AREsp 1820921 - DECISAO
Conheceu-se parcialmente do agravo, mas negou-se provimento ao recurso especial porque a decisão agravada denegou seguimento ao recurso especial por estar em conformidade com precedente repetitivo, sendo, nos termos do CPC/2015, o meio adequado o agravo interno, e porque a agravante não indicou especificamente os...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: PEDRO ANANIAS MORAES DE OLIVEIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 September 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Parcial Do Agravo E, Na Parte Conhecida, Nego Provimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Conheço parcialmente do agravo e, na parte conhecida, nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Inadmissão De Recurso Especial, Capitalização De Juros, Juros Remuneratórios, Comissão De Permanência, Seguro Prestamista, Tarifa De Cadastro, Compensação De Valores, Repetição Do Indébito, Mora, Decisão Extra Petita, Prequestionamento, Sucumbência
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Parties
PEDRO ANANIAS MORAES DE OLIVEIRA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Parcial Do Agravo E, Na Parte Conhecida, Nego Provimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 cabimento de agravo em recurso especial contra decisão que nega seguimento por conformidade com precedente repetitivo
- 2 manutenção ou vedação da capitalização de juros
- 3 limite dos juros remuneratórios pela média de mercado do BACEN
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do agravo, mas negou-se provimento ao recurso especial porque a decisão agravada denegou seguimento ao recurso especial por estar em conformidade com precedente repetitivo, sendo, nos termos do CPC/2015, o meio adequado o agravo interno, e porque a agravante não indicou especificamente os dispositivos legais violados, evidenciando fundamentação deficiente (Súmula 284/STF).
Court Disposition
Conheço parcialmente do agravo e, na parte conhecida, nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço parcialmente do agravo e, na parte conhecida, nego provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo de decisão que inadmitiu recurso especial, interposto por PEDRO ANANIAS MORAES DE OLIVEIRA, fundado no art. 105, III, alíneas "a" e "c" da Constituição Federal, em face de acórdão proferido pelo eg. Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado (fls. 409/410): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO COM GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. TAC E SERVIÇO DE TERCEIROS. DECISÃO EXTRA PETITA. JUROS REMUNERATÓRIOS. CAPITALIZAÇÃO. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. SEGURO PRESTAMISTA. TARIFA DE CADASTRO. COMPENSAÇÃO DE VALORES E REPETIÇÃO DO INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO DA MORA. DA TAC E DOS SERVIÇOS DE TERCEIROS. SENTENÇA EXTRA PETITA. A apreciação de cláusula contratual sobre a qual não foi formulado pedido pela parte na petição inicial configura julgamento extra petita. Extraída da sentença a parte que ultrapassou os limites do pedido. Apelação prejudicada no ponto. DOS JUROS REMUNERATÓRIOS. Estando a taxa pactuada pelas partes dentro dos limites previstos na média de mercado apurada pelo BACEN, a pactuação em contrato deve ser preservada. Precedentes. DA CAPITALIZAÇÃO. É permitida a capitalização em periodidade inferior à anual após a edição da Medida Provisória nº 2.170/2001, desde que expressamente pactuada. Precedentes. Súmulas 539 e 541 do STJ. Sucumbência afastada. DA COMISSÃO DE PERMANÊNIA E ENCARGOS DE MORA. Não prevista contratualmente a comissão de permanência, e nem demostrada sua cobrança, carece o autor de interesse na revisão. Sucumbência afastada. Encargos de mora restabelecidos. DO SEGURO PRESTAMISTA. É abusiva a cláusula que, em contrato celebrado a partir de 30.04.2008, obriga o consumidor a contratar seguro com instituição financeira ou com seguradora por ela indicada. Tese fixada nos Recursos Especiais Repetitivos nos 1.639.320/SP e 1.639.259/SP - TEMA 972. DA TARIFA DE CADASTRO. É válida a pactuação da Tarifa de Cadastro expressamente convencionada, que somente pode ser cobrada no início do relacionamento entre o contratante e a instituição financeira. Tese Paradigma. Recurso Especial nº 1.251.331/RS e nº 1.255.573/RS. Súmula 566 do STJ. DA CARACTERIZAÇÃO DA MORA. Inalteradas as cláusulas avençadas para o período da normalidade contratual, resta configurada a mora do autor em caso de inadimplemento contratual, nos termos do REsp nº 1.061.530/RS. DA COMPENSAÇÃO DE VALORES E DA REPETIÇÃO DO INDÉBITO. Constatada abusividade nas cláusulas pactuadas pelas partes, é cabível a compensação de valores e/ou a repetição do indébito, modo simples. