Court Disposition
Não conhecido o agravo em recurso especial.
Orders
- Majora-se os honorários sucumbenciais em 10% (dez por cento), incidentes sobre o valor já arbitrado pela origem, em favor da parte recorrida, observadas as regras da gratuidade de justiça.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1.042 do CPC/15) interposto por KLANIZE GONCALVES SANTOS LEMOS em face da decisão acostada às fls. 541-542 e-STJ, que, em juízo prévio de admissibilidade, inadmitiu o recurso especial manejado pela ora agravante. O apelo extremo, fundado na alínea "c" do permissivo constitucional, fora deduzido em desafio ao acórdão de fls. 452-460 e-STJ, proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS, assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO À SAÚDE. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE COBERTURA DE CIRURGIA. RECONSTRUÇÃO DA MAMA COM A INSERÇÃO DE PRÓTESE. PROCEDIMENTO NÃO SE ENQUADRA NOS CRITÉRIOS DE COBERTURA, CONFORME ROL DA ANS. RECUSA FUNDAMENTADA. DANOS MORAIS NÃO CONFIGURADOS. AUSÊNCIA DE OFENSA A DIGNIDADE. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. A operadora de Plano de Saúde foi obrigada a custear a cirurgia prescrita, porém, a negativa de cobertura não pode servir para justificar a condenação em dano morais, como entende a Apelante, isso porque se trata de procedimento não regulado pela ANS, não prevista a cobertura contratual, e somente foi realizado por força de decisão judicial. 2. Não configura dano moral a recusa fundamentada em cláusula contratual que só veio a ser afastada judicialmente, após a comprovação dos requisitos exigidos pelos precedentes jurisprudenciais do STJ e do TJDFT, ou seja, de que há prescrição médica, e que não haja desequilíbrio contratual com prejuízo financeiro ao plano de saúde, uma vez que sequer foi alegado. 3. Recurso conhecido e desprovido. Nas razões de recurso especial (fls. 462-485 e-STJ), alegou a insurgente a existência de dissídio jurisprudencial em relação aos artigos 14, 47 e 51 da Lei n.º 8.078/90 e ao artigo 186 do Código Civil, no que tange à existência de danos morais indenizáveis. Contrarrazões às fls. 533-539 e-STJ. Em juízo prévio de admissibilidade, a Corte de origem inadmitiu o apelo nobre por aplicação da Súmula 7/STJ. Inconformada, interpôs o presente agravo (art. 1.042 do CPC/15), cuja minuta está acostada às fls. 546-572 e-STJ, por meio do qual pretende ver admitido o recurso especial. Em síntese, reiterou o alegado dissídio jurisprudencial. Sem contraminuta (fl. 618 e-STJ). É o relatório. Decide-se. A pretensão recursal não comporta conhecimento. 1. A agravante não impugnou o único fundamento da decisão de admissibilidade do recurso especial, qual seja, o óbice da Súmula 7/STJ - que não é sequer mencionado nas razões do agravo (art. 1.042 do CPC/15). O agravo em recurso especial que deixa de afastar os fundamentos que levaram à inadmissão do recurso não deve ser conhecido, nos termos do artigo 932, inc. III, do CPC/15, que assim dispõe in verbis: Art. 932. Incumbe ao relator: .. III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; É dever da parte agravante (à luz do princípio da dialeticidade) demonstrar o desacerto do magistrado ao fundamentar a decisão impugnada, atacando especificamente o seu conteúdo, em sua totalidade, nos termos do art. 932, inc. III, do CPC/15, o que não ocorreu na espécie, uma vez que as razões apresentadas contra a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não impugnam todos os fundamentos do decisum. A propósito, é o precedente da Corte Especial: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/09/2018, DJe 30/11/2018) grifou-se 2. Necessário observar que a Presidência deste STJ já havia constatado a inadmissibilidade do recurso, conforme decisão monocrática proferida às fls. 625-627 e-STJ. Em face daquela deliberação, a parte manejou agravo interno - no qual, vale dizer, também deixara de infirmar o fundamento da decisão então recorrida. Todavia, por vislumbrar, naquela oportunidade, possível vinculação à controvérsia afetada à sistemática dos recursos repetitivos, este relator tornou sem efeito a deliberação da Presidência, julgando prejudicado o agravo interno (sem análise de mérito, portanto), determinando a devolução dos autos à origem. A Presidência da Corte local, em decisão de fls. 714-715 e-STJ, corretamente verificou que o debate trazido no apelo nobre não se encontrava vinculado ao Tema 1069. Assim, considerando que a decisão antes proferida foi tornada sem efeito (e não reconsiderada ou reformada), não há impedimento à prolação de nova deliberação pelos menos fundamentos - já que, de fato, é manifesta a ofensa ao princípio da dialeticidade recursal. 3. Advirta-se, por derradeiro, que eventual interposição de recurso manifestamente inadmissível ou protelatório poderá ensejar, conforme o caso, a aplicação de multa calculada sobre o valor atualizado da causa (arts. 1.021, § 4º e 1.026, § 2º, CPC/2015). 4. Do exposto, com amparo no artigo 932, inc. III, do CPC/15, não se conhece do agravo em recurso especial e, com base no art. 85, § 11, do CPC/2015, majora-se os honorários sucumbenciais em 10% (dez por cento), incidentes sobre o valor já arbitrado pela origem, em favor da parte recorrida, observadas as regras da gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem-se