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e desta corte. DO PREQUESTIONAMENTO. Desnecessidade de o decisum enfrentar uma a uma todas as normas legais citadas pelas partes ou existentes sobre o tema, sendo suficiente ao julgador fundamentar as teses que embasam a decisão. DA SUCUMBÊNCIA. Redimensionada. DE OFÍCIO, EXTRAÍDA DA SENTENÇA A DISPOSIÇÃO EXTRA PETITA. APELAÇÃO PROVIDA EM PARTE. Nas razões do recurso especial, a agravante alega dissídio jurisprudencial, acentuando, em síntese: (i) "o limite permitido para a cobrança dos juros remuneratórios é a taxa média de mercado, estipulada pelo Banco Central do Brasil" - (fl. 424); (ii) "o reconhecimento da abusividade nos encargos exigidos no período da normalidade contratual (juros remuneratórios e capitalização) descaracteriza a mora" - (fl. 426); (iii) "é vedada a inscrição ou a manutenção do nome do devedor em cadastro de inadimplentes quando presentes três requisitos" - (fl. 428). Foram apresentadas contrarrazões às fls. 438/439. É o relatório. De início, verifica-se que a decisão proferida pela Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (fls. 444/452) não admitiu o recurso especial quanto à capitalização de juros, com fundamento na conformidade do acórdão recorrido com a tese firmada no julgamento do recurso repetitivo - REsp n. 973.827/RS (Temas 246/247). A seguir, a parte interpôs agravo em recurso especial para ser julgado por esta Corte de Justiça. Entretanto, segundo a orientação jurisprudencial desta Corte Superior, é incabível a interposição do agravo contra decisão denegatória de seguimento do recurso especial fundamentada em recurso repetitivo e proferida após a vigência do CPC/2015 (18/3/2016), pois o único recurso cabível é o agravo interno dirigido ao próprio Tribunal de origem, nos termos dos arts. 1.030, § 2º, e 1.042, caput, do CPC/2015 (v.g. AREsp 959.991/RS, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 16/8/2016, DJe de 26/8/2016; AgInt no AREsp 1.053.970/DF, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 25/4/2017, DJe de 12/5/2017; e AgInt no AREsp 982.074/PR, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, julgado em 25/10/2016, DJe de 17/11/2016). Desse modo, considerando que a decisão agravada, tornada pública em 10/10/2020, está fundamentada na conformidade do acórdão recorrido com precedente firmado em julgamento de recurso repetitivo, não era possível o conhecimento do agravo em recurso especial. Cumpre destacar ser inaplicável a fungibilidade recursal em caso de erro grosseiro, como o verificado no caso em que há expressa previsão sobre o cabimento recursal. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO MONITÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NÃO CONHECEU DO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA DEMANDADA. 1. A Corte Especial do STJ, no julgamento da Questão de Ordem no Ag 1.154.599/SP, de relatoria do Ministro Cesar Asfor Rocha, adotou o entendimento de que é incabível o agravo interno contra a decisão que nega seguimento a recurso especial interposto contra acórdão que esteja em conformidade com o entendimento do STJ sob o rito dos recursos repetitivos. 1.1. Na forma do art. 1030, § 2º, do NCPC, o recurso cabível contra a decisão que nega seguimento a recurso especial com base no art. 1.030, I, b, do CPC/15, é o agravo interno. Precedentes. 1.2. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, configura erro grosseiro a interposição do agravo previsto no art. 1.042, caput, do CPC/15, sendo inviável, na hipótese, a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. Precedentes. 2. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1455076/MS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 24/06/2019, DJe 01/07/2019) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO QUE NÃO ADMITE RECURSO ESPECIAL FUNDAMENTADA EM REPETITIVO. APLICAÇÃO DO CPC/15. NÃO CABIMENTO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. ERRO GROSSEIRO. FUNGIBILIDADE RECURSAL. INAPLICABILIDADE. 1. Agravo em recurso especial que está sujeito às normas do CPC/15. 2. Conforme determinação expressa contida no art. 1.030, I, "b", e § 2º c/c 1.042, caput, do CPC/15, é cabível agravo interno contra decisão na origem que nega seguimento ao recurso especial com base em recurso repetitivo. 3. A interposição de agravo em recurso especial constitui erro grosseiro, porquanto inexiste dúvida objetiva, ante a expressa previsão legal do recurso adequado. 4. Agravo interno no agravo em recurso especial não provido. (AgInt no AREsp 1267038/RJ, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 26/06/2018, DJe 02/08/2018) Por fim, quanto aos demais temas relatados, observa-se que a recorrente não indica qual ou quais dispositivos entende violados, tornando patente a falta de fundamentação do apelo especial, circunstância que atrai a incidência do enunciado nº 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. A propósito: "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. QUEIMA DE CANA DE AÇÚCAR - REEXAME DE PROVA. SÚMULA 7 DO STJ. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SUMULA 284 DO STF. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A reforma do julgado quanto à ocorrência ou não do dano, que gerou a obrigação de indenizar, demanda inegável necessidade de incursão nas provas constantes dos autos, o que é vedado em sede de recurso especial. Incidência do óbice da Súmula 7 desta Corte. 2. A alegação de ofensa genérica à lei, sem a particularização dos dispositivos eventualmente violados pelo aresto recorrido, implica deficiência de fundamentação, conforme pacífico entendimento desta Corte Superior, fazendo incidir o enunciado da Súmula 284/STF. 3. A admissibilidade do recurso especial pressupõe-se uma argumentação lógica, demonstrando de plano a violação do dispositivo legal pela decisão recorrida, a fim de demonstrar a vulneração existente, o que não ocorreu na hipótese da alegada violação ao art. 38, § 4º, da Lei 12.651/12. 4. Agravo regimental não provido". (AgRg no AREsp 721.287/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 20/08/2015, DJe 27/08/2015) Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, b, do RISTJ, conheço parcialmente do agravo e, na parte conhecida, nego provimento ao recurso especial. Publique-se.